domingo, 11 de janeiro de 2026

ANIVERSÁRIOS...


A propósito de aniversários da CIVVIVA recordamos que em março de 2012 pedimos a atenção de todos e fizemos um micro resumo daqueles primeiros anos de vida lembrando que a Associação CIVVIVA foi registrada dia 12/01/2007, em coincidência com o aniversário de Belém (https://civviva-cidadevelha-cidadeviva.blogspot.com/20).

De lá para cá, algo mudou, mas muita coisa ainda deixa a desejar nessa nossa caminhada verso a civilidade e o respeito das leis em  vigor.

Ao fundar a Associação de Moradores do bairro mais antigo de Belém, achavamos que a união das pessoas era um passo fundamental para o resgate da cidadania, viabilizando assim o convívio civilizado e uma vida mais prazerosa. Esta portanto foi a forma que encontramos de presentear o bairro cujas origens coincidem com a fundação da cidade em janeiro de 1616, numa tentativa de preservar suas qualidades e características históricas.

Era nossa ideia, com a fundação da Associação Cidade Velha-Cidade Viva (CiVViva), representar a comunidade do bairro, não apenas na reivindicação dos seus direitos de cidadãos mas também contribuir com a Administração Pública no sentido de defender esse Bairro, qual patrimônio histórico da Cidade de Belém. Nada feito.

Iniciamos cheios de brios. Acreditando na competência dos Órgãos Públicos, começamos a procurá-los pra resolver nossos problemas, cooperando com eles. Como as palavras podiam ser levadas pelo vento, passamos a escrever, também, assim tínhamos algo em mãos para provar nossos pedidos. De nada serviu.

Hoje temos dois blogs com notícias, quase que diárias das nossas lutas, onde pode-se inclusive notar o total desinteresse pelo resgate da nossa cidadania pela quantidade de"arquivamentos" feitos pelo Ministério Público. As vezes pensamos de não viver na mesma cidade... como eles não vêem o que denunciamos?

O pouco que obtivemos relativamente ao carnaval, vimos ir se perdendo a cada novo partido que governava a cidade, e hoje as leis foram totalmente debeladas. Nem parece que estamos numa Democracia.

Chovem a cântaros os abusos cometidos por administradores, sejam eles políticos, funcionários públicos ou até mesmo professores. As leis não são nem ao menos um “opcional”, o “letra morta”.

É realmente uma vergonha ler os atos autorizativos feitos sem que sejam nomeadas as leis a serem respeitadas dificultando assim a competência de quem deve fazer os controle  da atividade. Os eventos autorizados na área tombada não respeitam os artigos 63, 79, 80  e 81 do Código de Postura, nem quanto previsto, relativamente aos ruídos considerados prejudiciais à  saúde, pela Resolução n. 001/1990 do CONAMA. De fato a norma NBR 10.152  que estipula os valores em decibéis para vários tipos de ambientes não vemos ser aplicada, nem quanto previsto na Tabela 1 para ambientes externos... Respeito as normas, bem poucos.  

 Nas praças da área tombada onde encontramos as igrejas do arquiteto Landi da segunda metade dos anos 1700, essas normas serviriam para “salvaguardar, proteger e defender” nossa memória histórica como prevêem as leis relativas ao nosso patrimônio histórico. A lei n. 9605/98 dos crimes ambientais também prevê condutas consideradas crime contra o patrimônio cultural. Quem as vê aplicadas?

Então, se a trepidação é reconhecida como um dos motivos letais para pessoas pois pode causar diversos problemas de saúde graves e a coisas, como prédios também, exceções reativamente a produção de ruídos ao menos na área tombada não deveriam ser permitidas.

 

Ver no período do aniversário da cidade, até  pessoas que se dizem ser defensores do patrimônio organizarem manifestações ruidosas em frente e no entorno da nossa área tombada ou de prédios como oTeatro da Paz... nos parece não somente ridículo, mas inclusive danoso para a educação da nossa juventude pois incoerente com as leis em vigor numa sociedade que se crê democrática.


