quarta-feira, 14 de novembro de 2018

O CARNAVAL E A FUMBEL


Nos ultimos oito anos, vimos se modificar completamente o carnaval paraense, ou seja aquele que Eloy Iglesias e o Kaveira, principalmente,  faziam na Cidade Velha. Aquele em que blocos de mascarados eram acompanhados por uma bandinha tocando musica carnavalesca. Eles  chegavam na Praça do Carmo, esperavam os foliões e depois saiam pelas ruas do bairro alegrando a todos.
Essa atividade começou depois entrada e vigor da  Lei de criação da Fumbel, de  N° 7455 DE 17 DE JULHO DE 1989 a qual estabelecia que devia I – planejar, coordenar, executar, acompanhar e avaliar as atividades culturais e artísticas no Município de Belém...
Mais tarde veio a Lei 7.709 de 18 de maio de 1994, que  Dispõe sobre a preservação e proteção do Patrimonio Historico, Artistico, Ambiental e Cultural do Municipio de Belém e no seu Art. 2º estabelece que: Compete À Fumbel a implementação da politica de proteção e valorização do Patrimonio Historico Cultural e, no que couber, o disposto nesta Lei.
Em 2007 fundamos a Civviva e começamos a pretender mais respeito pela área tombada, pois o lixo ficava dias e dias pelas ruas, após os fins de semana carnavalescos. Outro problema era o fato dos foliões depois de dois copos de cerveja, usarem, mangueiras, muros e portas para fazer suas necessidades. Lembramos que eram as cervejarias que financiavam esse carnaval.
Pouco a pouco fomos conseguindo alguns êxitos e banheiros químicos começaram a chegar mas... os foliões não chegavam, em vez, até eles. Mangueiras, portas e muros continuaram a serem a meta dos bebuns.
Um belo dia mudou o governo e de repente apareceram quatorze trios elétricos, acompanhando pessoas com abadas de cada grupo, na Praça do Carmo, devidamente autorizados pela FUMBEL. A poluição sonora desandou.
Em cada canto da praça do Carmo um carro chegou e abriu seu bau e a musica axé, que nem faz parte da nossa memoria carnavalesca, tomou conta do pedaço. A ela se uniu a bateria de uma escola de samba, e assim um atrás do outro os trios elétricos deram inicio a poluição sonora em frente a igreja tombada do Carmo.
Agora não eram mais as cervejarias a financiar esse carnaval, mas a própria Fumbel, que em vez tinha como atribuição: III – Programar, executar e avaliar os serviços e atividades de guarda, conservação, manutenção e restauração do acervo museológico do Município e operacionalização pedagógica de oficinas de arte... entre outras coisas.
Os anos passavam, a poluição sonora aumentava e as reclamações dos moradores da área tombada, também. Várias tentativas de melhorar esse carnaval eram feitas sem discutir com os moradores ou seus representantes. Os proprietários dos blocos, nem todos da Cidade Velha, formaram uma Liga e a Fumbel esqueceu totalmente os representantes dos moradores.
Nos últimos dois anos os absurdos aumentaram naquelas ruas estreitas, Os moradores que podiam, fugiam  nos fins de semana para evitar o volume dos trios elétricos e a invasão  de pessoas que não tinham alguma preocupação com o Patrimonio Historico e que continuavam a fazer suas necessidades nos muros e portas das casas e igrejas.
Este ano, dia 12 de novembro recebemos um convite para uma reunião no dia 13 ...


 Aqui o vice presidente da Civviva, arquiteto Pedro Paulo Santos, nos conta, em poucas palavras como foi.
"A reunião foi convocada pela FUMBEL, e teve a presença de vários órgãos municipais, do IPHAN, dos representantes da Liga dos Blocos da Cidade Velha, de outros blocos de vários bairros de Belém, da CIVVIVA, e de outras entidades da sociedade civil. Começou cerca de 19h15 e terminou cerca de 21h10. A CIVVIVA foi representada pelo seu vice-presidente, Pedro Paulo dos Santos, e pela sra. Jacira Tavares, Secretaria-Tesoureira.

O presidente da FUMBEL, sr. Fábio Atanásio de Morais, começou sua fala esclarecendo que a reunião foi convocada para tratar exclusivamente do pré-carnaval no município de Belém, citando a Lei Municipal nº 9.306, de 02 de dezembro de 2017, uma vez que “reconhece como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Município de Belém, o Pré-Carnaval, e dá outras providências.” E assim, não seria apenas sobre os eventos no bairro Cidade Velha.  

