quarta-feira, 7 de maio de 2014

Cobrando soluções

Em uma semana tivemos o desprazer de  denunciar vários problemas que aconteceram na Cidade Velha, principalmente na sua área 'tombada', mas hoje nos alargamos. É Belém que precisa de atenção; é o nosso patrimônio arquitetônico esparso que está desaparecendo. 

Recebemos e  compartilhamos

             "Hoje pela manhã percebi a demolição de uma edificação que, provavelmente não-tombada, está no bairro da Cidade Velha, mas é representativa de certa fase da memória urbanística-arquitetônica de Belém. 
            "  Trata-se de um imóvel situado na trav. Bom Jardim, sem número, ao lado do número 401, entre rua Veiga Cabral e rua Triunvirato, bairro da Cidade Velha, que até hoje pela manhã estava apenas com a fachada de pé, já que toda a parte posterior foi demolida.

           "  A casa ao lado, de nº 401 (aparentemente com as mesmas características estilísticas da vizinha em demolição), está em péssimo estado de conservação."



                 Mais  de um  cidadão viu isso e reclamou, mas, temos receio que como no passado recente e também em outras situações, não veremos acontecer nada para evitar que essa depredação da nossa memória  continue.


           Nestes  ultimos  anos  estamos  assistindo  a um  aumento  inusitado  de  “operações destrutivas” do nosso patrimônio histórico-arquitetônico, aquele menos em vista, aquele esparso pelo território da cidade, aquele que não mereceu a atenção de um tombamento.  Se não exercitarmos um  controle severo, será irreversivelmente desfigurada,  e cada vez mais,  a integridade  de imóveis  que caracterizam  o nosso Centro Histórico tombado e, mais ainda, serão desfigurados  bairros e distritos de Belém que ainda não foram reconhecidos como "históricos".


Temos consciência que núcleos e imóveis históricos “menores”  estão sendo, silenciosamente, substituídos e modificados em nome de condições progressivas de degrado  ou pela  simples vontade  de transformar,  de modernizar.   Isso vem acontecendo,  inclusive,  através  de  procedimentos  incivis,  permitidos  por instrumentos técnicos ou normativos que,  de fato,  tendo passando por cima do controle social,  acabam dispersando  a qualidade de uma arquitetura de ambiente histórico, mesmo se não é aquela monumental. 

Não se trata somente de  salvaguardar, por exemplo,  áreas que podem ser consideradas históricas em bairros como o Reduto e Umarizal,  temos também “história” em distritos administrativos quais Icoaracy, Outeiro, Mosqueiro, Cotijuba e assim por diante. Tudo isso também precisa ser lembrado como patrimônio, como nossa memória histórica a ser defendida e salvaguardada. É necessário que seja feito, inclusive, um levantamento desse patrimônio edificado “menor” para que seja custodiado como patrimônio comum e de todos; para que entre no rol daqueles que também devem ser defendidos.  

É, paralelamente, uma necessidade urgente terminar a regulamentação dos instrumentos previstos no Estatuto das Cidades. A CMB deveria cobrar, e quem sabe até auxiliar o executivo municipal na regulamentação dos Planos Setoriais e dos Instrumentos Urbanísticos contidos no Plano Diretor do Município de Belém que não foram feitos. Por que continuar a esperar isso?

Não podemos continuar  a gritar ou cobrar soluções, somente depois de ter perdido pedaços do nosso patrimônio, depois de terem estragado nossa memória. Algo mais concreto precisa ser feito; atenção em todos os sentidos é necessária. Aliás, seria até oportuno um posicionamento coletivo a respeito, mas quantos estão interessados???  

2 comentários:

Valdemiro Gomes disse...

S.O.S.
é hora de reunir as várias frentes, movimentos, e pensar em ir as ruas...

LABORATORIO DE DEMOCRACIA URBANA “Cidade Velha-Cidade Viva” disse...

Recebemos do IPHAN que nos enviou a resposta que recebeu da Fumbel (que também recebeu nossa nota) :
1 - Eles estão localizados no entorno do CHB, tombado pela Prefeitura de Belém;
2 - A obra de demolição desses imóveis começou de forma irregular e foi autuada e embargada pela SEURB em 26.11.2013 e 06.12.2013, respectivamente;
3 - Atualmente, depois de dois projetos indeferidos por prever a total descaraterização das fachadas dos imóveis, o proprietário/arquiteto entregaram uma nova versão do projeto que prevê a restauração das duas fachadas para a utilização do imóvel com fins para residência multifamiliar. Deste modo, esta mais recente versão do projeto foi deferida por este DEPH/FUMBEL em 10.04.2014.