terça-feira, 4 de maio de 2021

ADEUS, PADRE GENNARO TESAURO

É COM IMENSA TRISTEZA QUE COMUNICAMOS A NOTICIA DO FALECIMENTO DO PADRE GENNARO TESAURO


ELE FAZ PARTE DA HISTÓRIA DA CIVVIVA.

ELE foi o primeiro sócio da Associação de moradores da Cidade Velha-Cidade Viva = Civviva.  Nos ajudou desde o inicio quando não tinhamos ainda, nem endereço para registra-la. Acreditou em nós e se associou imediatamente, permitindo que a registrassemos.... no endereço do Colégio do Carmo.

Nos ajudou todas as vezes que o procuramos. Passou uns anos fora de Belém e quando voltou, retomou os contactos com a Civviva. 

 A ultima vez que participou de uma nossa reunião, foi a que fizemos com a direção da UFPa, em 2019, tendo cedido a biblioteca do colégio na ocasião.


Em novembro de 2020, pedimos sua ajuda para defender a praaça do Carmo e o entorno da igreja e, poucos dias depois, voltamos para conversar sobre o "fim" do Colégio do Carmo.

Obrigada pelo que fez por nós. Vamos sentir faltas suas. Siga em Paz.

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Será velado na Igreja de Nossa Senhora das Graças, em Ananindeua. Uma missa será realizada as 14 horas, amanhã  dia 05 de maio, de onde, depois,  sairá o cortejo para a Igreja do Carmo, em Belém, onde  será sepultado.

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Caro Padre Gennaro, io, di sicuro,  sentirò la sua mancanza. Lei é stato sempre disponbile e gentile con me. La sua lontananza  quando il colégio ha smesso di funzionare giá é stato un dispiacere enorme.  

Non ho neanche fatto in tempo di ofrirle un pranzo italiano...

Lei mi lascia un bel ricordo. Sará ben ricevuto, di scuro.

Addio, amico. Quanto mi dispiace.

DR de BR



domingo, 18 de abril de 2021

O MONSTRO DA INDIFERENÇA


O escritor OTTO LARA REZENDE... diz  que “De tanto ver, a gente banaliza o olhar... Vê não-vendo...”. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem... Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos...É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença...”. 

Mas, muitos, mesmo olhando, nada vêem. Não estão acostumados a enxergar.

Ao olhar o nosso patrimônio histórico, a área tombada é melhor dizer,  descobriremos como, muitos dos que passam por ela, bem pouco conseguem ver. A Cidade Velha parece uma das tantas ilhas de Belém, isolada do resto do nosso meio ambiente, primeiro pelo alagado do Piri, depois pela Avenida 16 de Novembro. Podes até entrar no bairro para trabalhar, mas te limitas a ir e voltar, sem olhar o seu entorno, sejam as ruas, as calçadas, ou a cor das casas... que deveríamos salvaguardar.

Dentro desse “burgo” - ou como se fora a quadragésima ilha, que tem por limites o rio, a av. 16 de Novembro e a av. Tamandaré,- temos nossas origens, que Paulo Chaves tão bem enfeitou... E por ali parou. Não se aproximou, nem da Praça do Carmo, nem do Mercado/Porto do Sal, nem do Palacete Pinho.

Quem sabe foi impedido pelo estado das calçadas de lioz, que na rua Dr. Assis é cheia de degraus, e na rua Dr. Malcher...de entradas em garagens. Nem a primeira rua, a Siqueira Mendes mereceu atenção, daí um belo dia, esses fazedores de maquetes, inventaram de propor um Boulevard de bares que começaria na av. Presidente Vargas e acabaria na Praça do Carmo. Respeito das leis, na maquete, não se notava.