Ao ser chamado, eu. Pedro Paulo apresentei-me, e expliquei sobre a atuação da associação. Em seguida, abordei três assuntos correlatos: 
(1) o acesso de moradores e de veículos de emergência; 
(2) a necessidade de que em todas as atividades do pré-carnaval sejam obedecidas as leis federais, estaduais e municipais pertinentes à salvaguarda do patrimônio cultural material; 
(3) considerando todas as implicações danosas resultantes de atividades que atraiam grande número de pessoas ao Centro Histórico, propuss que todo o movimento do pré-carnaval fosse transferido para a parte não tombada da Cidade Velha (av. Almirante Tamandaré).

Após minha exposição  o sr. Fábio, presidente da FUMBEL, informou da existência do Comitê de Gestão Integrada, composto por representantes de vários órgãos da Prefeitura Municipal de Belém, a quem cabe providenciar toda a logística relativa ao evento, inclusive o tema do acesso ao local do evento, de moradores e de veículos de emergência, durante os horários do pré-carnaval. O mesmo comitê também estaria responsável pela observância do cumprimento da legislação mencionada por mim. Quanto à proposta para mudança do local para a parte não tombada do Centro Histórico, não houve acolhida favorável.   

Vários outros participantes representantes da sociedade civil se manifestaram, pontuando sobre a poluiçao sonora; quem propos  fazer o pré carnaval em todos os bairro; quem  falou  dos decibéis;  das necessidades das pessoas idosas e muitas outras reclamações e sempre com uma intervenção esclarecedora do presidente da FUMBEL, sr. Fábio.

Houve a participação também de várias pessoas representantes de blocos de carnaval dos bairros Guamá, Maracangalha, Telégrafo, e Terra Firme, mas no convite ja estava claro  

Ao encerrar a reunião, o sr. Fábio, anunciou uma próxima reunião a ser realizada em local da Cidade Velha, em data a ser anunciada brevemente."

A estas alturas, que ja ficou claro que vai ser como nos outros anos e que o patrimonio vai sofrer como sempre, para que serve outra reunião? Com quem a Fumbel trabalhou para fazer esse programa "atendendo os interesses da cidade"? Cidade de Belém ou qual? Por que do Comite Integrado,  não fazem parte as Associações de moradores que ha anos defendem a área tombada? (gratis, acrescentamos) Com quem se confrontaram para "descobrir" o que acontece realmente? Tem alguem nesses Conselhos que vive na parte tombada da Cidade Velha para informar o que realmente se passa? São tantas as leis desatendidas que até entendemos porque os resultados não são os esperados.

Será que vão  entender que a função da Fumbel é principalmente a implementação da politica de  proteção e valorização do Patrimonio Historico Cultural ... e não o que vemos acontecer  ultimamente?
               

O nosso carnaval, nada tem a ver com essa manifestação que acontece nos últimos anos na Cidade Velha. Chamar o carnaval de "pre", o que significa, se não tem o "pos"? Isso não representa a nossa  identidade e ficaria muito melhor em outro lugar, assim a Fumbel não ia ser acusada de ajudar  a destruir o que restou do  nosso patrimônio histórico permitindo, inclusive, decibeis acima do que a lei nacional permite.


sexta-feira, 9 de novembro de 2018

PRECISAM DE ATENÇÃO E PROVIDENCIA...


MAIS UMA ESTÁTUA DESAPARECEU... A ULTIMA DA PRAÇA DO
  MERCADO DE S. BRAZ, ELE TAMBÉM ABANDONADO.


 ultima escultura de um conjunto de três, de autoria de Bruno Giorgi, feitas para homenagear Lauro Sodré, desapareceu ontem. Uma por uma delas, ao longo de alguns anos desapareceram de uma praça enorme e bem movimentada em S.Braz, vista a quantidade de onibus que lhe passam em frente.



Mais uma vez ficamos boquiabertos com o total desinteresse que nossos orgãos públicos, responsaveis pela defesa do nosso patrimonio historico, demonstram frente a esses repetitivos fatos deliquenciais.

