sábado, 29 de julho de 2023

CARTA ABERTA AOS MINISTROS...


ILMOS. SRS. MINISTROS

Jader Fontenelle Barbalho Filho (Cidades)

Celso Sabino de Oliveira (Turismo)

Márcio França  (Portos e Aeroportos)


Prezados senhores Ministros

Independentemente da proximidade da COP 30, mas aproveitando dela... vimos com a presente levantar um problema, sentido por quem precisa andar de avião, saindo da Amazônia, para qualquer lugar do Brasil. 

Acabamos de ler que: O Ministério dos Portos e Aeroportos anunciou na última semana que o novo programa Voa Brasil vai oferecer passagens aéreas pelo preço fixo de R$ 200 por trecho a partir de agosto.

Isso nos trouxe em mente um problema que aflige quem deve andar de avião. Logico que se trata de uma necessidade de quem tem um mínimo de condições de vida, mas que precisa de viajar, por motivos que podem ser variados, incluindo o da saúde. Nem todos viajam so para se divertir.

Precisando sair de Belém para ir para o nordeste, por exemplo,  encontram-se vôos a noite alta, com conexões, em Fortaleza, de madrugada, para chegar as 6 da manhã em Salvador...  Tentando  encontrar algo mais comodo, acabamos descobrindo que quase todos tem conexões durante a madrugada.

Porque o amazônida, agora, tem que fazer, esses passeios noturnos sem muitas opções de viajar durante o dia e sem tantas conexões? Ao menos um dia por semana essas companhias aéreas não poderiam prever um vôo direto para Natal, Salvador, Recife, Maceio, Aracajú, Salvador, Vitoria....  etc.  Ou escolher quatro dessas capitais para ser sede de vôos diretos partindo de Manaus e de Belém para o nordeste?

Pedimos encarecidamente que façam uma prova e tentem encontrar um vôo em cada companhia aérea que leve o Amazonida para essas capitais, sem alguma conexão. Aproveitem e dêem uma olhada nos preços das passagens e... das maletas a serem pagas.

Anos atrás, quando tinhamos a Varig e a Cruzeiro do Sul, tinham vôos que paravam em quase todas essas capitais do nordeste.  Iamos para Salvador, Natal ou Recife, sem alguma conexão, nem perigo de perder maletas, e em menos tempo, mesmo fazendo algumas paradas pelo caminho da costa brasileira.

A sociedade avançou, os aviões melhoraram; as cadeiras ficaram mais apertadas, para dar mais gente dentro... e  ainda temos que  ficar pagando caro e subindo e descendo escadas, de madrugada, por ai.

Do jeito que está,  fica difícil fazer turismo, e as vezes até inviável, levando netos e avós, para ficarem dormindo em cadeiras dos aeroportos, durante a noite. Fica ruím, também, para quem vai a trabalho e tem que ir do aeroporto para reuniões, sem ter dormido. 

Será possível dar um jeito nesses vôos, ou nessas companhias que viraram as donas do espaço aéreo noturno, lembrando que é o cidadão quem paga, sem ter, porém, tantas opções plausiveis e melhores, de uso desse serviço. É o caso de lembrar, também, que boa parte dos viajantes, são pessoas de maioridade, ou seja, idosos, e merecem mais respeito. 

TOMARA QUE OS VÔOS DE 200 REAIS, NÃO SEJAM TODOS NESSES HORÁRIOS HORRIVEIS.

Agradecemos a atenção e o que puderem fazer a respeito. 

Atenciosamente.

Dulce Rosa de Bacelar Rocque

Cidadã paraense, presidente da CIVVIVA

PS: apoiamos a proposta do Jornalista Francisco Sidou, a respeito do uso de anfíbios entre nossas cidades ribeirinhas que não tem aeroporto... ação essa mais  que necessária hoje em dia.


sexta-feira, 21 de julho de 2023

A UFPA E O MUNDO

Li uma noticia sobre a posição da UFPA, entre as Universidades latinoamericanas. Não estava muito bem colocada, mas tentavam demostrar algumas suas qualidades... Isso chamou a minha atenção e fui olhar quais eram as melhores universidades do nosso mundo.

Várias metodologias foram usadas para fazer as classificações. Encontrei duas relações feitas usando critérios de avaliação diferentes para as Universidades: o QS e o THE, e em ambas, os critérios relativos a reputação, eram vários. Foram examinadas cerca de 1800 universidades de 104 países. 

Os critérios de avaliação universitaria QS são:

Reputação Acadêmica (40% da nota final);

Reputação da instituição no mercado de trabalho (10%);

Proporção professor/aluno (20%);

Citações por corpo docente (20%);

Proporção de docentes estrangeiros (5%);

Proporção de estudantes estrangeiros (5%).