Falando de incentivo ao turismo, resolveram tirar as lojas da Cidade Velha que servem os ribeirinhos, para instalar bares... como se quem vem para a Amazonia se contentasse de ficar sentado num bar olhando nossos ônibus passarem poluindo tudo pelo Veropa. Como chegariam  esses turistas na rua Siqueira Mendes: a pé, de bicicleta ou de ônibus? A indagação é pertinente porque estacionamentos não foram previstos... nem indicações aos ribeirinhos sobre a destinação das lojas onde compram seus produtos hoje, ainda.

Numa reunião em janeiro de 2020 onde se discutiam propostas para o Plano Diretor, após insistir em defender o comercio das ruas da Cidade Velha, me foi perguntado: “mas, afinal o que vendem essas lojas?” Fiquei me perguntando: Como programar sem conhecer as especificidades da área? Por isso a Constituição e outras leis, preveem um contato com a cidadania/bairros. O Município deve promover e “estimular a participação da comunidade através de suas organizações representativas”. Se cumprida essa exigência legal, isso poderia ampliar o necessário conhecimento e a resolução de problemas das várias áreas em estudo, por quem pouco a frequenta.

Talvez a inserção do tema da Cidadania no aprendizado escolar, de forma permanente e consistente, pudesse contribuir para formar novas gerações de pessoas que incorporem ao seu cotidiano o exercício consciente de seus direitos e deveres. O mesmo deveria ser pretendido dos agentes públicos responsáveis pela aplicação, pela fiscalização das leis, e pela repressão e punição aos infratores.  

Ninguém é dono total do saber. Precisa abaixar a cabeça e olhar para a ponta do sapato próprio e dos outros também... Parece que a maioria dos milhares de pessoas que aparecem na Praça do Carmo para seguir o Auto do Círio, nem notam o que há de relevante em seu entorno, ou na rua Dr. Assis, por onde passam para ir poluir as igrejas antigas da Praça da Sé. Outras centenas de frequentadores dos estabelecimentos noturnos de diversão da rua Siqueira Mendes, que estacionavam seus automóveis sobre o anfiteatro, as calçadas, e os canteiros da Praça do Carmo, aparentemente, também nunca notaram as lojas, mesmo com suas evidentíssimas placas.

Quem acompanha curiosos, estudantes ou turistas na Cidade Velha, se limita a mostrar os trabalhos embelezadores da nossa memória (deturpada). O Palacete Pinho e o Mercado/Porto do Sal, bem raramente fazem parte do rol de prédios que merecem atenção. A casa mais antiga de Belém, fica fora de mão, assim ninguém a sinaliza aos visitantes... Nessas alturas, como ver em que situação se encontra tudo o mais da Cidade Velha, e quem sabe até despertar a consciência de ajudar quem luta solitariamente pela causa da preservação do patrimônio cultural...?

E chegou a pandemia bem no período em que a Prefeitura resolveu requalificar as quatro praças da área tombada que faziam parte do PAC das Cidades Históricas. Na véspera da inauguração da Praça do Carmo, skatistas e patinadores se apresentaram e começaram a ... estragar a alvenaria que contorna o anfiteatro. Vigilância alguma foi prevista para fazer valerem os custos dispendidos com as obras de requalificação do logradouro, e resguardar nosso patrimônio... E nenhum projetista (ou agente público) tomou ciência dessa necessidade, apesar da Civviva ter solicitado tanto.

Até o final do trabalho de requalificação, nenhum agente público responsável pela obra sabia informar se iriam colocar nas praças algum elemento para evitar que fossem usadas como estacionamento, como reivindicávamos há tempos, apoiados pelo IPHAN. Finalmente, vi a instalação dos balizadores, que nem bastaram para toda a praça, o que foi completado depois da inauguração..., sempre sem vigilância.

Em menos de três meses notei que desaparecerem vários balizadores, inclusive aqueles na Praça do Relógio e todas as lâmpadas do entorno do anfiteatro da Praça do Carmo... O abandono das praças era evidente, inclusive pelas lampadas acesas durante o dia inteiro, e os furtos continuaram. Avisamos os orgãos competentes, e nada vimos acontecer.