Estes dias o IPHAN está, praticamente, em seduta permanente falando do nosso patrimonio. Veio gente até de fora para falar deleo. De fora= exterior, pois tem  um Seminario internacional “Gestão do Patrimônio Cultural do Norte”, neste momento tão inoportuno, talvez, visto o fato acima, mas quem ia pensar nisso?.

Tomara que encontrem um modo de defender o que sobrou da nossa memoria, porque a situação é verdadeiramente, além de penosa, vergonhosa...

No ultimo ano, esta Associação denunciou os problemas relativos ao patrimonio a tres orgãos diferentes e, além de falta de resposta, não vimos algum resultado concreto...

A poluição sonora, paralelamente ao abandono, o vandalismo e aos furtos, é um dos motivos de reclamações que não obtém alguma atenção dos orgãos contactados... e o resultado é o que vemos

Palacete Bolonha 

Casa de um dos fundadores da PRC5

Casa da praça Ferro de Engomar 


Uma das tantas casas comuns...

Solar da Beira

Igreja das Mercês
Prefeitura

Capela Pombo

Tv. Tomazia Perdigão

Porto do Sal


Esse enesimo furto, neste momento,  serve como exemplo do nivel de abandono dos bens públicos de todos os tipos.

FUMBEL, IPHAN, MPE, MPF, GNPP, OAB, ETC, são orgãos que deveriam cuidar desse patrimonio. 
Muitos, não é? para não darem conta do recado...

Que pecado.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Aos 'lutadores' de ultima hora...


Ha alguns anos estamos 'lutando' pela Cidade Velha.
Sabendo que do céu  so cai chuva, nos armamos com nossos direitos cidadãos e fomos a luta.
Não esperamos que as coisas piorassem, nem que aparecesse algum 'temerario salvador' pára nos instigar com metodos anticonvencionais ou antidemocraticos, para que tivessemos coragem de tentar melhorar nossa realidade.
Pegamos a Constituição e ...

Em novembro de 2006 começamos a 'fundar' a Civviva, que acabou sendo registrada em Cartório no dia 12 de janeiro de 2007. As nossas primeiras providências ficaram escritas nas notas que mandamos ao PREFEITO E A GOVERNADORA em data 25 e  26 de janeiro de 2007.
Em menos de tres dias recebemos resposta do prefeito Duciomar prometendo providências, que não vimos. Escrevemos novamente..., depois agradecemos as providencias tomadas e demos algumas sugestões.

Oficio n. 08/07 Belém, 12 de março de 2007

Exmo Sr.
Dr. Duciomar Costa
M.D. Prefeito de Belém

Senhor Prefeito,

Relativo ao nosso oficio protocolado dia 25 de janeiro com n. 2007/001019400, viemos com a presente informar que, mesmo não tendo recebido a prometida resposta aos nossos quesitos (vide V. n. 0469/2007), vimos que providências, para alguns deles, foram tomadas.

Neste ultimo fim de semana (9 e 10/03), a Praça do Carmo e arredores receberam a eficaz visita da CTBel e de agentes de outros orgãos. Já na semana anterior tínhamos acompanhado e regojizado com as ações feitas nas Praças Felipe Patroni e D. Pedro II. Não somente nós, mas os motoristas de ônibus e de táxi, também.

Queremos, portanto, com a presente, agradecer tais louváveis medidas que vão ao encontro dos pleitos por nos solicitados. Aproveitamos a oportunidade para sugerir que tais ações se repitam outras vezes, pois hoje já vimos filas duplas em frente ao Tribunal.

Pensamos que um processo educativo seja necessário a fim de lembrar e também demonstrar aos cidadãos, que as leis não existem somente no papel e que devem ser respeitadas por todos.

Nós amamos a Cidade Velha como amamos Belém.

Respeitosamente

Dulce Rosa de Bacelar Rocque
(Presidente CiVViva)

Esse foi o metodo escolhido. Nada de pedidos a amigos ou politicos, mas cartas protocoladas e dirigidas a quem tem obrigaação de fazer algo pela cidade e pelo cidadão.  Acreditando na Democracia, notamos, ao onsistir, que o coloquio que se iniciou com essa nota, visto o aumento dos nossos pleitos, pouco a pouco se transformou num...soliloquio, independentemente de quem estava na Prefeitura.