Neste estudo, entre as dez primeiras universidades elencadas,  todas eram do Reino Unido e Norte americanas, mas a 11ª  era de Singapure, a 12ª era a de Pequim e a 14ª também era chinesa. Uma Suíça, a EPFL, interrompe a relação das americanas/inglesas ao 16º lugar...mas, ao 19º, outra de Singapure, ao 21º,  Hong Kong, ao  23º a de  Tokio.  Ao 26º lugar encontramos outra universidade europeia: a PSL francesa.

A relação continua com a lingua inglesa comandando mas começam a aparecer outros países, como a Coreia do Sul (29º ), Australia (30 º e 33 º ), Canadá (31º) e a China com outras (34º, 38º, 40º, 46º e 54º)  até encontrarmos a Sorbonne ao 60º lugar, depois daquelas da Holanda (58º ) e da Alemanha (59º).

A primeira universidade latino americana estava no 67º lugar e era Argentina, de Buenos Aires; nenhuma outra latina apareceu nesse elenco.  A Universidade Estatal de Moscow (Russia) está no 75º. Da Africa nenhuma.

Segundo essa pesquisa QS, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) é considerada a melhor universidade do mundo, seguida pelas de  Cambridge, Stanford, Oxford, Harvard e Caltech, confirmadas pelo estudo THE, também.

Os critérios de avaliação universitária THE, em vez examinavam a:

Reputação da pesquisa produzida pelos professores (15% da nota final);

Proporção de funcionários por aluno (4,5%);

Proporção de cursos de doutorado por programas de bacharelado (2,25%);

Proporção de doutores por equipe acadêmica (6%);

Orçamento da universidade (2,25%);

Reputação de todas as pesquisas produzidas na universidade (18%);

Orçamento para pesquisas (6%) ;

Produtividade da pesquisa (6%);

Número de citações da universidade em pesquisas acadêmicas (30%);

Proporção de estudantes internacionais (2,5%);

Proporção de funcionários internacionais (2,5%);

Colaboração internacional (2,5%);

Receita para pesquisa obtida na indústria em relação ao número de professores empregados (2,5%).

 Nesta analise, os Estados Unidos  e Reino Unido também ocupam os 11 primeiros lugares e mais alguns outros, entremeados pela China (16º, 17º, 31º, 45, 51, 52, 58,67, 74, 79,97, 99), Alemanha (30º, 33º, 43º, 73, 86, 87, 89, 91, 100º), Canadá (18º, 40º, 44º, 46º, 85º),  Holanda (66º, 70º, 75º, 77, 80),  Suiça (12º, 41º, 84, 94), Austrália (53º, 55º, 72º, 91º), Coreia do Sul (56º, 78º, 92º). Da América Latina e África, nenhum representante.

A Universidade europeia considerada a mais antiga do mundo, a de Bolonha, fundada em 1088 (onde também estudei),  está no 161º lugar, de uma outra relação. Figura, porém, entre as Universidades de Elite Mundial segundo indicadores como o ARWU, QS World,  THE e US News.

Existe outro estudo cujas avaliações dependem dos  Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), cujos resultados, é claro, divergem daqueles acima citados. Nesse estudo a UFPA obteve o primeiro lugar no ODS 1, onde são avaliadas ações direcionadas para pessoas em vulnerabilidade, admissão de estudantes de baixa renda e programas de assistência estudantil. Em uma outra relação global encontramos a nossa UFPA  no 1206º lugar... e no 29º entre as brasileiras. Relativamente ao trabalho de pesquisa, a UFPa, está na 1.154ª posição. Entre as latinas, em vez, agora é a 71ª.

Entre as latino americanas as Pontificia Universidad Católica de Chile e a Universidade de São Paulo (USP) ficaram respectivamente em primeiro e segundo lugar do ranking QS de 2022.

A UFPA, é jovem, ainda. Nasceu da 2 de julho de 1957.

 Brasão da UFPA usado em 1959

Quanta estrada temos que percorrer, ainda, para superar ao menos a Argentina, da relação das 100 QS?


Fonte: QS World University Rankings 2023: Top global universities; https://www.universidadedointercambio.com/; portal UFPA.

segunda-feira, 17 de julho de 2023

FORA DA CIDADE VELHA...

 

... tem um lugar que nos ensina a ser...gente, cidadão. Vamos conhece-lo. 

A sugestão é de Maria Isa Tavares Jinkings  no dia 17 de julho de 2019  · 

LEIAM ISTO DO JORNALISTA Artênius Daniel !

