A QUEM INTERESSAR POSSA...
Este ano a Cidade Velha recebeu, ao menos cinco novos
proprietários de casas antigas situadas na área tombada. Todos começaram a
cuidar das mesmas, seja dentro que fora: pintando-as, cuidando do telhado, das
janelas, do quintal, enfim, produzindo detritos e lixo que, em algum modo chamaram
a atenção de funcionários de órgãos públicos.
Alguns proprietários nos procuraram para saber se
determinados pedidos de alguns órgãos públicos eram comuns, normais e justos.
Lógico que, como Associação de moradores dedicados a defesa do patrimônio histórico
e... aos direitos dos cidadãos, a nossa única
competência é pretender o respeito das leis, por ambas as partes e bem pouco mais: tudo escrito no nosso Estatuto.
Para esclarecer as
dúvidas levantadas, achamos justo procurar a fonte que provocava tais dificuldades. Em ajuda nos veio a
Superintendente do IPHAN Rebeca Ribeiro, e aqui agradecemos a disponibilidade, pois nos forneceu condições de responder.
Publicamos, de fato, uma parte da Portaria do IPHAN que enfrenta a necessidade
de apurar infrações administrativas, quais podem ser elas e a imposição de sanções
aos proprietários. Os interessados podem encontrar na internet a Portaria inteira.
PORTARIA Nº 187, DE
11 DE JUNHO DE 2010.
Dispõe sobre os procedimentos para apuração de infrações
administrativas por condutas e atividades lesivas ao patrimônio cultural
edificado, a imposição de sanções, os meios defesa, o sistema recursal e a
forma de cobrança dos débitos decorrentes das infrações.
...
Considerando que compete ao Iphan no âmbito de suas
atribuições de fiscalizar o patrimônio cultural protegido pela União, a
apuração de infrações e aplicação de sanções;
Considerando a
necessidade de fazer cumprir as disposições do Decreto-Lei nº 25/37, no tocante
à aplicação de multas por infrações contra o patrimônio histórico e artístico
nacional;
Considerando a necessidade de estabelecer procedimento
específico para apuração das infrações e aplicação das penalidades aos infratores
do patrimônio cultural edificado;
...
Art. 1º Regular os procedimentos para imposição de
penalidades decorrentes de infrações contra o patrimônio cultural edificado,
tipificadas no Decreto-Lei nº 25, de 30 de novembro de 1937, os meios de defesa
dos autuados, o sistema recursal, bem como a forma de cobrança dos créditos
decorrentes das infrações.
CAPÍTULO I
DAS INFRAÇÕES ADMINISTRATIVAS AO PATRIMÔNIO CULTURAL EDIFICADO
Art 2º. São infrações administrativas às regras jurídicas de
uso, gozo e proteção do patrimônio cultural edificado, nos termos do que
dispõem os artigos 13, 17, 18, 19, 20 e 22 do Decreto-Lei nº 25, de 30 de
novembro de 1937:
I – Destruir, demolir
ou mutilar coisa tombada (art. 17 do Decreto-Lei nº 25/37): Multa de cinqüenta
por cento sobre o valor do dano e reparação do dano;
II – Reparar, pintar ou restaurar coisa tombada sem prévia
autorização do Iphan (art. 17 do Decreto-Lei nº 25/37): Multa de cinqüenta por
cento sobre o valor do dano e reparação do dano;
III – Realizar na vizinhança de coisa tombada construção que
lhe impeça ou reduza a visibilidade, sem prévia autorização do Iphan (art. 18
do Decreto-Lei nº 25/37): Multa de cinqüenta por cento sobre o valor da obra
irregularmente construída e demolição da obra;
IV – Colocar sobre a coisa tombada ou na vizinhança dela
equipamento publicitário, como anúncios e cartazes, sem prévia autorização do
Iphan (art. 18 do Decreto-Lei nº 25/37): Multa de cinqüenta por cento sobre o
valor do equipamento publicitário irregularmente colocado e retirada do
equipamento;
V – Deixar o
proprietário de coisa tombada de informar ao Iphan a necessidade da realização
de obras de conservação e reparação que o referido bem requeira, na hipótese
dele, proprietário, não possuir recursos financeiros para realizá-las (art. 19
do Decreto-Lei nº 25/37): Multa correspondente ao dobro do dano decorrente da
omissão do proprietário.
VI - Deixar o adquirente de bem tombado de fazer, no prazo
de 30 (trinta) dias, o devido registro no Cartório de Registro de Imóveis,
ainda que se trate de transmissão judicial ou causa mortis (art. 13, §1º do
Decreto-Lei nº 25/37): Multa de dez por cento sobre o valor do bem;
VII - Deixar o adquirente de bem edificado tombado, no prazo
de 30 (trinta) dias, de comunicar ao Iphan a transferência do bem: (art. 13, §
3º do Decreto-Lei nº 25/37) Multa de dez por cento sobre o valor do bem;
VIII – Alienar bem edificado tombado sem observar o direito
de preferência da União, Estados e Municípios (art. 22, § 2º do Decreto-Lei nº
25/37): Multa de vinte por cento sobre o valor do bem; Parágrafo único: A
comunicação de que trata o inciso V deverá ser feita por escrito, antes de
ocorrido o(s) dano(s).
Art. 3º Sem
prejuízo da penalidade de multa, haverá o embargo da obra, assim considerada
qualquer intervenção em andamento sem autorização do Iphan, inclusive a
colocação de equipamento publicitário, em bem edificado tombado.
Parágrafo único.
No caso de resistência à execução da penalidaderesir prevista no caput, o embargo
poderá ser efetuado com a requisição de força policial.
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