Os anos passaram, os problemas se aprofundaram e aumentaram em vez de serem resolvidos, e nós continuamos lutando com quem quer que esteja na Prefeitura, de qualquer partido ele seja. 

Damos esta informação aqueles 'lutadores' de ultima hora, que descobriram agora, bem ou mal, que a democracia e nossos direitos devem ser defendidos... como fazemos nós da Civviva, diariamente, não somente as vesperas DE ELEIÇÕES....e sem algum interesse monetário.

Vistas as agressões de vários tipos que estamos tendo, achamos justo que saibam que não começamos agora a lutar e nosso objetivo não é uma pessoa ou um partido, mas o coletivo e nas formas de lei, portanto seguindo as regras democraticas....


PS: este blog testemunha o que pedimos, solicitamos, reclamamos, denunciamos e algumas vezes até agradecemos, desde 01 de outubro de 2007. Tenham presente isso



terça-feira, 30 de outubro de 2018

Aniversario do Landi... Antonio Giuseppe.


Este meu artigo foi publicado na revista da Região Emilia Romanha, na Italia, em 2003. 
O titulo que eu tinha escolhido era O Bibiena do Equador, mas quem sabe porque preferiram os Tropicos.


O BIBIENA DOS TRÓPICOS

Entre os muitos e ilustres Emiliano-romanholos que escolheram um país estrangeiro como segunda pátria, tem um que é muito conhecido longe da Italia e da sua cidade natal, Bolonha. Estou falando de  Giuseppe Antonio Landi, nascido em Bolonha dia 30 de outubro de 1713, filho de Carlo Antonio Landi, dotor em Filosofia e Medicina e docente de Logica e Filosofia n Universidade, e de Antonia Maria Teresa Guglielmini. Aluno predileto de Fernando Galli Bibiena na Academia Clementina, vamos encontra-lo em 1745 na direção da seção de Arquitetura, sem nem sonhar com o que lhe aconteceria dentro de poucos anos..

A  Historia da sua vida vai se cruzar com as questões das colônias ultramarinas espanholas e portuguesas quando em 1750 o Tratado de Madri, para poder  por ordem na briga entre esses dois países, decide a constituição de Comissões bilaterais. Tais comissões deveriam estabelecer as fronteiras daquilo que deveria ser o território português no Novo Mundo. Portugal, porém, se encontrava em sérias dificuldades pois não encontrava os técnicos necessários a causa da Inquisição que tinha desmantelado suas melhores escolas, até a de Sagres.

O carmelita descalço João Alvares Gusmão foi então encarregado pela Coroa portuguesa, de recrutar ‘católicos’ pra a Comissão portuguesa. De modo claro  seus superiores lhe ordenaram de excluir “espanhóis, franceses e holandeses, e também ingleses, so se fossem católicos”, assim como “napolitanos, sicilianos, parmenses, porque súditos da Espanha”.  A frei Gusmão só sobrava a peninsula itálica pra procurar o pessoal que precisava e ai lhe sugerem como áreas próximas aos interesses portugueses aquela de Roma, Milão, Veneza, Florença, Bolonha e Pádua.

É com estas indicações que frei Gusmão chega em Bolonha para contratar Antonio Giuseppe Landi como desenhador de mapas da Comissão de Demarcação das Fronteiras entre as terras descobertas por Portugal e Espanha nas Indias Ocidentais. Os outros membros foram encontrados em Mântua, Gênova, Milão, Basiléia e eram matemáticos, geógrafos, astrônomos, médicos e engenheiros. Esta mistura de competências técnicas desperta dúvidas sobre as verdadeiras intenções do governo português, o qual mantinha em segredo tudo quanto se relacionava a Comissão. Corriam vozes que a verdadeira razão daquela operação era a transferência da Corte para a colônia, ou seja, para Belém. A situação politica da Europa de então era tal que Portugal, tão pequeno,  se sentia ameaçado pela vizinha e potentíssima Espanha.

A morte do Rei de Portugal adia a viagem para o Brasil dos membros da Comissão, os quais chegam em Belém, na Amazônia, somente dia 19 de julho de  1753. Ali, novas dificuldades levam a adiar a viagem em direção a Mariuá, lugar escolhido para o encontro das duas Comissões. Landi, porém não consegue ficar parado e começa a ajudar Brunelli, o astrônomo, nas medições  resultantes da observação da lua. Para combater a  ociosidade  dos “engenheiros”, como eram chamados os membros da Comissão, o Governador do Grao Pará, Mendonça Furtado, decide ocupa-los com os mais diferentes tipos de trabalho. Alguns tiveram que reproduzir a planta da cidade de Belém. Landi, em vez, vai ajudar na decoração do altar mor da igreja de Sto.  Alexandre.

