segunda-feira, 17 de agosto de 2015

A CASA DAS 11 JANELAS...e seu boteco


Uma das casas mais antiga de Belém, é aquela construída no inicio de em 1700, por um Bacelar, proprietário de um engenho de açucar. Está situada a beira do rio, e dividi as honras da Praça Frei Caetano Brandão com outras construções antigas como o Forte do Presépio,  a Catedral e Sto. Alexandre.
O governo do Grão Pará a compra em 1768 e a transforma em Hospital Real. Funcionou como  tal até 1870 e depois teve outros usos, até que a reencontramos como sede da 8a. Região Militar abrigando, inclusive, presos politicos durante a ditadura.



Após uma "revitalização" feita  na casa e seu entorno, nasce o Espaço Cultural Casa das Onze Janelas e vários museus. Tem inicio também o uso de boa parte do andar terreo por um boteco barulhento, .alias, de um lado estava o boteco e do outro,  uma sala de exposições.



..

Tal 'Boteco' tinha uma casa alugada na Cidade Velha para os garçons importados de Pernambuco. A música das Bandas que ali tocavam, era altissima, ajudando a trepidar o prédio, além de impedir os clientes de conversar.

De repente, o contrato de aluguel terminou e não foi renovado, o que provocou algumas diatribas e notícias contrastantes.  Uma delas falava  de uma escola de gastronomia....num local onde se encontram museus e salas de exposição? Pensamos que seria melhor usar a belissima cozinha do Hangar e dar outro uso a tal área, mais afim com o turismo.

Como  a poluição e a falta de estacionamento são problemas que esta Associação contrasta,  achamos por bem pedir informações diretamente ao orgão responsavel por tal local e assim, dia 07 de agosto  2015 protocolamos na Secult uma solicitação baseada na Lei de Acesso a informação pedindo: "que disponibilize cópia integral do projeto de uso do espaço que era ocupado pelo restaurante Boteco das Onze, que faz parte do complexo Feliz Luzitânia, ligado ao Sistema Integrado dos Museus, administrado pela Secult-PA, para implementação de uma escola de gastronomia".


No dia seguinte as 15 horas, recebemos  resposta, informando que: "...ainda não foi estabelecido nenhum procedimento licitatório ou dispensa do mesmo, em relação ao uso do espaço antes ocupado pelo restaurante "Boteco das Onze", na medida em que tanto o espaço em seu interior quanto em seu entorno, necessitam de serviços de recuperação, cujos projetos serão executados no momento oportuno e implementados de acordo com o cronograma orçamentário e financeiro do Estado."


A essas alturas, ficamos aguardando tal momento oportuno para saber o que vai ser feito ali.


PS: hoje é o dia do Patrimônio Histórico.  Quem lembrou?




sábado, 25 de julho de 2015

O INCENDIO DA SANTO ANTONIO

Choque, foi o que causou aos apreciadores do nosso patrimônio, o incêndio dos prédios de fins do sec. XIX, da esquina da Leão XIII e da  Sto Antonio .              

Poucos interessados no argumento deram opiniões; UMA POR TODOS a manifestação de dor e tristeza da Rose Norat. Ela trabalha, ou luta, tentando defender essa nossa memória histórica, ha anos. Lembra de vários outros incendios e demolições e se sente impotente e triste, como aqueles que chegaram depois dela. Dividimos essa tristeza com ela.


A  palavra a quem tem todo direito

"Demorei um pouco para me manifestar sobre o incêndio que acometeu dois imóveis da Santo Antônio com a Leão XIII. Não quis ir ao local. Talvez porque dessa vez eu esteja sentindo uma frustração muito maior do que antes. Quantos incêndios, desabamentos já acompanhei de perto? Conheço a lógica inclemente dos incêndios e o processo que os acompanha. As chamas queimam tudo que pode entrar em combustão, até a última cinza. Os focos e rescaldos ocorrerão por 2, 3 dias. Durante o auge do incêndio os bombeiros jorrarão nas paredes litros e litros de água em alta pressão. As paredes se encharcarão, a dilatação dos materiais pela ação térmica, fogo e água será o veneno mortal pra quem jazia agonizante, abandonado, ou subutilizado. Nos dias seguintes discutirão um possível escoramento, algo desesperado para salvar “alguma coisa”, o que for possível. Mas o estrago estará feito. Poderá se salvar uma “lasquinha” do que foi o imponente volume construído.