Para a administração pública, o patrimônio histórico é uma herança maldita. As novas propostas de intervenções gentrificadoras, até então divulgadas, parecem ignorar os maiores riscos de aumentar a destruição. Não apenas circulando a pé, mas também de carro. Sem um processo legítimo de consulta da sociedade civil, querem reinventar uma Cidade Velha, ignorando a defesa da nossa memória e incrementando atividades que implicariam em maior trânsito de veículos automotores, e consequente maior desgaste da infraestrutura urbana local e do entorno.

Nessa defesa opaca e traiçoeira da Cidade Velha, talvez, os únicos beneficiados em tais intervenções, ao invés da coletividade,  sejam aqueles que aproveitam para explorar o consumo, muitas vezes irregular, de bebidas alcoólicas até nas calçadas em frente de casas de família, quando é dia de ...visita.

Nenhum dos responsáveis pela regulação das atividades na área tombada aparenta se preocupar com o trânsito das carretas e outros veículos de grande porte que passam desde as 6h até à meia-noite pelas vias da Cidade Velha. Por onde transitariam as carretas que abasteceriam de mercadorias os novos estabelecimentos previstos para instalação na orla do entorno da área tombada?

O interesse de construir edifícios na orla aumenta... e no meio tempo, tem sido permitido, abusivamente, o desrespeito das normas vigentes... E as minhas reclamações, vivendo nesta área tombada e percebendo os abusos, são bem diferentes de outros interesses... daí, quem defende essas ações irregulares, ou seu DAS, aproveita e me chama, no mínimo, de maledicente.

A poluição sonora, tão prejudicial ao patrimônio público e privado, e aos seres vivos, tem sido totalmente ignorada, quando permitem que o Auto do Círio supere  os 50/55 decibéis previstos nas normas nacionais para a Cidade Velha... E do mesmo modo abusivo ocorrem diversas manifestações de órgãos públicos, em frente a museus e afins na área tombada. Alguem parou na frente da ALEPA para medir os decibeis dos trios elétricos quando tem alguma manifestação?

    Na nossa opinião o Carnaval na Cidade Velha, para ser coerente com seu tombamento, deveria ser  feito com blocos de mascarados e uma bandinha. Estando em área tombada e para salvaguardar   nossa memoria carnavalesca, deveria provocar, inclusive, o minimo possivel de poluição sonora. Deveriam ser incentivados aqueles blocos que já faziam o carnaval ali, no respeito da tradição. Carnaval com  trios elétricos deveriam ser autorizados fora da área tombada..;em vez o que vimos acontecer em 2013 e nos anos seguintes? ? ?

Assim seguem as supostas ações de planejamento e de controle nos usos do território urbano. Ontem vi um operário consertando os danos causados por desportistas incivis na recém requalificada Praça do Carmo. E eu, a ‘inxirida” da Cidade Velha, até ajudou a recolocar um dos balizadores salvo de um furto..., mas vigilância na praça, não vi ainda. E então, os danos continuarão. Quem os paga?

Existem praças com suas particularidades na  área tombada. Os agentes públicos denotam desconhecer até que horas, crianças de menor idade permanecem na Praça do Carmo, por exemplo. Assim sendo, nem o Conselho Tutelar  providencia regulares rondas para cuidar desses  futuros cidadãos.

As cameras do CIOP, exitentes em dois cantos da Siqueira Mendes, na praça do Carmo, para que servem? Alguma vez foram utilizadas para ajudar a defender nosso patrimônio ou os bens públicosSerá que ninguem sabe da existência desses aparelhos?

Para planejar e controlar/fiscalizar, além das leis, há que conhecer os problemas locais dos vários segmentos, evitando-se decisões baseadas em perspectivas superficiais, de quem “vê não-vendo”, situação essa que tende a levar ao fracasso certas intervenções... A nossa Constituição prevê um modo para evitar isso.

    O monstro da indiferença não se instala em mim. Vejo, olho, enxergo.... e falo. 