 Tem inicio desse modo o trabalho de Landi  na Amazônia.



UM ARQUITETO NA FLORESTA

Nos dois anos que passa a Mariuá esperando a chegada da Comissão Espanhola, se ocupa em reproduzir com o desenho e a catalogar a flora e a fauna local da qual descreve o habitat; projeta o sepulcro da capela de Santana em Barcelos, encarregando-se, inclusive, da pintura da mesma; projeta o pelourinho, a igreja e o município de Borba-a-Nova.

Aquela permanência em Mariuá permite ao Governador de aprofundar  o conhecimento dos membros da Comissão, dos quais tinha pouquíssima estima. Somente Landi não evitava o trabalho naquelas zonas quentes e úmidas que derrubavam os outros europeus. O seu espirito empreendedor chama atenção do Governador que, assim  o escolhe como primeiro habitante  branco da vila de Borba-a-Nova, onde lhe presenteia uma casa “para viver com sua futura esposa”. E la se vai o Governador procurar esta esposa para ele, encontrando-a, finalmente, entre as filhas do Capitão mor João Baptista de Oliveira.



Dois anos depois a Comissão volta para Belém sem ter encontrado aquela espanhola. O aluno do Bibiena volta ao trabalho: desenha mapas e estuda a natureza, mas, principalmente, começa seriamente a fazer o arquiteto, sem desprezar os seus ‘negócios’.


Em 1757 faz a primeira visita a Igreja da Sé, em construção, que, depois,  será concluída por ele. Em 1759 dirige um cerâmica que produz telhas,  tijolos e vasilhame de barro, produtos esses inexistentes no mercado depois da saída de cena dos Jesuitas,  expulsos do pais pouco antes. No mesmo ano, por ocasião do envio à Corte Portuguesa do primeiro projeto do Palácio dos Governadores de Belém, Landi foi reconhecido e proposto como arquiteto.


Em 1760 foi chamado para organizar a parte cênica da festa do casamento da princesa D. Maria com o Infante D. Pedro. Traz nessa ocasião para a zona equatorial as tradições bolonhesas. A cultura Felsinea entra contemporaneamente nas formas e nos materiais usados na Igreja de Santana, quando Landi, devoto dessa santa, depõe a primeira pedra.


As controvérsias, porém, entre Portugal e Espanha não tinham acabado. Em 1761, o Tratado do Prado estabelece a desmobilização das comissões e Landi tinha que voltar para Lisboa. O Governador não concorda com tal pedido e solicita a sua  permanência no Brasil alegando, além do casamento (que desta vez se realiza realmente com a filha de João de Souza Azevedo) a ocupação de Landi  numa série de trabalhos que tinha iniciado.

Enquanto espera a resposta, Landi projeta o Armazém das Armas e trabalha na futura Catedral, desenhando o retábulo do Santissimo; inicia a reconstrução da Igreja de Santana; assume índios para recolher fruta e especiarias para mandar para Lisboa. Em 1762 dirige a reconstrução da Igreja do Carmo e inicia a construção da Capela de Santa Rita no oratório do Carcere de Belém. Pede permissão  para construir um forno  na fazenda Murutucu, a qual acaba comprando em 1766. Recebe, então, a patente de Capitão.


Somente em 1763 chega a autorização da Corte para que Landi ficasse na Amazonia. Em 1768 inicia a construção de um quartel, ao lado do Palácio dos Governadores e  o Hospital Real na praça da Catedral (onde hoje temos as 11 janelas). Em 1769 inicia a construção daquela que será a sua obra prima, a capela de S. João Batista e de um outra capela destinada a sepulcro, no convento de Santo Antonio. Em 1780 o encontramos plantando cacau e produzindo cachaça ajudado por escravos, mas acaba por contrair dividas com  a Companhia Geral do Grão Pará.