"Estou na Finlândia, Helsinki. Férias, a caminho da Rússia. É verão. Eu, vindo do Brasil, o país dos verões, vou à uma das principais piscinas coletivas da cidade, bem no centro, em frente ao porto. Pago a taxa, ganho uma toalha e uma pulseira. Procuro o vestiário masculino. Encontro. Está vazio. Abro a porta e logo na entrada, sem nenhuma divisória ou corredor, estão os bancos e armários onde as pessoas trocam de roupa e guardam suas coisas. Exatamente ao lado, o enorme box de vidro, transparente e os chuveiros coletivos para o banho. Reparo na enorme falta de privacidade em relação aos padrões brasileiros. Cada vez que alguém abre a porta de entrada, todo mundo que está do lado de fora vê exatamente tudo lá dentro. Acho curioso, divertido até. Deixo minha toalha de cima do banco, tiro a roupa inteira e entro no chuveiro. Há apenas um homem ao lado, um finlandês, relaxando debaixo d’água.

Quando já estou no meio do banho, a porta se abre e tomo um susto de gelar a espinha. Um outro homem finlandês entra, mas acompanhado das duas filhas pequenas, de 7 ou 8 anos, com suas pequenas boias de nadar. Me viro de costas imediatamente, contra a parede, completamente constrangido, quase em pânico, sem entender e com medo de estar no lugar errado. Quando, no Brasil, eu estaria nu ao lado de duas meninas pequenas em um banheiro público? O homem do meu lado termina o banho e sai, enrolado na sua toalha. A minha não está comigo, ela ficou lá em cima dos bancos, e as duas meninas estão sentadas provavelmente ao lado dela. Apenas fecho os olhos e espero. Será que existe um outro cômodo para trocar de roupa e eu não vi? Será que este vestiário proíbe banhos sem roupa e eu não li o aviso? Vou tomar uma multa? Vou ser preso?

Completamente travado, fico ali por muito tempo. Muitas pessoas entram e saem, mas continuo do mesmo jeito, contra a parede, até não ouvir voz nenhuma. Um alívio, o vestiário está vazio. Saio correndo do chuveiro, visto a roupa apressado, abro a porta e saio. Dez minutos depois, percebo que esqueci metade das minhas coisas de cima do banco. Volto ao vestiário. O pai e as duas filhas estão lá, tranquilamente embaixo do chuveiro, tomando banho ao lado de vários homens nus. Ninguém liga pra ninguém. Ninguém precisa olhar pra ninguém. Apenas, naturalmente como há de ser, as pessoas cuidam cada uma da sua vida fazendo algo que todo ser humano precisa: tomar um banho. 

Saio rindo de mim mesmo e, pelo resto do dia, passo a refletir sobre como nascer em um país como o Brasil, violento, misógino, com índices enormes de estupro e feminicídio, adoece toda a nossa prática social. Pensando em como o feminismo está definitivamente certo ao dizer que os nossos costumes e comportamentos em relação à diferença de gênero são sim muito mais construções políticas, construções de socialização do que “natureza biológica”. Os dados dizem que Finlândia é considerada um dos melhores lugares do mundo para ser mulher. A taxa de estupros e de abuso sexual é baixíssima e, obviamente, a cultura do estupro também é ínfima.

Além da igualdade salarial entre homens e mulheres, da representação feminina na política, o país escandinavo tem um título mundial muito valoroso: a Finlândia é considerada o melhor país do mundo para ser mãe. A licença maternidade no país é de três anos para a mãe e um ano para o pai. Desde que cheguei, me deparo o tempo todo, em absolutamente todos os lugares, com homens sozinhos cuidando de suas crianças pequenas, provavelmente enquanto as mães trabalham. Homens sozinhos limpando cocô das fraldas nos bancos do shopping, nas praças, no aeroporto. Homens sozinhos empurrando carrinhos de bebê em todos os cruzamentos das avenidas, homens sozinhos lendo livros para as crianças no parque, dando mamadeira, ninando seus bebês, sendo o que deveriam ser: pais.

Por isso, obviamente aquele pai que entrou no chuveiro com suas filhas ao lado de vários homens desconhecidos nus não imagina que outro homem finlandês ali, como ele, terá qualquer sentimento de violência ou de perversão em relação àquelas crianças.

 Provavelmente aqueles homens todos ao meu lado, tomando banho, encontram-se por aí e sorriem um para os outros ao empurrarem seus carrinhos e ao comprarem fraldas juntos no supermercado. Se mulheres podem tranquilamente entrar com seus meninos pequenos em um vestiário feminino (e isso acontece no mundo todo), por que homens não podem entrar em um vestiário masculino com suas meninas?