    Tem gente que não gosta disso: me preferiria, conivente.


        Dulce Rosa de Bacelar Rocque - cidadã


sexta-feira, 9 de abril de 2021

DENUNCIA SOBRE... ARRANHÕES NO PATRIMÔNIO

 

Parece uma herança maldita...

Voltamos pela enesima vez a falar de DEFESA DO NOSSO PATRIMÔNIO HISTÓRICO... demonstrando a situação de duas das quatro praças requalificadas durante a última administração da Prefeitura e entregues a cidadania nos últimos meses de 2020. 

As quatro praças em questão se encontram em área tombada e estavam inseridas no PAC-Cidades Históricas, três das quais na Cidade Velha. Em 2015 já tinham sido entregues pela Secretaria Municipal de Urbanismo-SEURB a Caixa Econômica Federal todos os 04 (quatro) projetos das praças assim qualificados:

-Requalificação da Praça Dom Pedro II  (R$ 1.600.000,00)

-Requalificação da Praça do Relógio      (R$    350.000,00)

-Requalificação da Praça do Carmo        (R$    585.000,00)

 

Em fevereiro de 2016 o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional-IPHAN nos tinha informado quais projetos já tinham sido saldados pela Prefeitura:

 -Praça do Carmo, pago dia 23/12/2015                                          R$ 189.826,81

 -Praça do Relógio, pago dia 05/01/2016                                         R$   83.318,89

 -Praça D. Pedro II, pago dia 29/02/2016                                        R$ 501.305,32

 

Até fevereiro de 2020, não tivemos mais notícias, quando finalmente vimos que começaram a instalar uns tapumes em todas quatro. Sobre a especificação dos itens da obra, nada foi informado. Nenhum reunião foi feita ou informação foi dada as associações de bairro, como sugerem as leis em vigor. E o aumento dos custos vimos através das placas subsequentemente instaladas. 

   -Requalificação da Praça Dom Pedro II  (R$ 1.588.392,86)

    -Requalificação da Praça do Relógio      (R$   409.755,37)    

 

-Requalificação da Praça do Carmo       (R$ 1.364.588,43)  

Na ocasião, supomos que essa majoração nas despesas era consequência da nossa luta para convencer a Prefeitura a colocar impedimento nas calçadas, a fim de evitar o estacionamento irregular de veículos automotores sobre as calçadas do logradouro, prática muito corriqueira em Belém, mormente nas vias do Centro Histórico.



É oportuno notar que em  tais placas nem as informações pevistas no art. 16 da Lei nº 5.194, de 24.12.1966, foram colocadas...  De fato  todos os seus aspectos técnicos e artísticos, assim como os nomes dos responsáveis pela execução dos trabalhos não eram visiveis
 e legíveis pelo público, nas placas expostas.                     





Simultaneamente com o início dos trabalhos começaram os furtos. As placas metálicas usadas no tapume instalado para o isolamento das praças começaram a desaparecer, primeiro na Praça do Relógio. A Prefeitura as recolocava, mas no dia seguinte já tinham sido levadas novamente, até que decidiram  usar material usado, reciclando-os.

   

 



Antes mesmo da inauguração da Praça do Carmo, skatistas e patinadores começaram a usá-la e a destruir a parte da alvenaria no entorno do anfiteatro. Depois da inauguração, esses desportistas chegavam em grupos e faziam concorrência com os jogadores de futebol. Usos esses não previstos para praças, muito menos aquelas tombadas, mas  ninguém se preocupou nem com uma vigilncia nem... educar esses "cidadãos incivis".






















Não estamos falando de  "arranhões" no nosso patrimônio. Os danos são muito maiores e causados, principalmente, porque nenhuma das praças foi guarnecida com qualquer tipo, sério,  de vigilância. Assim, logo começaram a desaparecer: ... primeiro as lâmpadas (mais de vinte) do anfiteatro da praça do Carmo, e logo a seguir seis balizadores de ferro.  As lampadas que sobraram no anfiteatro, passam o dia inteiro acesas, provocando despesas inuteis; as outras , dos canteiros não dão mais luz...


