 Lembrei nesses dias do incêndio da então Motogeral, hoje sede do Fórum Landi, na Praça do Carmo. Assistimos à noite, em cadeiras de praia. Foi um “acontecimento” na Cidade Velha. Nem sabia o quanto eles me acompanhariam ao longo da vida como arquiteta da área de patrimônio: Casa Chama no Mercado de Carne, vários na João Alfredo, Sto. Antônio e arredores, Av. Portugal com 13 de Maio, na esquina oposta na Leão XIII com a Gaspar Viana, esse em particular há exatos 10 anos atrás, num dia 25/07/2005. Depois virão as reuniões entre Corpo de Bombeiros, órgãos de preservação, a Defesa Civil, os lojistas. Serão realizados relatórios, irão buscar as estatísticas dos incêndios. Diretrizes serão tomadas para evitar novas ocorrências. E assim como a fumaça cessará, o tempo se encarregará de abafar o caso. Até que outro ocorra. E a história dura, repita-se como que dizendo: eu avisei, vocês não quiseram mesmo ouvir (odeio essa frase!!) ... Então chorem pelas cinzas que jazem no chão. Os despojos serão jogados em caminhões de entulhos, alguns serão “resgatados” pelos que se interessam pela preservação e memória, ou pelos que fazem dela um comércio paralelo. 

Por que dessa vez não quis ir ver? Chorar ao vivo pelo “morto”? Talvez porque dessa vez o “luto” foi menor que a minha frustração pessoal. A antiga farmácia era linda, tinha até certo tempo o mobiliário de época completo. O da esquina compunha com o vizinho oposto uma das vistas mais bonitas e imponentes do centro histórico de Belém. Pisos ladrilhados ou em acapu e pau amarelo, forros em madeira trabalhados, até elevador tinha. Fachada azulejada. Alto, vistoso não se acanhava perante o vizinho suntuoso logo ali em frente: o Paris N´América. De tão belos, não disputavam, mas harmonizavam-se de tal maneira que cansei de circular por aquelas ruas e admirar-lhes a beleza. Não à toa, fazia parte da minha pesquisa de mestrado sobre a reabilitação de áreas históricas por meio da moradia. 

Desde o início dos anos 2000, a Prefeitura por meio de várias secretarias como a FUMBEL, SEHAB, CODEM, SEGEP, SEFIN, SECON, entre outras trabalharam com a CAIXA e com a consultoria de técnicos franceses em estratégias de reabilitação urbana por perímetros integrados, dos quais a habitação era uma das principais diretrizes. Não conseguimos avançar para além do Justo Chermont, uma edificação comercial transformada em residencial multifamiliar. Mas embora os projetos para as edificações históricas tenham se mostrado viáveis não foram para frente. Segui em frente com outros colegas da área, levando a ideia, ampliada e repaginada para o Estado. Fui diretora nas áreas de patrimônio histórico da SECULT e eu, sinceramente, pensei que seria dessa vez. O Estado tinha mais recursos que a Prefeitura, contava com a COHAB e eu realmente acreditava que iríamos seguir adiante. Além das edificações pensamos em um projeto de recuperação urbana completo por um trecho importante e degradado que ia desde o Boulevard Castilhos França até a Santo Antônio e tinha na Leão XIII e arredores o foco principal de investimentos: recuperação de calçamentos, as vias e seus paralelepípedos, a fiação subterrânea, troca de sistema de iluminação e postes, acessibilidade e o fomento à habitação nos pavimentos superiores de edificações subutilizadas ou abandonadas, comércios e serviços afins nos pavimentos térreos. As estratégias legais estão postas no PDM e até chegamos a “desapropriar” os imóveis. A intenção era que essa primeira etapa de uma intervenção ampla no tecido urbano, que tinha na moradia uma das políticas principais de reabilitação da área, aliada a outros usos como comércios de apoio, além do foco social que estimulava qualificação de mão-de-obra para o restauro e outras atividades que incorporassem os moradores/usuários da área, seria o pontapé inicial para que outras ações subseqüentes ocorressem e atraíssem o investimento privado. Conseguimos um convênio com o Ministério das Cidades para essa primeira etapa e já articulávamos outras estratégias com o Ministério do Turismo. A contrapartida de 10% do valor, pouco mais de R$300 mil não foi liberada. Nunca pagaram as desapropriações. Senti-me incompetente por não conseguir convencer os gestores da importância do projeto. Lembrei ainda do recurso de R$240 mil para a prefeitura elaborar o Plano de Reabilitação do CHB. Esse estava em caixa. Foi devolvido e o plano e atualização da gestão municipal não foram adiante.