 Claro que o choque cultural é enorme e tal situação é completamente impraticável e impossível em um país como o Brasil. No entanto, um exemplo como esse, a vivência em uma sociedade igualitária em um país da Escandinávia, região apontada como rascunho do que seria o socialismo se vingasse, ensina muito a nós como brasileiros e mais ainda a nós como brasileiros homens. Na Finlândia uma mulher pode ir a uma festa de minissaia, ficar muito bêbada, voltar a pé para casa às três da madrugada, deitar em um ponto de ônibus e ficar ali até ao dia amanhecer. Nada vai acontecer a ela. Por que? Por que na Finlândia existem menos “doentes estupradores’ do que no Brasil? Não. Porque a “doença” do estupro não é individual, ela é social, coletiva e tem cura quando toda a sociedade melhora.

O contato com o vestiário público de Helsinki é um convite a nós, homens brasileiros que apoiam o feminismo, a criar cada vez mais condições para que as mulheres brasileiras façam essa luta. Chega de assobiar na rua, chega de ficar encarando uma mulher que resolveu sair de casa sem sutiã ou com uma roupa mais curta, chega de achar que uma praia com mulheres de top less ou um bloco de carnaval onde elas tiram a blusa (como nós) é um convite ou permissão a qualquer coisa. Nós homens precisamos colaborar com a criação de espaços de naturalidade e confiança para que mulheres se juntem e se sintam bem por estarem livres no mundo, como nós nos sentimos.

Chega de criarmos os nossos filhos homens educando-os a tratar mulheres como um “item de consumo”, chega de criarmos nossas filhas mulheres tratando-as como um “patrimônio” ou um “tesouro”. São os passos possíveis para a nossa geração em um futuro de menos desigualdade. O machismo faz muito mal para todos nós. Façamos o possível para o Brasil e o mundo, um dia, serem como uma piscina coletiva de Helsinki, onde a única tensão envolvida entre um homem e uma mulher é a disputa do melhor lugar para curtir o sol do verão."


PENSEM NISSO.

segunda-feira, 3 de julho de 2023

A MEMÓRIA DE UM PAÍS EXTINTO

 

Logo que fundamos a CIVVIVA, tivemos o prazer de conhecer o Prof. Dr. Oswaldo Coimbra, que tinha um sonho...e nos contou.  Aderimos a seu sonho, condiviso também por um italiano, e assim nasceu a Oficina Escola de Escritores.

Ele e o italiano foram os primeiros intelectuais a acreditarem na Associação  e no blog que tinhamos acabado de fundar: Laboratório de Democracia Urbana. De fato, o livro de seus sonhos sairia daquela oficina de escritores e serviria para iniciar a salvar  a  memória histórica da Cidade Velha, entrevistando seus moradores antigos. https://civviva-cidadevelha-cidadeviva.blogspot.com/2023/06/o-hacker-e-o-livro-da-civvviva.html

Achamos justo publicar o artigo abaixo porque é a continuação de seus pensamentos, de suas idéias. A MEMÓRIA DE UM PAÍS EXTINTO continuará a ser um monte de documentos miúdos se alguem não se decidir a salvaguarda-los, publicando-os.

Vamos ajudar os...bempensantes a tomarem decisões úteis a posteridade..

A MEMÓRIA DE UM PAÍS EXTINTO

Oswaldo Coimbra

Como se fosse a memória de um país extinto, o Arquivo Público do Pará, em Belém, guarda 4 milhões de documentos sobre o gigantesco Vice-Reino Unido de Portugal, o Maranhão/Grão-Pará, dos quais 3,5 milhões jamais foram consultados.
Este grande estado se manteve independente do Brasil, durante cerca de 200 anos, dentro do império lusitano.
Inclusive, logo depois que o Brasil se separou de Portugal, em 1822.
Se, naquele momento, também tivesse se tornado independente de Portugal, ele disporia, hoje, da metade de todo o território nacional em sua extensão.
Dentro dele estariam contidos Pará, Maranhão, Amazonas, Amapá, Acre, Rondônia, Roraima, e, por algum tempo, ainda Ceará e Piaui.
Só, em 1823, o Maranhão/Grão-Pará aderiu ao Brasil.
Os documentos do Arquivo reconstituem o longo período de autonomia deste estado, em relação ao Brasil.
A sua primeira fase, iniciada com a fundação de Belém, em 1616.
Nela, sua economia extrativista enriqueceu as ordens religiosas instaladas nas suas aldeias, através do monopólio da mão-de-obra indígena.
E a fase posterior, quando a administração portuguesa recuperou o controle da sua economia.
O estado, depois de 1750, atingiu seu apogeu.
Belém alçou o status de “a mais moderna cidade da América portuguesa”, com uma aristocracia que apreciava música barroca, poesia arcádica e oratória civil.
Até 1894, todos estes documentos permaneceram nas salas do Palácio dos Governadores, hoje, Palácio Lauro Sodré, um dos monumentos arquitetônicos - entre igrejas, quartéis e casarões - construídos pelo genial arquiteto italiano Giuseppe Antônio Landi, em Belém.
Em 1901, foi criada a Biblioteca e Arquivo Público.
O historiador Arthur Vianna, diretor daquele órgão público, deu início ao processo de encadernação deles.
Foram, então, descobertos 800 códices com alvarás, cartas régias, decisões, e, correspondências trocadas entre a corte, em Lisboa e o governador do Maranhão/Grão-Pará.
Estes documentos tinham cópias.
Mas não apenas eles.
Também as cartas enviadas pelos cidadãos comuns aos representantes de Portugal.
Chamadas de “documentos miúdos”, elas são de grande valor porque delas não há nenhuma reprodução em outro arquivo, nem mesmo em Portugal.
E sua leitura permite observar como transcorria a vida nas vilas da Amazônia naquele período.
Em 1904, a documentação foi mais enriquecida com duas imagens de suas costas, produzidas em 1640, por João Albernaz, cosmógrafo do rei de Portugal.
Finalizam um atlas de toda a costa brasileira da época.
Deste atlas, a cópia pertencente ao Arquivo é uma das quatro únicas existentes no mundo, segundo o Serviço de Documentação do Itamaraty.
Porém, a parte mais surpreendente do acervo do Arquivo são mapas, plantas e manuscritos da segunda metade dos anos de 1700 produzidos pelos 7 técnicos alemães e italianos - um deles, Landi - contratados para demarcarem os limites daquelas possessões portuguesas
(Os milhões de documentos jamais consultados)
Nenhuma descrição de foto disponível.