Reclamar porque derrubaram umas casas antigas destombadas é justo, mas no dia seguinte ir participar de eventos ruidosos que prejudicam nosso patrimônio com a trepidação...  é o máximo da incoerência.

 

NESTE ANIVERSÁRIO DE BELÉM E DA CIVVIVA,    CONTINUAMOS A PEDIR ATENÇÃO... E MAIS COERÊNCIA.



segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

"ME POUPEM"

 O aniversario de Belém se aproxima. Oportunamente o que podemos dizer de Belém???

- Que foi fundada em 1616;

- Que, redescoberta pelo Marques de Pombal em meados de 1700, tivemos o período das criações de Landi;

- Que, depois de tanta injustiça, prepotência, abusos, violência, injuria, vexação soprafação.., o povo se levantou e aconteceu a Cabanagem;

- Que, de desconhecida, veio a tona com o período da borracha;

- Que Lemos a transformou, embelezando-a;

- Que foi totalmente abandonada, depois da entrada da Inglaterra no Mercado do 'cauciu', borracha, hevea brasiliense;

- Que JK, com a abertura da BR316, tentou uni-la ao resto do Brasil;

- Que o "progresso" aproveitou para começar a destruir nosso patrimônio histórico;

- Que os azulejos da Cidade Velha começaram a desaparecer;

- Que o asfalto começou a cobrir nossos paralelepípedos em troca do aumento do calor;

- Que edifícios e farmácias começaram a substituír os casarões antigos;

- Que as calçadas de liós viraram estacionamento;

- Que o carnaval com bandinhas e mascarados, foi substituído com aquele baiano (trios elétricos e abadas);

- Que as cores tênues das casas foram substituídas com cores gritantes, salvando a memória sabe lá de quem;

- Que a poluição sonora se instalou na Cidade Velha, ajudando a destruir o que sobrou da nossa memória histórica;

- Que, além da UFPa, até as igrejas abusam com ruídos inclusive de  fogos barulhentos na área tombada;

- Que não existe fiscalização de obras, e que nem sempre são autorizadas e nem tem a placa que a lei exige;

- Que, sejam as leis que o sentido de muitas palavras da nossa lingua, são desconhecidos até pelos intelectuais;

- Que hoje voltou a tona nos jornais do mundo a causa da COP30 e...

- Que para tal ocasião a cidadania foi ignorada mais uma vez, no momento de decidir o que fazer para melhorar a cidade para a COP30. 

- Que quem infringe a lei é  chamado, segundo lemos na Internet,  de: delinquente, culpado, réu, bandido, celerado, criminoso, facínora, malfeitor, condenado, transgressor, facinoroso, infrator, pistoleiro...

Nessas alturas, qual desses termos usar para denominar quem ignora o art.81 do CÓDIGO DE POSTURA autorizando o que a lei não permite perto de qualquer tipo de igreja? 

ALÉM DO MAIS,  COMO PRETENDR FESTEJAR SEU ANIVERSÁRIO (rumorosamente) NA AREA TOMBADA DE BELÉM E SE CONSIDERAR UM DEFENSOR DO PATRIMÔNIO?... e depois, como um santo de pau oco,  nem dissimuladamente, reclamar dos estragos feitos por outros (vide  a derrubada dos casarões) como se a poluição sonora não ajudassse a destruir nosso patrimônio. 

 

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

... E A GEMINI FECHA O ARGUMENTO.

 

Estou longe de Belém, e como horário, adiantada de quatro horas. Após publicar as duas horas da manhã de Belém, no blog Laboratório de Democracia Urbana a nota que a IA fez após a publicação do meu livro, alguém que conta entre a nossa “intelighenzia” me mandou uma outra opinião, dizendo-me “avalie este resumo feito pela Gemini, a IA do Google”.

Eram umas sete horas da manhã daqui onde estou, quando descobri a existência de uma concorrente da IA, a qual fez um exame dos dois blogs da CIVVIVA. Acho que esse material produzido pela GEMINI vale a pena ser conhecido e, quem sabe até difundido entre quem não respeita a luta que a CIVVIVA faz em defesa, não somente, da  CIDADE VELHA.