 Essas frustrações técnicas rivalizam com a derrubada do muro do Forte que perdeu o foco e virou disputa política. Uma pena, pois quando a política entra no circuito tudo perde sentido, ou melhor, toma corpo e forma que eu não consigo compreender e acompanhar. Lembrei também, de que um dos herdeiros do imóvel, que sempre conversava conosco, discutia às vezes é verdade, mas sempre foram muito respeitosos, ao me ouvir falando novamente do projeto, do potencial do imóvel, de como seria a estratégia de reabilitação urbana e como eles podiam investir no imóvel nos pavimentos superiores me disse que o faria sim, desde que “começasse a ouvir o soar dos martelos”. Eu, ingenuamente, disse que aguardasse. Talvez isso me doa tanto. Porque hoje se ouve apenas o barulho dos escombros ruindo, o estalar seco da madeira queimada. Ah, como eu sei esses caminhos. Penso agora no Pinho, no desabamento durante as obras de recuperação, na reconstrução da área perdida e como, até o momento, está sem uso, fadado novamente a ruir caso não mudem de imediato essa trajetória. 

Uma amiga esses dias disse-me que estou ficando ranzinza e rabugenta. Acho que ela tem razão. Não me falaria se não fosse verdade. Acho que estou naquela fase da vida que não posso mais ser tão ingênua e acreditar no mundo e nas pessoas, sem saber que nem sempre será como eu imagino ou gostaria que fosse. E isso é duro, porque a realidade muitas vezes é fria e cortante. E queima. Mas aí eu, que tenho um fio de esperança remoendo minha alma, resolvi então postar não as fotos dos escombros ou incêndio, mas tudo que ele representava: a fachada azulejada, os pisos e forros de madeira, o conjunto que formava. Para que isso? Para que inspire outros jovens, outros proprietários, e quem sabe algum gestor público, pois não podemos esmorecer mesmo que mais essa perda, dura, tenha ocorrido. 400 anos, não são 4 décadas, ou 4 dias. São 4 séculos de histórias e memórias, de vidas e também de esperança de que dias melhores poderão vir. E virão!(?).
Roseane Norat

Santa Maria de Belém do Grão Pará, 25 de julho de 2015.


segunda-feira, 6 de julho de 2015

...MAS A COMISSÃO 400 ANOS, PARA QUE SERVIU?


VAMOS FALAR MAIS  UMA VEZ SOBRE A PREPARAÇÃO DO ANIVERSARIO DE BELÉM.

1- No inicio de 2014 o Sr. Prefeito de Belém deu posse a umas 40 pessoas que fariam parte da Comissão dos 400 anos, mas com o tempo,  ela continuou crescendo.   

Ela  foi  subdividida  em  outras,  menores,  as sub-comissões  que deveriam ter começado logo seu trabalho de proposição de eventos para  as comemorações do aniversário de Belém. Em agosto 2014 terminaria o prazo dado para a apresentação das propostas e pouco ou nada aconteceu no meio tempo, de concreto.
Em janeiro 2015 recebemos do Sr. Prefeito a relação dos propostas apresentadas pelas poucas comissões que se dignaram a opinar sobre o argumento. Ele nos pediu considerações  e sugestões, coisa que fizemos  e protocolamos na Prefeitura no  inicio de fevereiro. (Quem quiser detalhes sobre o argumento,  procure no blog http://laboratoriodemocraciaurbana.blogspot.com.br/  a nota publicada na quinta-feira, 2 de abril de 2015: Questão de Transparência )

2- Em maio deste ano, em surdina, foi criado um "Comitê Belém 400 anos" para cuidar dos 'festejos para os 400 anos de Belém". Pouco dias depois da sua criação, chegou as nossas mãos uma outra relação de propostas, muito mais completa, pois ali estavam todas as secretarias que não apareciam na precedente  relação que o Prefeito tinha nos dado para opinar. Nesta, tinham também as ações que ficariam em mãos do neo-Comitê e incluia até "custos". 