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quarta-feira, 28 de junho de 2023

O HACKER E O LIVRO DA CIVVIVA

 No dia 11 de janeiro de 2008, por ocasião da comemoração do primeiro aniversário da Civviva, constituímos o Laboratório de Democracia Urbana “Cidade Velha-Cidade Viva”. Este blog ia fazer companhia aquele chamado CIVVIVA, já existente. As duas linhas editorias eram diferentes.


                                                                      A direção da CIVVIVA

O lançamento do blog aconteceu no Auditório João Batista da Assembleia Legislativa, em presença de cerca cem convidados.  Na ocasião foi realizado um Seminário para discutir e avançar propostas finalizadas à recuperação do ponto de vista civil, urbanístico, social e econômico do nosso bairro.

Cerca de quatro anos depois , um hacker, não sabemos porque, resolveu cancelar todos os artigos deste blog, e recomeçar as publicações com datas a partir de 2012. So fomos notar esse abuso tempos depois ao precisarmos de um artigo escrito em 2008.

O hacker salvou alguns artigos e começou a datar a partir da  sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012. O artigo inicial era sobre as Ruinas de engenho de açúcar – Trem da Jamaica, de autoria do Prof. Dr. José Francisco da Fonseca Ramos.

https://laboratoriodemocraciaurbana.blogspot.com/2012/02/um-trem-da-jamaica-aqui-em-santa-maria.html

Resolvemos contar isso porque em maio de 2008 comunicamos neste blog da Civviva que através do Laboratório de Democracia Urbano, estavamos organizando, juntamente com o Grupo de Memória e Interdisciplinaridade da UFPa, uma oficina de produção de textos sobre a Cidade Velha. A pre seleção dos candidatos seria feita no fim de junho e as aulas teriam inicio no fim do mês de agosto, durariam três meses e seriam ministrada pelo jornalista e escritor Oswaldo Coimbra, pos-doutor pela USP em narrativas criadas com pesquisas históricas, no campo do jornalismo. Terá sido esse trabalho, util ao bairro e aos estudiosos, que preocupou o hacker?

Quinze anos atrás se apresentaram mais de 130  candidatos e se inscreveram na oficina, onde as idades variavam de 11 a 77 anos. Não somente estudantes, mas médicos, advogados,  faxineiros, donas de casa, sapateiros, aposentados e por aí vai...De surpresa, dia 21 de junho ganhamos o PREMIO INTERNACIONAL UTOPIE CALABRESI e no dia  27 demos a noticia dos aprovados... e o hacker nos seguindo e se preocupando...