Enquanto isso, na Praça do Relógio praticamente todos os balizadores estavam sendo subtraídos, alguns derrubados pelos caminhões, outros sendo roubados. Logicamente, os meliantes ficaram à vontade para praticar o furto, porquanto, as praças não eram vigiadas, nem mesmo  pela Guarda Municipal de Belém.







 







Somente nas duas praças mencionadas foram gastos cerca de dois milhões de reais. A despeito das nossas denúncias, entretanto, nenhuma providência com relação à vigilância das mesmas foi adotada, apesar de todos os exemplos de depredações e furtos já havidos. As imagens registradas pelas câmeras do CIOP existentes na Praça do Carmo, aparentemente não foram verificadas para possível identificação dos criminosos que perpetraram o furto dos equipamentos públicos; o que seria uma forma de tentar recuperar o prejuízo, no intuito de resguardar o patrimônio cultural, o que é da responsabilidade do poder público.

 

Segundo a Lei Municipal nº 8.769, de 27.09.2010, que altera a Lei Municipal nº 7.346, de 14 de outubro de 1986; a Guarda Municipal de Belém tem como suas atribuições “...proteger sua população, guarda e proteção dos parques, praças, jardins e demais logradouros públicos ou próprios municipais, localizados em área territorial do Município...”. Não vemos isso acontecer, porém.

Não podemos continuar olhando para esses casos, apenas como um indicador da situação grave de fragmentação social... Nada justifica os danos, senão a desatenção aos fatos,  e eles precisam ser reprimidos, evitados e ...corrigidos! Sabemos que o problema do vandalismo, tem múltiplas causas, mas talvez pudesse ser minimizado, se o poder público (União, estado e município) cumprisse suas atribuições dispostas em lei, inclusive quanto ao fornecimento de educação patrimonial e de educação ambiental, de forma efetiva, à população em geral.  



   SÃO NECESSARIAS PROVIDÊNCIAS COERENTES COM OS FATOS  

                           QUE ESTÃO ACONTECENDO 

 

P.S.  FOTOS DE ADVALDO LIMA E CELSO ABREU


domingo, 28 de março de 2021

PANDEMIA: LEMBRETE AOS VACINADOS

 


        CAMPANHA DE ESCLARECIMENTO

           A QUEM JA ESTÁ VACINADO 

              

Precisamos lembrar que vacinados também se infectam e transmitem.

As pessoas cultivam noções equivocadas do que seja uma vacina.

E isso é fator que também aumenta o risco.

Vacina não é escudo.

É instrumento de ação coletiva para conter a circulação do virus.

Mas se as pessoas vacinadas relaxarem, se aglomerarem, arriscam de pegar e transmitir. 

Mesmo tendo menores chances de adoecerem gravemente, as pessoas ja vacinadas podem 

adoecer e, de todo modo, transmitir e contribuir para o surgimento de novas variantes.


Os tres niveis de  governo bem que poderiam 

fazer campanhas esclarecendo tais possibilidades.






quinta-feira, 18 de março de 2021

PAULO CHAVES POR OSWALDO COIMBRA

Tem opiniões e opiniões. Algumas, porém, com exemplos concretos e visiveis.

Paulo deu motivo para tantos tipos de opiniões...

PAULO CHAVES

Na ocasião, eu estava responsável por um grande projeto de pesquisa sobre Cinema na Amazônia, desenvolvido para o CNPq. Por isto tive de entrevistar Déa Castro, então, nomeada por Paulo Chaves, no comando da Secretário Estadual de Cultura, diretora do Museu de Arte Sacra. Ela havia colaborado na produção de Um Dia Qualquer, de Líbero Luxardo. Seu marido, Hélio Castro, foi o protagonista do filme. Déa, do alto de seu cargo, havia elaborado uma visão do desenlace da crise surgida entre Paulo Chaves e parte do clero de Belém revoltado contra a transformação da Igreja de Santo Alexandre em parte de um museu - o que ela dirigia. Ao final da entrevista, ela contou como tinha sido contornada aquela crise:
"Numa reunião com Paulo Chaves, ele me disse: - Me entendo facilmente com o padre, secretário do arcebispo, porque ele gosta das duas coisas de que eu gosto: dinheiro e mulher".