Eis o que recebi:

"Aqui está um resumo dos textos publicados no blog Laboratório de Democracia Urbana  "Cidade Velha-Cidade Viva", organizados em ordem cronológica (do mais antigo para o mais recente), buscando preservar o estilo engajado, crítico e de cidadania ativa da autora.

O blog, focado na defesa da memória histórica e na luta contra o degrado urbano em Belém (especialmente na Cidade Velha), apresenta uma série de reflexões intensificadas pelo contexto da COP30 realizada na cidade em novembro de 2025.

Março de 2025

Ref.: Texto sobre a "Amigocracia" e o início das atividades (título inferido: "Como vai a Amigocracia?" e "Quando tudo começou...")

Os textos iniciais marcam o tom do blog, relembrando datas sombrias como o golpe de 64 para refletir sobre o presente. A autora discute a necessidade de uma gestão democrática e da participação popular efetiva, questionando o cumprimento das leis e o comportamento das autoridades, muitas vezes pautado por relações de "amigocracia" em detrimento do interesse público. É o ponto de partida para a observação crítica do que viria a ocorrer ao longo do ano.

02 de Novembro de 2025: DEPOIS DAS FESTAS...

Passadas as celebrações, a preocupação volta-se imediatamente para o saldo deixado na cidade: o patrimônio. A autora questiona quem autoriza a destruição e o desrespeito ao Código de Posturas, exigindo providências para que a festa não signifique a ruína da memória da Cidade Velha.

07 de Novembro de 2025: O NOVO TERMINAL DA TAMANDARÉ

Uma crítica direta e pontual sobre o novo terminal hidroviário na Cidade Velha. A indignação surge ao descobrir que a estrutura serve apenas ao município de Barcarena. O texto questiona a lógica excludente dessa obra: "Por que isso?", levantando a suspeita sobre quem realmente se aproveita dessas intervenções urbanas.

08 de Novembro de 2025: COLONIALISMO CULTURAL

Relato de uma participação em reunião da COP30 na UFPa. O sentimento descrito é de desorientação e não pertencimento ("não sei dizer exatamente onde me encontrava"), denunciando um processo de colonialismo cultural. A autora sugere que, mesmo dentro de casa, as decisões e os espaços parecem ter sido capturados por lógicas alheias à realidade local.

17 de Novembro de 2025: TURISMO PREDATÓRIO...

O texto faz um paralelo alarmante entre Belém e cidades históricas como Veneza e Atenas de trinta anos atrás. O foco é a denúncia da ganância e ambição que impulsionam um turismo desenfreado, capaz de descaracterizar e destruir a vida urbana local em nome do lucro rápido.

21 de Novembro de 2025: O QUE FICOU NA NOSSA MEMÓRIA...???

Com o fim da COP30, chega o momento do balanço. A autora ironiza a "mídia selvagem" e seus destaques sobre os inconvenientes do evento, mas a preocupação central é mais profunda: o que restou para a cidade? Há um temor de que o legado seja apenas de destruição ou de maquiagem, questionando se o trânsito e a vida da cidade sobreviveram ao impacto do evento global.

23 de Novembro de 2025: GESTÃO DEMOCRÁTICA (Participação da População)

O texto reafirma a missão do laboratório: o exercício incansável dos direitos de cidadania, mesmo (e principalmente) quando as leis são ignoradas. É um desabafo sobre a dificuldade de fazer valer a voz da população frente a uma gestão que muitas vezes atropela os processos participativos.

04 de Dezembro de 2025: QUANDO TUDO COMEÇOU...

Em tom de retrospectiva, o texto conecta o final do ano ao seu início (março), fechando o ciclo de 2025. Relembra-se que o "tudo de negativo" vivenciado tem raízes na falta de democracia e memória. O post serve como um lembrete de que a luta do Laboratório — constituído pela Civviva diante do aumento do degrado social e cultural — continua necessária para encontrar respostas e soluções para o bairro.