Notamos que mais da metade das proposta dessa relação, porém, não tinham passado pelas Comissões. Eram proposições completamente novas e nos interrogamos se era regular esse comportamento. Para que serviu a Comissão criada no inicio do ano passado, então? Desse jeito, quando é que vão fechar a relação de projetos para esse aniversário? E a aprovação por parte dos cidadãos, quando vai acontecer? Cadê a transparência? Cadê os Vereadores? Será que  receberam ao menos uma copia do que foi proposto pelas sub-comissões?

3 - Ao dar posse a Comissão dos 400 anos o Sr. Prefeito fez questão de ressaltar que "as competências das Secretarias não deveriam entrar no rol de projetos das sub-Comissões." Vimos, porém, que as ações propostas não respeitavam essa condição colocada pelo Sr. Prefeito. De fato...

4 -A  SEMMA, por exemplo, propunha, entre outras coisas:
- a "poda das árvore e retirada das ervas de poassarinho..." por um custo estimado em R$ 822.568,000; 
-  um tal de "florir Belém" por R$ 1.066.561.64, criando uma Rota das Flores seguindo ciclovias e ciclofaixas; 
- um mapa de "Arborização de Belém", ou seja, praticamente a criação de um banco de dados para elaboração de um inventario da arborização de Belém e seus Municipios a um custo de R$ 283.433,00;
- a Revitalização do Parque Ecológico Gunnar Vingren, por R$ 2.500.000,00...
Temos que perguntar: quais dessas propostas não fazem parte das competências da Semma?

5 - A Fumbel, também extrapolou nas suas propostas, inserindo pontos que não foram apresentados na subcomissão "Educação, Arte, Cultura, Historia e Memória". Alias, aqui a Cidade Velha, principal a niversariante, foi completamente ignorada, pois todas as propostas que fizemos foram canceladas. Apareceram, porém:
- R$ 300.000,00 para  grafitarem pontos estratégicos escolhidos pela PMB, que esperamos tanto não sejam na Cidade Velha, pois isso não faz parte da memoria que as leis querem salvaguardar;
- para as escolas de samba falarem dos 400 anos, porém, foram previstos apenas R$150.000,00. Será para cada escola ou para dividir entre elas????.
- e um "concurso  nacional de quadrilhas juninas" pela bagatela de R$ 3.000.000,00. Será que todas as cidades do Pará estarão presentes?
- o Relógio digital com contagem regressiva,  que tinha sido cancelado na Sub -comissão, reaparece com um  custo  de R$ 300.000,00;
- a programação cultural que iria de 31/12/2015 até 31/01/2016, a ser feita junto com a SEJEL/COMUS,  assim como o que iriam fazer no dia 12/01,  não individuava o custo nem as ações, assim como o de muitas outras propostas, mas tem uma:
- exposição cultural por R$ 500.000,00;
- a Bienal das /Artes por R$ 3.000.000.00
- e a incrivel proposta de consultoria italiana para preparar normas e regulamentações relativamente a captação de recursos para proteger nosso patrimônio histórico e cultural. (Será que o consultor fala portugues? ou ainda tem-se que pagar a tradução?). Parece presente de grego.

Enquanto faziam essas propostas,  o Conselho do Patrimônio (Monumenta-Funpatri)continuava, ha quase um ano, a esperar sua posse...

6- A Secon aparece com um Festival do Açai por R 300.000,00, entre outras propostas....

7 - Os quiosques da Belemtur sairiam por R$180.000,00, um festival de cultura itinerante por R$ 420.000,00 e o  pórtico no aeroporto sairia por R$ 280.000,00.

8- Livros a serem publicados sem que se  saiba  por que,  qual seu objetivo ou como foi feita a escolha, também fazem parte de tal relação. 

9 - Outras propostas de "amigos" e aquelas com seus custos relevantes, deixamos de lado, além de muitas outras que nem custo tinham.