Déa não teria porque inventar esta história que, do meu ponto de vista, retrata aspectos relevantes do perfil de Paulo Chaves. Não estou revelando somente agora o que ela contou. Já havia relatado isto, antes, em rede social, quando Paulo podia se manifestar a respeito. E quando ele queria, se manifestava, como eu bem sabia. Porque houve momentos, durante o longo reinado dele no principal órgão da cultura do Pará. em que reagiu, em entrevistas, às críticas feitas por mim, como jornalista, dizendo que eu "não gostava dele". O motivo que alegava: ele havia aceito um parecer polêmico, com desdobramento na Justiça, graças ao qual foi vetado pela SECULT a publicação de um de dois dos meus livros apresentados ao órgão. Era a visão dele àquilo que, depois, escrevi sobre a imensa concentração de dinheiro público feita por ele em algumas pouquíssimas obras de restauração no acervo arquitetônico de Belém, composto de mais de 2.000 imóveis, enquanto a maior parte deste patrimônio maravilhoso se deteriorava.

Uma decisão dele foi particularmente escandalosa: a de mandar derrubar o muro do Forte do Castelo, de mais de 150 anos, sem levar em conta as opiniões contrárias dos técnicos dos institutos de preservação do Pará.

É possível vislumbrar algum mérito nas gestões de Paulo Chaves? É. Na minha opinião, ele demonstrou o imenso potencial para o desenvolvimento do turismo cultural do Pará, com consequente geração de empregos, existente quando o Estado cuida bem de seu patrimônio histórico. Mas fez isto com espírito extremamente elitista, grande dose de vaidade - basta lembrar que ele renomeou obras seculares restauradas para parecerem realizações dele (o cais do porto, virou Estação das Docas, o Hospital Militar, Casa das Onze Janelas, o antigo convento, Polo Joalheiro etc). E, o que é pior, espalhando desconfiança e ressentimentos - dos quais tinha consciência, tanto que atribuía a mim este sentimento - quanto à correção ética de algumas das suas decisões e atitudes.

Um dia terá de ser revisto, por exemplo, como ele tratou o jovem arquiteto Daniel Campbell - já falecido, cujo nome foi dado pela Faculdade de Arquitetura da UFPa a seu auditório - quando Daniel ganhou o concurso com o projeto que deveria ter sido executado na recuperação dos Cais do Porto de Belém.

Por fim um lembrete para quem acha que Paulo Chaves, como agente público, não pode ser julgado, depois de morto. Se esta impossibilidade, de fato existisse, tornaria inviável a existência da História, como área de estudos e de registro do passado da Humanidade.

O que, obviamente, ninguém pode fazer é entrar no âmbito da vida particular de outra pessoa, esteja ela viva ou morta.

Da minha parte, como jornalista-pesquisador que dedicou duas décadas à recuperação da memória dos construtores de Belém, não tenho nenhuma dificuldade em repetir aqui e agora o que disse e escrevi enquanto nas mãos de Paulo Chaves esteve entregue a distribuição na área da Cultura dos recursos gerados pelos impostos pagos pelos paraenses.



(Ilustração: A Igreja de Santa Alexandre, construída pelos jesuítas, a partir dos anos de 1600, perdeu suas funções religiosas, por decisão de Paulo Chaves, para se tornar anexo do Museu de Arte Sacra, como passou a ser chamado todo o conjunto monumental religioso do qual ainda faz parte o antigo Palácio do Arcebispo)

OSWALDO COIMBRA é jornalista, escritor e pesquisador.

quarta-feira, 17 de março de 2021

PAULO CHAVES POR PEDRO GALVÃO

 Recebi do amigo Anastacio Trindade ...