Resumo do Estilo: A autora escreve como uma cidadã ativa e vigilante, utilizando frequentemente a primeira pessoa do plural ("nós", "fomos nos informar") para denotar coletividade. Os textos são curtos, diretos e carregados de questionamentos retóricos às autoridades ("Quem autoriza?", "Por que isso?"), demonstrando um amor ferido pela Cidade Velha e uma desconfiança permanente em relação às grandes intervenções e eventos que ignoram. "

                                                                    xxx

Essa conclusão até me emocionou. De fato o desespero dos propietários e moradores desta area tombada é ver a gentrificação em ato, tentar modificar o que as leis, através das palavras "salvaguarda , defesa e proteção" da nossa memória histórica, tentaram evitar. É ver a poluição sonora ser incentivada por órgãos públicos, descaradamente. É ver instituições nascidas para educar os cidadãos, em vez, pisotearem as leis, como qualquer fascita o faz. É ver politicos virarem as costas à democracia, desenvolvendo algo que até  poderiamos chamar de...amigocracia.

Frente a essa realidade, como não desconfiar das surpresas que ainda podem...cometer?


domingo, 23 de novembro de 2025

QUEM DECIDE?

 

No exercício pleno de nossa cidadania, vimos com a presente nos manifestar  a respeito de notícias veiculadas na midia, sobre nova afetação de bens públicos como por exemplo da sede atual da Prefeitura Municipal de Belém, e do Palacete Pinho, além das ruínas do prédio que pertenceu à família Bechara Mattar incendiado há dezenas de anos, situado no entorno da Feliz Lusitânia e, portanto, provavelmente classificado como de interesse da administração pública e por isso deve sofrer limitação administrativa.

Nos casos acima citados, se fala em transformar, ao menos dois deles, em Centros de Cultura, e essa destinação (afetação) certamente não foi resultado de algum debate com os moradores da área em questão, apesar de várias leis determinarem a gestão democrática no momento da formulação/execução de planos ou projetos de desenvolvimento urbano.

Francamente, vista a presença de vários órgãos públicos no entorno de tais prédios, e a quantidade de veículos automotores de funcionários que ocupam, inclusive as calçadas de pedras de liós (tombadas pela SECULT), quem sabe, tratando-se de área tombada, fosse muito mais oportuno, no caso do edificio incendiado,  pensar num ESTACIONAMENTO vertical. Se evitaria inclusive a presença em frente às duas igrejas tombadas da Praça da Sé, de enormes ônibus de turismo ou carretas várias descarregando mercadorias.

A trepidação, não somente de origem sonora, causa problemas aos prédios da área tombada e tal opção poderia servir a descongestionar as ruas e calçadas dessa área e daria um ótimo exemplo de salvaguarda da nossa memória histórica.

Uma outra possibilidade é cuidar da saúde dos cidadãos de uma forma mais civilizada. Como a maior parte dos moradores da área em que se localizam esses prédios são pessoas idosas, acontece que muitas vezes, se encontram a fazer PILATES,  compartilhando espaço de clinicas ou academias com o funcionários dos órgãos públicos ali situados.  

Os anciães que frequentam tais locais,  sabem disso,  quem nos governa, em vez, informamos agora. Vista essa coincidência  de usuários, quem sabe fosse mais profícuo um outro uso,  mais salutar,  inclusive, do próximo prédio da ALEPA..., e deixar o Centro Cultural para o Palácio Antônio Lemos.

É o caso de lembrar que o canal da Tamandaré divide o bairro  em duas partes, e os moradores mais idosos, e com problemas nos  membros inferiores (compostos por: quadril, coxa, joelho, perna, incluindo a tíbia e fíbula, tornozelo e pé),  residem  na área tombada.

É importante, portanto,  levar em consideração seja a idade dos moradores do bairro que a falta de estacionamento na área tombada. Quem frequentaria todos esses centros culturais num raio de menos de 2km, chegaria a pé, de onibus ou de carro?