Francamente, lembrando o discurso inicial do Prefeito que dizia não ter fundos para muitos gastos, essa relação é uma verdadeira desmentida. Lendo-a, somos obrigados a perguntar: para que serviu a constituição da Comissão 400 anos, se, por fora, triplicaram as propostas incluindo até o que é de competência das Secretarias?

Faltam seis meses para os 400 anos de Belém e não sabemos o que vai ser feito, muito menos quanto custará e de onde virá esse dinheiro. A lei da Transparência continua a ser ignorada, assim como a Constituição também, quando fala da 'participação da comunidade'.

Estamos ansiosos para saber o que mais acontecerá depois da nomeação da firma que fará outros projetos, que nem aparecem nas relações precedentes.





sábado, 27 de junho de 2015

ARRAIAL DO CARMO


É com grande satisfação que convidamos a todos para a primeira festa junina organizada, em parceria, pela CIVVIVA e as organizações presentes na Praça do Carmo, ou seja: o Centro Cultural do Carmo, inaugurado no segundo semestre de 2014 e a novissima Associação  dos Micorempreendedores da Alameda do Carmo.

É HOJE: SÁBADO 27 DE JUNHO DE 2015


A Civviva fez seu primeiro Arraial em 2007  e hoje volta  em companhia dessas novas organizações para juntas fazermos nossa festa. Esta funciona como prova geral; é  uma avant premier de transição para outras atividades artísticas, culturais e educativas, na Praça do Carmo - nosso palco principal de valorização e defesa, no respeito das normas vigentes, da nossa  Identidade, Cidadania, Memória, Patrimônio, História, onde a Diversão também está presente.

A intenção é fazer valer, até durante momentos de festa,  as disposições relativas a defesa do Centro Histórico. Uma forma de fazer educação patrimonial, ambiental e alimentar, tanto para começar. Musicas e danças da época junina; comidas tipicas do periodo junino, feitas de modo tradicional e respeitando o meio ambiente. Queremos demonstrar que se consegue brincar em área tombada sem poluição sonora e/ou ambiental.

Poucos mas válidos foram nossos patrocinadores aos quais agradecemos a disponibilidade: PLW-projetos e linguagens; Bar do Rubão; LPCom; Giotech, Foeum Landi, Paraoara design . Ano que vem serão muitos mais, com certeza, aqueles que abraçarão tal visão de defesa da nossa memória histórica..

É oportuno lembrar que todos os integrantes de apresentações como as Quadrilhas, Carimbó e brincadeiras, são crianças e jovens do Beco do Carmo e as comidas típicas preparadas por moradores da área tombada da Cidade Velha. Os instrutores também são pessoas que moram ali e estão de parabéns por tal trabalho de defesa da nossa cultura.

 O Arraial termina com a Quadrilha Maluca, chamando todos a dançar.

É HOJE: SABADO 27 DE JUNHO DE 2015

A PARTIR DAS 11h
Venda de comidas e bebidas típicas: mingaus, bolos, maniçoba, tacacá, paçoca, pé-de-moleque, gengibirra...

A PARTIR DAS 16h
Apresentações de danças e brincadeiras, continuando a venda de comida.

Venha! Participe! Divirta-se!

terça-feira, 16 de junho de 2015

A nossa nova diretoria


Sábado, 13 de junho, em Assembleia Extraordinária, foi eleita a nova direção da Civviva e traçadas as diretrizes gerais de ação da entidade e o programa geral anual das suas atividades.

Presidente: Dulce Rosa de Bacelar Rocque
Vice Presidente: Pedro Paulo Santos
Secretaria: Rosana Figueiredo
Tesoureira: Jacira Tavares
Conselho fiscal: Graça Cristino, Margarete Feio Boulhosa e Ana Morgado.

É de 03 (três) anos o mandato dos membros da Diretoria Executiva e do Conselho Fiscal, permitida uma só reeleição consecutiva.

BOM TRABALHO A TODOS E...PARABÉNS

sábado, 13 de junho de 2015

Você veio nos visitar?


BEM VINDOS A CIDADE VELHA neste domingo...

Pedimos sua atenção para um grande problema: nosso patrimônio arquitetônico. Você está numa área tombada. 

O que quer dizer isso? Que os prédios, as praças, os monumentos, as calçadas de liós, devem ser preservados, salvaguardados das más intenções.