Todas as noticias a respeito da oficina e do livro despareceram do blog, mas pescamos no da CIVVIVA, a relação dos aprovados que ingressaram na Escola de Escritores – Oficina:
ALFREDO GARCIA NETO, ANA CAROLINA BEZERRA, ANNA LUIZA CRAVINHOS MESQUITA DE OLIVEIRA, APOLO MONTEIRO BARROS, BÁRBARA MORAES DE CARVALHO, CAMILA DA FONSECA ARANHA, DANIELA CORDOVIL CORREA DOS SANTOS, DIEGO GESSUALDO SABÁDO DE SOUZA ENDERSON GERALDO DE SOUZA OLIVEIRA, ESRON LIMA JÚNIOR, FABRÍCIO DE MIRANDA FERREIRA, FABRIZIO GEAN GUEDES, FLORA CRISTINE DA COSTA, HELLEN KATIUSCIA DE SÁ, HUGO NASCIMENTO, IVANILCE SANTOS DA SILVA, JACIRA MAGALHÃES PESSOA, JOSÉ MARIA AZEVEDO COSTA, KELVIN SANTOS DE SOUZA, LAÍSE OLIVEIRA LOBATO, LEILA RAMOS VIEIRA, LUCIVAL JOSÉ PINHEIRO DA COSTA, MARCELLI DE CÁSSIA MONTEIRO SANTA BRÍGIDA,MONIQUE MALCHER DE CARVALHO, PAULA SILVA JESUS DE FIGUEIREDO,RAFAELA GENTIL COIMBRA DE OLIVEIRA, RAMON NEVES VIEIRA GOMES, REINALDO SILVA SANTANA, RUTH FARIAS DA LUZ, SALIM JORGE ALMEIDA SANTOS, SILVANA DE FÁTIMA COELHO MERABET, SÍLVIO PEDRO GOTTARDO, SUELEN LIMA DOS SANTOS, TARCISIO CARDOSO MORAES, VERA LÚCIA SANTOS DOS SANTOS,WILLIAM CRISTHOFILE DA SILVA PEREIRA,  WALTER LUIZ JARDIM RODRIGUES.








OS ESCRITORES AUTOGRAFANDO



                       
                                    E OS CONVIDADOS



A apresentação do livro foi no dia do segundo aniversário da 
CIVVIVA  12/01/2009... e foi um sucesso, apesar do hacker.



Continuamos sobrevivendo, eticamente e lutando pelo respeito das leis...

domingo, 18 de junho de 2023

OUVIDORIA DA SEGUP

 Esta semana tivemos uma grata visita. Em comitiva recebemos a Ouvidora do  Sistema Estadual de Segurança Pública, Liliane Barbosa  (SEGUP/SIEDS); Lidiane Tenório - Assistente Social (3°Sargento Da PMPA)e o advogado Mário Amoras, do setor jurídico da Ouvidoria.

"A ouvidoria é um órgão vital para o Sistema de Segurança, principalmente, porque ele contribui para a garantia da proximidade com a sociedade, com maior participação da população, o que estamos priorizando desde o início de nossa gestão", foi o que disse numa reunião Ualame Machado, presidente do Consep e titular da Segup. 

Ficamos sabendo, então, que o Ouvidor tem a atribuição de ouvir demandas, encaminhar às instituições parceiras e acompanhar as denúncias, reclamações e elogios feitos pela sociedade à segurança pública no Estado, garantindo o atendimento tanto ao agente quanto a sociedade civil diante de qualquer necessidade. Saber disso nos incentivou a levantar os problemas do bairro, onde moram tantas pessoas de idade.

Vieram ouvir e também ver de perto os problemas  que os moradores da Cidade Velha tanto reclamam: poluição sonora; uso das praças e das calçadas inclusive como estacionamento; a presença de carretas nas ruas estreitas dessa área tombada; buracos nas ruas e outros exemplos de incivilidades cometidas há anos.

É evidente a dificuldade de usar as calçadas, e não somente porque estão sendo ocupadas abusivamente por algum comerciante, mas porque desniveladas, quebradas e cheias de degraus feitos a causa do aumento do asfalto no meio da rua que leva as calçadas a ficarem num plano inferior e a chuva a entrar nas lojas... sem esquecer o lixo na parada do onibus.


Quem usa carrocinha, seja com crianças que com anciães, não consegue usar a Dr. Assis a causa dos  vários desniveis que existem. Na Dr. Malcher, para citar outro caso, são as entradas nos porões que foram transformados em garagens, que impedem juntamente com os postes, o uso das calçadas pelos cidadãos.

Precisa andar a pé pelas ruas da Cidade Velha para saber também quais mercadorias vendem as lojas que existem nas ruas próximas ao rio. É aqui que os ribeirinhos compram material de construção, aparelhos e motores para barcos e para trabalhos agrícolas. Por isso as carretas entram no bairro tombado e estacionam, com  a devida autorização da SEMOB, onde temos a sede da primeira prefeitura de Belém e a igreja do Carmo. Trazem azulejos, pisos, revestimentos, material elétrico, barcos, remos e tudo mais para o trabalho...na beira do rio.