Parece um absurdo planejar atividades na área tombada ignorando a falta de estacionamento. A rua S.Boaventura não aguenta todos aqueles locais, com as respectivas clientelas motorizadas.  Uma audiência pública, antes de dar as autorizações, poderia ajudar a, democraticamente, tomar decisões no modo sugerido pelas leis em vigor. (*) 

Além do mais, correm vozes que uma proposta de  Plano Diretor tenha sido entregue para ser examinada, estabelecendo,  a priori, que não vale para a Cidade Velha... São advogados a fazer essa proposta? Desde quando isso é possivel? O Plano Diretor não deve valer para todo o territorio do Município?


Vamos começar a aplicar nossas leis com mais seriedade? 


(*)  https://laboratoriodemocraciaurbana.blogspot.com/2025/11/tentando-ajudar.html







quinta-feira, 20 de novembro de 2025

UMA OPINIÃO CONDIVIDIDA ...

 ... POR MUITOS DE NÓS.

 O PARAENSE SÓ QUERIA FAZER PARTE DA NAÇÃO.

O legado humano da COP30

Por Marcelo Botelho

Belém vive, neste momento histórico da COP30, algo muito maior do que debates, painéis, negociações e acordos ambientais. Vive um reencontro consigo mesma. Vive a revelação, diante do mundo e de muitos brasileiros, de uma identidade que sempre existiu, mas que agora é vista, sentida, celebrada e respeitada. O que está acontecendo na capital do Pará não pode ser explicado apenas pelo viés ambiental ou geopolítico. O maior legado da COP30 é humano — e ele está sendo construído nas ruas, nas feiras, nos mercados, nas orlas, nas chuvas, na música e no abraço caloroso do povo paraense.

Quem desembarca em Belém durante este período vive uma espécie de rito de passagem. Descobre que a Amazônia não é um conceito distante, exótico ou folclórico — é uma experiência. Uma turista asiática, encantada, se jogou no ritmo do carimbó em plena conferência. Um grupo de indonésios experimentou açaí com peixe na orla de Icoaraci, maravilhados com a autenticidade do sabor. Filipinos brindaram com uma Tijuca gelada na Praia do Amor, em Outeiro, como se fossem filhos da terra. Indianos celebraram o verde da cidade, tocaram a água e afirmaram que nunca viram nada igual. E estrangeiros de todas as partes se renderam ao queijo coalho de Outeiro por R$ 5,00, ao tecnomelody que virou febre entre delegações inteiras e ao “gringo no caqueado” que viraliza como símbolo desse encontro improvável de culturas.

Belém, nesses dias, não é apenas sede; é anfitriã. Não apenas recebe; envolve. Não apenas mostra; transforma. A cidade morena revela, sem pedir licença, a força de sua gastronomia, a potência de sua música, a espontaneidade do seu povo e a singularidade da sua relação com o clima, com a chuva, com o rio e com a vida cotidiana. Há relatos emocionados de motoristas de aplicativo que viram um árabe — descrito como um “sheik” — se comportar como criança ao sentir a chuva amazônica pela janela. Pais paraenses no exterior compartilham vídeos dos filhos conversando com estrangeiros em vários idiomas. Pesquisadores se surpreendem com as chuvas que, para nós, fazem parte do ciclo da vida. Belém está encantando o mundo com aquilo que sempre foi, mas que tantos insistiam em ignorar.

E talvez aqui esteja a parte mais importante desse legado: a desconstrução de preconceitos regionais que há muito tempo ferem o Norte do Brasil. Não raras vezes fomos reduzidos a caricaturas, a narrativas distorcidas, a estereótipos ultrapassados. Como já denunciava Milton Nascimento em “Notícias do Brasil”, o país por muito tempo olhou para o litoral e esqueceu o resto. Mas agora, diante dos olhos do planeta, Belém mostra que não é “terra de tupiniquins”, que não tem onças e índios desnudos nas ruas, que sua riqueza não está na ficção, mas na realidade viva de um povo que respira cultura, gastronomia, diversidade, fé e ancestralidade.