Quais más intenções? Aquelas, por exemplo, que levam a: roubo de azulejos; mudança da cor original dos prédios por cores fortes; modificação das fachadas das casas; pichação de casas e muros; estacionamento nas calçadas de lios; uso da buzina sem necessidade...

- Seja a trepidação causada pelo excesso de transito, seja aquela produzida pela poluição sonora, levam a lenta destruição do nosso patrimônio.

- A poluição visual é outro elemento que serve, inclusive, para descaracterizar as fachadas que devem ser salvaguardadas.

- O nosso clima, também é um coadjuvante desse “aparato” que ajuda a destruir o nosso patrimônio arquitetônico.

A esses elementos se une o “ser humano”, nem sempre disposto a respeitar, nem a nossa memória histórica, nem as leis que regem a opção de tal preservação. De fato, o abandono por parte dos proprietários, o descaso das autoridades e certos abusos cometidos por outros, não ajudam, certo, a preservar nem conservar nossa memória histórica.

Que fazer? Salvar da degradação e destruição os nossos bens culturais foi, portanto, a base do tombamento da Cidade Velha seja pela Prefeitura, seja pela União. Estamos assim tentando defender etapas da nossa historia. 

A presença dos azulejos, por exemplo, quer lembrar, no mínimo, sua função na manutenção do microclima da casa, da saúde dos moradores quando não existia eletricidade nem ar condicionado para nos defender do calor. Dai vem um e decide coleciona-lo...

A legislação não prevê o “embelezamento’ da área tombada, mas a manutenção da memória histórica, então porque mudar as cores das casas por outras mais fortes, que não nos representam? É importante a permanência das cores tênues, como um exemplo de quando as casas eram pintadas de tal maneira porque as tintas claras eram as que existiam então, além de uma questão de gosto estético da época. Por que autorizar grafites, ignorando, inclusive, as pichações que já se fazem presentes no Centro Histórico, deturpando-o? Ambas se somam entre aquelas ações que nada tem a ver com nossa memória.

Todos nós, segundo as normas vigentes, somos responsáveis por essa defesa, e, para que isso aconteça, temos que conhecer nossa história (e as normas vigentes) para poder salvaguardar o que sobrou do nosso patrimônio arquitetônico. 

Seja portanto bem vindo ao bairro mais antigo de Belém. Aproveite e passe na Praça do Carmo, para visitar a mostra fotográfica "Com Eira, Beira e...Ramo de Mangueira" que demonstra a situação e evolução do nosso patrimônio arquitetônico nos últimos cinco anos.

Visitação da exposição de 14 a 27 de junho.

C.C.C. -  Praça do Carmo 40/48


Praça do Carmo 40/48
Respeitando nossa memória histórica você já está fazendo seu papel de cidadão