UM ARTIGO DO PEDRO GALVÃO SOBRE O PAULO CHAVES. 

ESTÁ COMIGO DESDE  2019

É O QUE PENSO:

Pare e pense

Poetas, seresteiros, namorados, correi. É chegada a hora de parar pra pensar.

Tomara que este apelo sensibilize os artistas, compositores, atores, dramaturgos,  pintores e ativistas culturais que estão à frente – ou atrás – do movimento que exige a cabeça do Secretário de Cultura, Paulo Chaves Fernandes. A tirar pelas declarações à imprensa e nas redes sociais, esse é o item número um da sua pauta de reivindicações.

É uma forma de peitar o Governador Simão Jatene. Isso é intransigência, irmãozinhos. Será que é a maneira mais inteligente de negociar com um governante que, nos tempos da Lunik 9 de Gilberto Gil, foi também compositor e seresteiro?

A participação e a ação política são desejáveis e necessárias. Delas nascem os avanços e as mudanças. E o mesmo poderá acontecer agora, se as interferências político-partidárias, as questiúnculas pessoais e os pequenos ódios provincianos não atrapalharem.

Quais os argumentos dos desafetos de Paulo Chaves? Dizem que ele está há vinte anos na Secult sem nunca democratizar o acesso à arte e à cultura. E que seus projetos são elitistas, excludentes, megalomaníacos, personalistas. Menos, pessoal. São 14 anos. Com uma interrupção  de quatro, sobre a qual nem é bom falar. E seus projetos, se me permitem a opinião, não são nem elitistas nem etc.  

Mas vamos por partes. Primeiro a cabeça, que é o que a turma está exigindo.

Deveriam ser sete. Porque sete são as cabeças que tocam a política cultural do governo do Estado: Alex Fiúza de Melo, Secretário de Promoção Social,  e, subordinados a ele, o Paulo, na Secult, Nilson Chaves , no Centur,  Ney Messias, na Secom, Adelaide Oliveira, na Funtelpa,  Dina Oliveira, na Fundação Curro Velho, Fábio Souza no IAP, Paulo José Campos de Melo na Fundação Carlos Gomes. O diacho é que a turma só quer a cabeça do Paulo. Então vamos lá.

Será elitista uma cabeça que, na Secult, editou 39 CDs de música popular paraense e 9 de música erudita, mas também paraense? Trabalhos de artistas como Verequete, Nego Nelson, Waldemar Henrique, o pessoal do Carimbó de Marapanim, Paulo André, Pardal, Waldemar Seresteiro, Lucinha Bastos e os chorões do Bar do Gilson, Mestre Catiá, Sebastião Tapajós,  Antonio Carlos Maranhão, Choro Paraense, Charme do Choro, Andréa Pinheiro e Galo Preto, Salomão Habib, o CD duplo Pontos de Santo, Altino Pimenta, Wilson Fonseca e muitos outros.  

Será excludente uma cabeça que realiza a Feira Panamazônica do Livro, levando milhares de pessoas todo ano ao Hangar, que também idealizou e construiu, colocando a população em contato com escritores e artistas, em shows e eventos? Que realizou Arrastões Culturais em Bragança, Paragominas e Soure? Que editou sessenta e tantos livros e álbuns importantes para a nossa cultura e a nossa história (como o lindo “Belém da Saudade”, a “História do Carnaval  Paraense”, do Alfredo Oliveira, livros sobre cordões de pássaros e sobre Dalcídio, Francisco Paulo Mendes e Benedito Nunes)?  

