terça-feira, 5 de março de 2013

HOMENAGEM A UMA MULHER...

Vamos homenagear as nossas MULHERES, aquelas que deviam servir de exemplo A TODOS NÓS.
Começaremos com uma das esquecidas: Dra Olga Paes Andrade, a primeira paraense formada na nossa faculdade de medicina.

Será por intermédio das palavras, das recordações de Inez Chaves de Souza que o faremos.

Conheci a Dra Olga Paes Andrade, Dra Olga como a chamavam... é um dos tipos inesquecíveis. Era médica, obstetra e gineco também. A conheci na SESPA, onde era a médica que coordenava a distribuição de um leite associado a uma proteína aditada que combatia o raquitismos em bebes. Era distribuído a mãezinhas carentes inscritas no programa.

Ela era muito caridosa vivia para atender os carentes. Morava em uma casa antiga na Rua O de Almeida px a Pres.Vargas, com pouco conforto pois tomava banho de balde e cuia. O banheiro de casa muito antiga não tinha um chuveiro funcionando, isto não a incomodava.

Na época criava uma menina pequena bem moreninha muito querida e um sobrinho ja rapaz de nome Getúlio creio eu, mas tinha outros agregados na casa simples que se engrandecia no Natal quando montava um grande presépio na extensão de sua sala tão pouco mobiliada. Muitos o visitavam, (eu cheguei a ver); era uma grande alegria para ela. Cada ano acrescentava mais alguma coisa regional, incrível.


Falava alto e tinha voz rouca. Era médica competente; fez trocentos mil partos, para toda sociedade, da classe alta até o mais carente. Sua competência era garantia de bom parto.

Era solteira, não se casou, andava quase sempre de branco, as vezes com uma saia meio justa preta, usava meias mais largas que sua canelinhas já alquebradas pelo peso da idade e compleição, que as vezes escorregavam mas ela nem ligava. Também usava uma peruca, pois seus parcos cabelinhos já precisavam ficar ocultos.

Era uma pessoa fascinante. Ao conhecê-la na década de 60, eu era ainda bem jovenzinha, e meu pai ,o Medico Carlos Guimarães Pereira da Silva, era o Secretário de Saúde da época. Ela chamava minha Mamãe e eu para auxiliar na distribuição do leite e outros programas sociais , e íamos, como íamos vários fins de semana para colônia do Prata e uns voluntários também.

Eu ria muito do jeito dela como falava e administrava as coisas, passei a admira-la e querer bem. Era amada por todos. Mesmo com seu jeito diferente, as pessoas já conheciam o seu bondoso coração; mesmo que ela estivesse esbravejando e ameaçando com a sombrinha a enfia-la sabe Deus onde, rsrsrs ou fazer picadinho da “mãe desnaturada “que vendesse o leite doado ou que esquecessem de aditar as gotinhas de proteínas que eram necessárias. A mulherada ria e corriam para abraça-la e beija-la, Elas já a conheciam e adoravam o seu jeito único de ser.

Soube que alguns anos depois morreu de acidente de carro, em um taxi, bateu a cabeça no taxímetro e teve morte instantânea.

É uma pessoa inesquecível que merece todo reconhecimento e homenagens.
Grande mulher.

♥ bjs para senhora Dra Olga, no alto de onde estiver. Foi uma honra te-la conhecido
.

Inez Chaves de Souza


Um comentário:

Gui disse...

gostaria de entrar em contato com a autora do texto sobre a Dra. Olga, a primeira mulher formada pela Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará, em 1928. Pesquiso sobre a Faculdade e gostaria de saber se a sra, Inez tem/teria fotos da Dra. Olga.