sábado, 30 de maio de 2015

O nosso Oceano de Incoerências


No periodo da ultima campanha eleitoral para Prefeito de Belém, a Civviva, realizou, com êxito,no dia 27/6/2012, na sede do Conselho de Contabilidade do Estado do Pará, uma Conversa com os pré-candidatos a Prefeito de Belém.
Era um exercício de democracia inédito em Belém. Os eleitores chamaram os candidatos para uma troca de idéias. As perguntas a serem respondidas eram:
1 - Como proteger, defender e preservar o Patrimônio Cultural de Belém?
2 - Qual a sua proposta de políticas públicas para o centro histórico de Belém?
Com a parceria do Ministério Publico Federal, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, do Instituto do Arraial do Pavulagem e do Conselho Regional de Contabilidade que nos hospedava, conversamos sobre nosso Patrimônio com alguns pré-candidatos a Prefeito de Belém, inclusive quem ganhou as eleições.
Na ocasião foram levantados pela sociedade civil, problemas relativos a vários argumentos:
- RONALDO SILVA, músico, pesquisador, sociólogo e um dos fundadores do Arraial do Pavulagem, de forma envolvente, nos falou sobre Cultura Popular e a Utilização do Espaço Público;
- CLEBER CASTRO, Professor do IFPa, ressaltou, de modo claro, a importância do turismo patrimonial para a cidade de Belém e suas dificuldades de levantar vôo;
- ROSE NORAT, arquiteta e professora, com evidente conhecimento, falou sobre a necessidade de resolver a questão da reabilitação das áreas centrais e das políticas habitacionais para prédios históricos;
- DULCE ROSA ROCQUE, economista e presidente da Civviva, através do exame do Código de Postura demonstrou o costume local da inaplicação das leis em vigor; da total ignorância das normas de salvaguarda do nosso patrimônio; do uso inadequado de áreas tombadas...,
Interessados no argumento os pré-candidatos - Alfredo Cardoso Costa (PT), Edmilson Brito Rodrigues (PSOL), Sérgio Pimentel (PSL) e Zenaldo Rodrigues Coutinho Júnior (PSDB), compareceram e responderam as perguntas feitas. O  discurso do então candidato Zenaldo, era "pela total preservação do patrimônio histórico e cultural do Pará, bem como pela limpeza da área comercial do centro da cidade, com planos pata remoção e recolocação de camelôs em local adequado e sem perdas de faturamento pra esses trabalhadores."
O que vemos acontecer hoje, porém, é exatamente o contrário do que se pretendia obter, ou do que foi dito na ocasião. Vemos aumentar o numero de prédios abandonados, sem uso, quando tantos (até gente simples que faz cultura) necessita de espaço; vemos casas antigas serem derrubadas e se transformarem em estacionamentos; vemos ocupações de calçadas na Cidade Velha, como se não fosse tombada; vemos aumentar a poluição sonora, visual e ambiental a despeito das leis; vemos aumentar o transito em áreas tombadas; vemos autorizarem restruturação de prédios para atividades enormes sem algum estacionamento (como o Bechara Matar com cinco vagas de garagem), comprometendo seja as calçadas de liós que os prédios com a trepidação; vemos autorizarem o uso de muros dentro de área tombada, para grafitagem, como se antigamernte isso fosse possivel; vemos estreitarem ruas que dão para o rio;  vemos ocupações financiadas até por bancos que nada deixam ao bairro;os camelôs continuam por ai e o centro comercial é uma tristeza.
Enfim, não vimos nada mudar e, nem no programa de festejos dos 400 anos vemos algo que interesse a defesa/salvaguarda do Centro Histórico. Mesmo os cidadãos, na ânsia de ganhar dinheiro ou se divertir, usam e abusam de áreas tombadas ignorando todas as normas vigentes, e, muitas vezes são até acobertados por orgãos públicos, inclusive os que deveriam defender nosso patrimônio.
Para se comportar desse modo, precisava tombar esses bairros? A Constituição e outras leis, falam tanto de "ouvir a comunidade", mas nesse caso são ouvidas quase que somente aquelas interessadas na destruição do nosso patrimônio, aqueles que ignoram a nossa "memoria histórica", talvez porque muito jovens. Além do mais, e na verdade, nem sempre essa 'comunidade' é representada por associações, mas por amigos sabe la de quem, que nem sempre moram em área tombada, portanto idealizam ocupações e manifestações  (ex, a praça dos Estivadores) a favor de seus interesses, não afrontando, em vez,  a realidade e os problemas que os moradores e proprietários desses bairros tem. Os arquitetos, por sua vez, desapareceram completamente do panorama de defesa da nossa memória. Os professores de história, se ocupam mais do passado...
Temos, nomeados pela Fumbel, dois Conselhos que se deveriam ocupar do nosso patrimônio histórico, mas o que fazem?: Cadê o Conselho Monumenta? Neste caso, vemos que até aqueles que restauraram sua casa com tal financiamento, ignoram a defesa do seu bairro e nem dão sinal de vida aos convites para as reuniões convocadas para a posse de dito Conselho, onde  resultam nomeados. o DINHEIRO PARADO NÃO AJUDA A MELHORAR A FEIÇÃO DO CENTRO HISTORICO PARA SEUS 400 ANOS.
Não podemos deixar de pensar que muitos "são farinha do mesmo saco", do tipo: façam o que digo, não façam, o que faço. Seja os políticos que os...abusados, independentemente de cor, religião, opção sexual e partido. 

... E nosso patrimônio continua sendo ignorado. Toda  a comunidade QUER SABER: o que estão fazendo? e perguntamos mais uma vez:
Como pensam de proteger, defender e preservar o Patrimônio Cultural de Belém?
Qual é a proposta de políticas públicas para o centro histórico de Belém?