 Julgue você mesmo. Paulo realizou obras como a primeira grande restauração do Ver-o-Peso, criou a Feira do Açaí e abriu a ladeira do Castelo.  A restauração do mercado de São Braz. A reinvenção da Praça da República, em 1985, que ficou mais bonita do que jamais fora. Restaurou a Praça Batista Campos, o Largo de Palácio, o Largo da Sé com a Casa das Onze Janelas, a igreja de Santo Alexandre (mais bela do que nunca), o Museu de Arte Sacra e o Forte do Presépio. Pensou e construiu a Estação das Docas e o Mangal das Garças, hoje inseparáveis da vida da cidade. E quanto ao teatro? 1) Na Estação, construiu o Teatro Maria Sylvia Nunes, mais um anfiteatro e o Palco Móvel onde artistas se exibem todo dia. 2) Devolveu à cidade, restaurado, o Teatro Waldemar Henrique, que antes era agência bancária e de turismo. 3) Fez o Parque da Residência e nele construiu o teatrinho e a Estação Gasômetro. 4)  Realizou a minuciosa restauração do Theatro da Paz, com toda a sua destinação para óperas e concertos, mas também para teatro e outras artes cênicas.

Será que tudo isso é megalomania? Então, que venha mais!

Depois de Landi e Antonio Lemos, creio que ninguém fez tanto pelo patrimônio arquitetônico, urbano e cultural desta cidade. Não é estranho que seja justamente essa cabeça que o movimento quer? Querem a cabeça. Deveriam querer um corpus, um corpo de idéias e projetos que ajudem a tornar mais bonita, rica, generosa e criativa a nossa cena cultural.

E aí, nesse momento, tenho certeza de que Simão Jatene jamais se negará a pegar seu violão para atravessar a noite cantando e pensando, com toda essa turma talentosa, até o raiar do dia em que vamos caminhar abraçados. Como os irmãos devem caminhar.

                                                            XXXXXXXXXXXXXX

Pedro Galvão é publicitário e, de vez em quando, comete os seus poemas.









terça-feira, 16 de março de 2021

O LOCKDOWN E A NECESSIDADE DE FISCALIZAÇÃO

 

Começou na semana passada a presença constante da PM a partir das 21h, na Praça do Carmo fazendo respeitar as normas para evitar aglomerações. Sem a presença deles, o anfiteatro continuava sendo usado como campo de futebol, com público, inclusive. Todos sem máscara, até os skatistas que por ali apareciam.

As igrejas, presentes em tres praças da área tombada, também devem ser fruto de fiscalização, para o bem, seja dos religiosos que dos credentes.

Hoje, inicio do lockdown, durante o dia inteiro vimos, regularmente, a presença d Policia Militar, seja com viaturas,  motos, ou a cavalo, controlar o respeito do lockdown na Cidade Velha. Isso era necessário, senão continuariam, todos, a ignorar as decisões do Governo do Estado, visando reduzir os casos de Covid-19 na região.











 



A conscientização do povo relativamente as medidas obrigatórias são determinantes para um bom resultado.  A população precisa entender a gravidade desse virus. Mesmo com tanta gente morrendo ainda tem aqueles que não acreditam, e contrariando as normas so prejudicam as tentativas  de freiar a pandemia.

Se não forem fiscalizadas tods as atividades, em todos os bairros, infelizmente, não teremos o resultado esperado. A restrição na circulação de pessoas e o funcionamento apenas dos serviços considerados essenciais, são medidas extremas, mas necessários a fim disso.

Não é de todo dia, ver o anfiteatro da Praça do Carmo, livre de jogadores de futebol.... e portas e cancelos não serem alvo de boladas. A fiscalização  deve, durante o período de lockdown, ser severa e permanente em todos os locais dos vários bairros, principalmente a causa da defesa da nossa saúde. 

É necessário que o descumprimento das normas seja penalizado a fim de educar, todos, ao respeito de tão necessária providência. 

Na nossa realidade as sanções se tornam obrigatórias, como metodo educativo

 A Policia Militar está fazendo o seu dever.

 Que continui assim a fiscalização do respeito das leis.

 A responsabilidade é de todos.... vamos colaborar.

       Mais de  280.000 mortos é uma coisa absurda.