Os problemas mais evidentes, são outras pessoas “de fora” que trazem, em  muitos casos. Festas nas praças  e igrejas que, na maior parte dos casos servem para pessoas de outros bairros... sem a presença de banheiros quimicos, substituidos pelas portas e muros das casas.  Não somente festas de santos, mas casamentos, por exemplo, sem estacionamento adequado para os convidados... e o Auto do Cirio, desde seus ensaios, cuja poluição sonora vem juntar-se aos trios elétricos que estacionam diariamente em frente a Alepa.

Locais que usam aparelhos de reprodução eletro-acústica em geral, e que muitas vezes usufruem de calçadas e praças para colocar seus clientes barulhentos é motivo de muitas reclamações. E as normas em vigor proíbem a localização dessas atividades em zona de silencio ou residencial... 

Precisa viver no bairro para conhecer seus problemas...ou informar-se através de maiores contatos com os moradores. A presença de uma Ouvidoria já é um passo enorme em direção da resolução de boa parte dos problemas... e nos  esperamos  que esse nosso encontro comece a dar resultados. 

Fomos informados da importância de denunciar os abusos afim dos vários órgãos terem condições de saber como e onde agir. A importância fundamental do Disk  100 e do 181 nessas ações, depende de nós. Na ocasião, nos foi recomendado pela Ouvidora que sempre formalizássemos as denúncia e anotássemos o n° de protocolo.

O respeito das leis é já um grande passo verso a civilidade e aplicando  as sanções previstas pra os mais irresponsáveis se começará  a completar aquela educação que propomos há anos que seja feita nas escola: EDUCAÇÃO AMBIENTAL, PATRIMONIAL e do TRANSITO. Isso ajudaria muito na  conscientização da população e no desenvolvimento do sentido de pertencimento e de comprometimento com busca pelo bem comum, e por uma sociedade mais justa.

Apreciamos e agradecemos a disponibilidade dos representantes da Ouvidoria e desejamos bom trabalho... juntos. 

Ótimos resultados para a cidadania é o que almejamos.


sexta-feira, 2 de junho de 2023

O ESTACIONAMENTO DA PÇA. DO CARMO

 

Na Praça do Carmo, além da Igreja e do ex colégio do Carmo, se encontra também a sede da Associação de Moradores da Cidade Velha – CIVVIVA. Nesses seus dezesseis anos de vida, entre as lutas travadas, as mais recorrentes foram relativamente a: insegurança, carnaval, Auto do Cirio, poluição sonora, estacionamento, uso das calçadas, passagem de carretas, cores das casas...

Começamos logo em 2007, quanto a insegurança no bairro, doando quatro bicicletas para ajudar a Policia  Militar nessa labuta... conseguindo bons resultados até que o governo estadual mudou e  pouco a pouco essa experiência parou.

O problema principal do carnaval, em vez, era a falta de banheiros públicos durante o uso da praça,  que levava os carnavalescos a usar as portas das casas para suas necessidades físicas.  Depois, as cervejarias  financiavam a festa na praça, mas ninguém lembrava de vir limpa-la depois dos eventos. Outros motivos de discussões até que conseguimos obter resultados

Os blocos que usavam a praça do Carmo, eram aqueles típicos do carnaval paraense composto de bandinha e mascarados, até o momento que, mudando o  prefeito, autorizaram os trios elétricos na área  tombada.  É quando a poluição sonora chega com quatro pés na Cidade Velha, seguida dos abadás.

Os blocos tradicionais foram praticamente expulsos da Cidade  Velha: copiar o carnaval da Bahia era de moda, pois os abadás rendiam muito mais.  Assim os nossos bloquinhos com mascarados desaparecem pouco a pouco.

Nesse meio tempo alguns locais noturnos descobriram a orla e os portos situados na Siqueira Mendes, começaram a funcionar de noite também, mas  com outras funções...  Onde, porém, estacionar os carros dos clientes? Primeiro foram as calçadas de liós a se transformarem em estacionamento noturno, mas, a medida que os locais ficavam famosos o numero de clientes aumentava e aquele espaço enorme da Praça do Carmo, atraia os clientes mais incivis a o usarem como estacionamento.

Começa uma nova luta. A praça e seu entorno, além dos carros , se enchia de “flanelinhas” .  Alguns até fantasiados com as cores dos órgãos públicos.... que deveriam estar ali, mas não estavam.  Os locais, porém, talvez para tranquilizar seus clientes ao saírem dos “portos”,  a noite alta, colocaram umas pessoas “posudas ” vestidas de preto... que vigiavam tudo, andando de um lado para outro na praça.

Discute daqui, briga de lá, o Iphan sugere ao Prefeito a colocação de “balizadores” nas quatro praças que seriam revitalizadas antes do fim do seu governo. Dito e feito, todas quatro: do Carmo, Relógio, D. Pedro I e Mercês tiveram sua porção de balizadores, plantas e iluminação a beça.

