Nos ultimos meses, uns nove, como uma gestação, fomos presenteados com três livros sobre Belém... ou quase, só sobre ela. De tamanhos diferentes, temos uma variação de 300 a 900 páginas, sobre a nossa história. Tres paraenses, coincidentemente, os publicaram entre 2025 e 2026.
Começamos por aquele que fala principalmente de Belém do Pará, com mais de 400 paginas, “Esse rio é minha rua”, do médico Ruy Antônio Barata, conta cerca de cem anos de nossa história. Começa no século XIX contando a chegada de seus antepassados por aqui. Falando sobre sua faamilia, "Logrou recuperar uma inedita visão da construção da identidade nacional revisitando um recorte... do impacto da politica nacional na Amazonia profunda.." Ele conclui suas lembranças, deixando no livro esta frase: “Embora nunca tenha voltado a morar em Belém, acho que agora, na mesma rua que virou meu rio, voltei.”
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Outro escritor neonato e que é mais famoso como fotografo, é o arquiteto Reinaldo Silva Junior com um livrão de mais de 300 páginas: “Entre as águas, em meio à floresta”. Uma obra prima que nos faltava,m pois antecede 1492, nos contando um pouco da história de Portugal para chegar a história do fausto e da decadência do nosso Grão Pará, com detalhes formidáveis...Descobrimos assim a história de uma cidade em diferentes épocas e seu desejo que... “Surgirá um tempo que finalmente fará desaparecer a falta de atenção e cuidado para com esta cidade surgida em meio às águas e a inigualável floresta”
Entre eles, o nosso sociólogo, escritor e jornalista Lucio Flavio Pinto, com seu livro “Memórias de Santarém” de cerca 900 páginas onde “não somente historía episódios que marcaram o Baixo Amazonas nos séculos XIX e XX, como também recolhe valendo-se da memória coletiva não registrada em livros, os “vestígios sutis”... incluindo também o que não diz.
O livro é sobre a Amazonia e Lucio, “no silencio capaz de furar os tímpanos de quem ama a justiça, buscou a “alma secreta do movimento histórico” que... narrativas ufanistas das elites provincianas tentam a todo custo sufocar.
Quem os tem notou... como a cultura pesa. Esses tres livros foram
feitos para serem lidos deitados numa rede, dentro de uma canoa que
desce o nosso grande rio, contando nossa história, ainda tão desconhecida... além de elucidarem tantas outras verdades necessárias a um
bom entendimento da nossa realidade.
Mesmo se Belém foi fundada em 1616, a nossa história, concretamente começa
em 1492 e, nessa canoa, ao sabor do vai e vem da maresia, vamos descobrir um
monte de notícias que não aprendemos na escola. Pian piano vamos dar valor ao conhecimento que os autores nos
proporcionam, abrindo as cortinas de um passado pouco valorizado.
O doce deslisar da nossa canoa ajuda a leitura; o foco nesses
textos é envolvido pela atenção plena
que o espaço calmo e sem barulho nos proporciona, enquanto a floresta passa ao
lado. O argumento tratado, parte da nossa história, me envolveu profundamente e o silencio, portanto, me era necessário.
Apesar do peso de cada um, são todos três de fácil leitura e assim, nos ajudam a
construir uma representação do mundo daquela época. Navegaremos por esse mundo
imaginário até chegar aos nossos dias , muito mais ricos, culturalmente, como
cidadãos.
Estes livros deveriam ser leitura obrigatória nas escolas do... ex Grão Pará, ao menos. Ajudariam o nosso povo a dar mais valor, não só a Amazonia, mas, com conhecimento de causa, no bem ou no mal, ao que somos hoje, e quem sabe até melhorar nosso porvir...
O tempo que temos pela frente é o de uma encruzilhada urgente entre o colapso climático e a sustentabilidade e toca a nós, conscientemente, cuidar disso.
JUNTOS E COERENTEMENTE























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