A auto-estima do povo paraense está em estado de graça. Não porque Belém virou cenário internacional — ela sempre mereceu ser. Mas porque, pela primeira vez, o Brasil inteiro vem observando isso. As redes sociais se encheram de depoimentos de orgulho, emoção e pertencimento. Pessoas comuns mostram o Ver-o-Peso fervendo, o tecnomelody arrastando multidões, o Carimbó unindo mundos, a chuva que vira espetáculo para estrangeiros. Debates sérios acontecem dentro da conferência, enquanto, do lado de fora, a Amazônia pulsa na música, na dança, nos sabores e na hospitalidade inacreditável de um povo que recebe com 35 graus de temperatura e 90 graus de calor humano.

E enquanto alguns tentam diminuir essa grandeza com ironias fáceis, críticas vazias ou comparações injustas, a verdade se impõe: os cães ladram enquanto a caravana passa. Belém segue, firme, mostrando ao planeta que não é apenas palco — é protagonista.

Esse movimento simbólico e afetivo ganhou ainda mais força com um gesto histórico:

Em homenagem à COP30, o IBGE lançou um mapa-múndi inédito colocando o Pará no centro do planeta.

Uma inversão cartográfica que, mais do que estética, é política, cultural e emocional.

Ao deslocar o eixo do mundo, o mapa reconhece algo que o paraense sempre soube: a Amazônia é essencial à vida no planeta, e Belém é sua porta de entrada.

É a confirmação visual de que o mundo finalmente está olhando para onde deveria ter olhado desde sempre.

E, no fundo, talvez tudo isso seja a realização tardia de um simples desejo cantado por Marcos Barata * do Mosaico de Ravena:

“O paraense só queria fzer parte da nação.”

Viva Belém.

Viva o Pará.

Viva a Amazônia.

Viva o Brasil.

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* EDMAR JUNIOR é o cantor e autor de BELÉM PARÁ BRASIL. 

A banda é MOSAICO DE RAVENA

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Dulce: Que bacana ler  isso... o resultado da COP30 não vai depender de nós, povo de Belém que, aos trancos e barrancos, fizemos a nossa parte.

sábado, 15 de novembro de 2025

L.F.P. PRESENTE

 

Lúcio Flavio Pinto e a MEMÓRIA DE SANTARÉM

Trata--se de um livro que, segundo VER-O-FATO "...reúne crônicas e artigos publicados durante 25 anos no jornal o Estado do Tapajós (já extinto) e no portal   www.oestadonet.com.br, editado a partir de Santarém pelo jornalista Miguel Oliveira, um dos organizadores da reedição, juntamente com Nicodemos Sena, diretor da editora Letra Selvagem."

Através do artigo “Memória de Santarém”, do jornalista Lúcio Flávio Pinto, será lançado dia 18, no MPF, em Belém - Portal de Notícias , tomamos conhecimento que:

 "O conjunto da obra transita entre o jornalismo e a sociologia, e explica as razões da secular estagnação econômica, social e política da Amazônia, sempre a reboque dos interesses dos governos centrais, desde a Colônia até os dias de hoje.

“O livro não trata exclusivamente dos acontecimentos de Santarém, a rigor, aborda as questões amazônicas desse lugar emblemático na história da região, desde a colonização– diz Miguel Oliveira. "

Justamente, Nelio Palheta comenta que:  Lúcio foi sempre atento, dedicado, estudioso, ousado e dono de um senso crítico profundo sobre muitos fatos que ocorriam e ainda ocorrem na Amazônia. Sem superficialidades ou autocensura, Lúcio apontou sugestões de solução para não reduzir seu jornalismo, a meras críticas.Jornalismo que ainda tem valor como retrovisor de uma visão sobre o futuro da Amazônia que, podemos dizer, não demorou muito para chegar, de maneira destruidora” -

Seu jornalismo considerado "visionario" não podia ser esquecido e , de fato, esta coletânea  será lançada no calor da COP 30, e é importante para os debates atuais e futuros, para que nada seja esquecido. É o corolário de uma trajetória do jornalista visionário, que viu o futuro bem à frente das forças que atuam na região."