No dia da inauguração da praça do Relógio, já não se encontrou nenhum balizador. Não deu  nem tempo de fotografa-los onde foram colocados. A Praça do Carmo foi inaugurada dia 26 de novembro e pouco a pouco começaram a desaparecer as plantas.... Depois da mudança  de  prefeito, a partir  de janeiro, uma a uma desaparecem as  lâmpadas e depois a fiação elétrica, que era enterrada...

Feito isso, sobravam os balizadores, e a vigilância quando aparecia  as 9 horas da manhã, a bem pouco ou nada servia, porque quem delinque so aparecia depois da meia noite. Deviam ser bem uns cem os balizadores que cercavam toda a praça do Carmo. Por onde começar a... confisca-los ?

 A Siqueira Mendes foi a rua escolhida, e desaparece o primeiro, quase em frente ao bar  mais antigo da praça. Depois foram para a frente do ex colégio do Carmo... e assim em abril de 2022 desapareceram os últimos: em frente a sede da CIVVIVA.

Evidente a demonstração de total desinteresse pela defesa do patrimônio. Viamos, de manhã , horas após os furtos, chegaram os Guardas ou Policiais que nem se preocupavam de verificar, ao menos, o que tinha desaparecido... e muito menos os estragos feitos pelos  skatistas que se encontravam ali. E NADA FOI FEITO, para desespero dos moradores.

Alguns meses depois, voltando tarde da noite para casa vimos alguns carros estacionados onde não deviam. A praça passou, praticamente, pouco mais de um ano,  apenas, como tal. Os  clientes  dos locais noturnos da Siqueira Mendes, voltaram a estacionar na praça, pois nenhum  balizador foi  recolocado...em nenhuma das praças e nenhuma vigilância noturna foi prevista, em algum modo.

Com pesar vemos estes dias, em vez, uma Kombi  colorida, estacionar na Praça do Carmo, no mesmo lugar onde os notívagos o fazem. Na porta dela está escrito: PREFEITURA. No outro dia, uma ambulância também ficou estacionada a manhã inteira perto da escadaria da praça, enquanto a Kombi não estava presente. O QUE SIGNIFICA ESSE COMPORTAMENTO? Será um aviso para quem defende a praça? Depois vimos esses dois veículos emparelhados perto da escadaria, no centro da praça.







- Dos jornais vemos a defesa de 70 decibeis por arte de órgãos municipais,  contrariamente a quanto previsto  nacionalmente para a luta contra a poluição sonora que estabelece em 50/55 decibeis em Belém.  (O municipo pode até legislar a respeito, mas no respeito e tendo como base normas técnicas editadas e atualizadas pelos orgãos normatizadores:ABNT e IMETRO )

- Quanto a tranquilidade pública, vemos autorizarem locais que produzem todo tipo de rumor a menos de 200 m. de hospital, templos,  escolas... e que funcionam, quando bem entendem, com  os alto-falantes instalados de modo que irradiam os ruidos  para a área externa, ou seja não poderá ser efetivada verso  áreas  públicas (https://laboratoriodemocraciaurbana.blogspot.com/2017/08/a-proposito-de-bares-restaurantese.html).

- Nas calçadas vemos de tudo, menos o pedestre... A que serve o Código de Postura, se é tão ignorado ? (aliás foi modificado com  decreto n.º 26.578 de 14 de abril de 1994 , artigo 52 e seguintes, o que resulta ser, além de nulo,  um enorme equivoco interpretativo) (https://civviva-cidadevelha-cidadeviva.blogspot.com/2016/02/as-calcadas-segundo-o-mpe.html).

O que dizer ? Que foi totalmente inútil defender a praça do Carmo... ou que é inútil perder tempo com o patrimônio histórico ?

O que pensar ? Que é realmente uma utopia desses “velhos” a preocupação que  tem em defender, gratuitamente, a nossa memória histórica ?

Por que defender as leis quando elas, aqui,  não tem valor e nem algum sentido ? Basta verificar o controle que fazem... se fazem.  Descobrimos, porém, que “... o dever de probidade tornou-se mandamento de observância obrigatória aos agentes públicos do nosso país,...”  mas quem põe em prática, ou controla isso em Belém?

Como não duvidar que essa indiferença do poder público ante as  propostas, as contribuições  dos cidadãos visando o debate,  a defesa do patrimônio histórico e o atendimento de demandas de  interesse público previstos em lei,  demonstre uma conduta tão desrespeitosa, que suscita especulações sobre os verdadeiros propósitos e intenções de quem nos governa.

                                             ESTAMOS DESOLADOS.  

                 ACREDITAVAMOS VIVER NUMA DEMOCRACIA.

       

                                       ...as favas o patrimônio  e as  LEIS, né ?

 

Dulce Rosa de Bacelar Rocque

Presidente CIVVIVA