Mais uma vez os desentendimentos entre Portugal e Espanha atravessam sua estrada. Com a entrada em vigor do Tratado de Santo Ildefonso (1777) uma Segunda Comissão de Demarcação das Fronteiras deve ser formada. Landi parte novamente como desenhador de mapas em direção do rio Negro, onde, em 1787 adoece gravemente; já no ano seguinte está de volta a Belém. Morre na sua fazenda Murutucu dia 22 de junho de 1791. Foi enterrado, como de costume na época, na igreja de Santana, a sua preferida.

Nunca voltou a Bolonha, e talvez por isso tenha sido esquecido. A sua arte se encontra toda em Belém do Pará. Na casa onde ele nasceu, na Via Brocaindosso, consegui colocar uma placa recordando que “a sua obra arquitetônica, cujos magnificos exemplos se encontram em Belém do Pará, é patrimônio da cultura brasileira”.


Dulce Rosa de Bacelar Rocque

Anos depois da publicação deste artigo, sempre a Região Emilia Romanha lançou um DVD sobre sua vida,  ao qual colaborei não somente como tradutora, e onde se encontra, inclusive, este artigo.  Na ocasião, para o DVD foi usado o nome do artigo que não tinha sido usado em 2003: LANDI IL BIBIENA DELL'EQUATORE.



terça-feira, 16 de outubro de 2018

CIRIO 2018


Este ano a Segup percebeu que o Círio de Nazaré registrou um milhão cento e sessenta mil pessoas em seu percurso e nas ruas adjacentes ao seu trajeto. Isso representa 290 mil metros quadrados de área ocupadas por fiéis no corredor da procissão e nas transversais.

 Já a trasladação, no sábado (13), superou o número de pessoas no Círio, registrando um milhão e trezentas mil pessoas no corredor da procissão e nas vias paralelas ao entorno do corredor principal.

Desse jeito, brevemente, o Cirio verdadeiro vai mudar de horário. O calor está, pouco a pouco, levando mais romeiros para a Transladação.


   AS FESTAS RELATIVAS AO CIRIO, COMEÇAM NA SEMANA ANTERIOR A ELE... principalmente na  CIDADE VELHA, de onde saiu a primeira procissão de velas em fins de 1700.




A quantidade de orgãos publicos importantes  leva muitos romeiros as peregrinações que a Santa faz pelo bairro....e pelo Veropeso. 

Depois, temos na noite da sexta feira, o Auto do Cirio que, com milhares de pessoas  saindo da Pça do Carmo, subiu aDr. Assis, parou na igreja da Sé para a exortação da Virgem; seguiu para o IHGPa para a coroação das Marias, parou no MEP para a oração da Paz e fez sua apoteose entre os dois palacios antigos da Praça D. Pedro II.

No dia seguinte, tivemos a Romaria Fluvial, a qual, ao terminar, dá inicio o Arrastão do Pavulagem até a Praça do Carmo.



E começa a moto-romaria.


Mais para la da Boulevard Castilhos França,  milhares de 'foliões/romeiros' acompanham o Pavulagem do Ver o peso até a Cidade Velha, e passam parte da tarde do sábado a dançar na Praça do Carmo...



E é a hora da chegada da Transladação na Praça da Sé e os preparativos finais para o Cirio.

As 07h da manhã o cortejo ja se encontrava na Doca do Veropeso com seu  milhão de romeiros... descalços.


e, depois de passar sob o tunel das mangueiras e pela avenida Nazaré, ela chega na Praça Santuario....


E todos vão para casa comer nossos pratos tradicionais,  de origem indigena: pato  no tucupi e maniçoba, com doce/torta de cupuaçu/bacuri como sobremesa.

Tudo deu certo.
  Merecem um especial agradecimento aqueles que cuidaram da nossa segurança. Eram mais de 8.000 pessoas, entre militares e civis, ocupados nesse trabalho.