O lançamento do livro tem o apoio do Sindicato dos Jornalistas do Pará (Sinjor) e acontecerá " na sede do MPF [Rua Domingos Marreiros, 690 Umarizal – Belém-Pará], tem significado simbólico do papel do jornalismo profundo, ao lado de instituições que, por natureza ou missão, têm o papel de proteger bioma fundamental para o equilíbrio do clima global, que é a Amazônia.

Que bela ideia: justa e oportuna. Parabéns inclusive pela escolha do local, pois o MPF, por natureza ou missão, têm o papel de proteger o bioma fundamental para o equilíbrio do clima global, que é a Amazônia.





quinta-feira, 13 de novembro de 2025

CONTRA OS HORIZONTES CURTOS

 

... ou seja, o daquelas pessoas que não conseguem ver nada além do próprio umbigo...e ainda se metem a gritar besteiras...

Para que entendam um pouco vamos esclarecer alguns pequenos fatos que estão se repetindo estes dias:

- a COP30 não é sobre Belém nem somente sobre a Amazonia. Ela nasce para tentar salvar o planeta Terra da destruição. A luta é pelo clima que está mudando, a causa do uso, por exemplo, de algumas fontes de energia:  planejar o fim dos combustíveis fosseis é uma das suas urgências;

- A Amazonia, não é  somente brasileira, mesmo se a maior parte dela está aqui, mas  se extende pelas 3 ex Guianas, Venezuela, Perú, Bolívia, Colmbia, Equador, Suriname ...e somando seus habitantes chegam quase a 50milhões. Rir da afirmação da Janja a respeito é declarar a própria ignorância;

- nós conhecemos a Castanha do Pará, mas ela se encontra  nessa Amazonia que  vocês desconhecem, pois nem sabem que não somos nós os maiores exportadores dela. A Bolivia tem esse primato... Por isso a chamam de Castanha do Brasil no momento da exportação...

- e nem vamos  falar do '"phisales" o  nosso camapú, já desconhecido pelas duas ultimas gerações, mas que no Perú são açucarados e com bom conteudo de vitaminas A, C, ferro e fósforo. Suas inumeras propriedades medicinais são ignoradas por aqui. Além de termos perdido a borracha, vimos o cacau ir parar na Bahia por ao menos 60 anos... E assim vamos perdendo nossos possiveis primatos. Só falta perder o Açaí, também.

- na Amazonia so temos girafas de importação, mas ao defender a fauna mundial, como fazem os amigos da Bicharada de Juaba de Cametá, é necessário colocar todos os animais que ainda restam, aqui no Brasil e nos outros países também. Aos cametaenses todo o nosso respeito.

- As COPs nasceram para defender os  interesses “saudáveis”, até dos índios, que também são gente e continuam vivendo a margem da sociedade, como se não tivessem direitos. É necessária uma maior proteção dos territórios tradicionais além do reconhecimento da sua  participação concreta nas decisões. Eu admiro a coragem e audácia desses nossos irmãos. A eles todo o meu apoio.

Gente distraída e superficial... abram os olhos  e evitem repetir ignorâncias, como qualquer desavisado. Temos a oportunidade, estes dias, de confrontar nossa realidade com a de outros países, principalmente os mais pobres. Não estamos sós. Vamos dar as mãos e fazer uma luta única contra o aquecimento global. Notamos que ainda é preciso muita ação, implementação e controle para obtermos resultados.

Precisamos nos unir para monitorar o cumprimento de acordos e definir metas mais ambiciosas. O objetivo hoje é avançar nas negociações climáticas... É necessário, por exemplo,  incluir a saúde na agenda ambiental e, principalmente planejar, concretamente, o fim dos combustíveis fosseis. Não so Trump tem direito a criar... sanções.

Aguardamos o cronograma que define o abandono por todos os países, do uso de combustíveis fosseis, com metas, datas e orçamento compativeis.

São essas definições que esperamos da nossa COP DAS VERDADES  e o negacionismo  e outras picuinhas,  fruto de muita ignorância,  de nada ajudam nesse sentido.