Agradecemos também OS FOTOGRAFOS QUE NOS PERMITIRAM FAZER EStA COLETÂNEA; 

 CONSEGUIMOS INDIVIDUAR OSMARINO E FERNANDO. PARABÉNS PELO TRABALHO.


segunda-feira, 15 de outubro de 2018

O suicídio do fotógrafo Felipe Augusto Fidanza


Não tem nenhum motivo especial para fazer está homenagem ao fotografo Fidanza, somente a descoberta de um site de onde reproponho este artigo:

O suicídio do fotógrafo Felipe Augusto Fidanza (c. 1847 – 1903)

http://brasilianafotografica.bn.br/?p=4274#comment-53608


Aconselho a leitura do artigo acima. Nos conta algo da vida do fotografo Fidanza que teve seu studio, na Pça das Merces, no inicio da atual rua Sto. Antonio.
 "Até hoje pouco se sabe de sua vida antes de sua chegada ao Brasil, em fins da década de 1860. Em 1º de janeiro de 1867, o Diario do Gram-Pará publicou o anúncio : “PHOTOGRAPHIA, ao largo das Mercez , nº. 5, Fidanza & Com”, o que prova que nessa época ele já estava estabelecido no Pará. 

Não se sabe o motivo do seu suicidio, jogando-se do navio que o trazia com a familia para Belém, em 1903. Sabe-se porém que,  "Cinco meses após sua morte, seu estúdio foi leiloado por sua viúva. Teve diversos proprietários, dentre eles os sócios Georges Huebner (1862 – 1935) e Libânio do Amaral (?-1920).  Segundo o jornalista Cláudio de La Rocque Leal, o estabelecimento fotográfico sob o nome “Fidanza” fez parte da história até 1969. "


1875 porto de Belém

Depois de ver suas fotos, me se confirmou a ideia de que a fotografia apareceu, também, para colmar um vazio que existiu até meados de 1800, relativamente aos não nobres; aqueles que não galgavam as altas esferas; aqueles que faziam trabalhos não considerados dignos de relevo, mesmo se eram a base da sobrevivência . .. dos outros.

Ver as fotos que Fidanza fez de tanta gente simples, me fez vir em mente uma palestra que assisti em Bolonha de um luminar da arte, que não lembro o nome porém, somente que era bolonhês, e morava na Estrada Maggiore, num prédio de 1300...

Ele falou da mudança de ‘personagens’ e ‘ambientes’ nas pinturas do século XIX. Mostrou uma das primeiras pinturas italiana que mostrava a vida fora dos muros de Bolonha, na rua, não em um jardim bem tratado ou numa floresta privada... Ninguem importante aparecia no quadro. Tudo acontecia num terreno baldio, do lado de fora da cidade, onde os ‘personagens’ trabalhavam ao ar livre e algumas crianças brincavam...

Essa imagem me veio em mente, pois ele disse também que os pintores eram contratados e viviam a vida inteira em casa de ricos e/ou nobres, para pintar a família em diversos momentos de suas vidas e idades. Não é que existiam lojas de quadros, mas ateliers, sim. Lembrei logo do Landi que tinha uma vontade enorme de encontrar um trabalho assim, e não conseguiu nem aqui... daí transferiu seus interesses para o que dava dinheiro.

Vi paisagens sem muitos atrativos para aquela época, mas que para nós, hoje, contam  por   exemplo, como era o Murutucu, que foi de Antonio Giuseppe Landi.

187? Engenho de açucar do Murutucu


187? Olaria do Una

Lembrei também da quantidade de quadros que vi nos vários museus que visitei pelo mundo afora, pouquíssimos dos quais não eram poses de ricos e nobres, a cavalo, ou a pé; sentados ou em pé.  Até então os pintores ousavam, ao máximo, retratar bebuns em mesas de bar, ou pouco mais, quadros esses, porém, bem pouco representativos para a sociedade da época  para serem vendidos facilmente. Hoje tem valor pois podemos ver os costumes e, inclusive comportamentos e a roupas de uns e de outros.

Fidanza fotografou tipos sociais diversos.”  De fato vi as fotos de mulatas, índios, negros, cafuzos, enfim, fotos de ilustres desconhecidos, de quem fazia os trabalhos pesados. Serviam para cartões postais, pois: “Para tornar essas fotografias, que vendia, exóticas, utilizava adereços e construía cenários”.














“Destacou-se por sua produção de retratos e também pelo registro das paisagens e documentações do início do desenvolvimento urbano de Belém e de Manaus, ocasionado pela riqueza do ciclo da borracha. “



  




















Vale a pena ler esse artigo.  
http://brasilianafotografica.bn.br/?p=4274#comment-53660

 A nossa pintora Feio, também deixou alguns quadros de gente do povo, de trabalhadores de sua época... e são lindos como as fotos do Fidanza. ESTÃO NO ARQUIVO DO MABE.