quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Carta Aberta à FUMBEL


                                      Belém 09 de setembro de 2019                                                                                                            
 Ilmª Sra.

Taina Chermont Arruda
Fundação Cultural do Município de Belém - FUMBEL
Belém (PA)

Bom dia.

Com a presente vimos, mui respeitosamente, expor nossas preocupações quanto aos abusos que ultimamente temos observado na área tombada da Cidade Velha.

Carnaval, Festas Juninas e o Círio de Nazaré, são ocasiões em que a falta de respeito e o aumento da poluição sonora acontece invariavelmente, provocando enormes danos, devido a trepidação, e é quando a nossa área tombada sofre mais abalos. Ultimamente, a esses eventos devemos incluir mais dois: os fogos durante a saída das noivas após os casamentos nas igrejas tombadas, e as manifestações com trios elétricos em frente a ALEPA.

A nossa Constituição Federal estabelece no seu art. 216, V, § 1º:O Poder Público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o patrimônio cultural brasileiro(...).

 Este é o motivo que nos leva a colocar algumas questões, pois, examinando essa frase, percebemos que aqui também indicam uma forma de prevenção, com a ajuda da comunidade.

Se formos verificar o que dizem os artigos 63, 79, 80 e 81 do CÓDIGO DE POSTURA DO MUNICÍPIO DE BELÉM, descobriremos que a razão de tanta poluição sonora é,  a desobediência a esses artigos. Vamos começar com as seguintes perguntas:
1- A autorização ao Boteco do Carmo tem um horário especificado para que a banda musical se apresente no fim de semana?
2- Quantos decibéis foram autorizados?
3- As calçadas são para pedestres, mas, o bar as ocupa com mesas e cadeiras;
4- Algum dia foi feito algum controle sobre o respeito às normas em vigor, na Praça do Carmo, na Praça da Sé e em outras da área tombada da Cidade Velha?
1                    5-   É prevista a existência de estacionamento para os clientes dos locais autorizados na área entre a Sé e a igrejá do Carmo?      
                6- Caso voltem as serestas será respeitado o limite de 50 decibeis previstos das normas nacionais?
                        7 -  Será respeitada a hora do silencio?     
                        8-  Vão ser colocados banheiros ?
                   9 -   Continuarão a ser vereadores e possíveis candidatos apoiados pela Prefeitura as próximas eleições os organizadores/apoiadores?  (está escrito no convite)
                        10-    Voces sabem quantas pessoas anciães moram na praça do Carmo e no entorno da Sé?

Quanto aos pontos 1 e 2, acima, o Código de Posturas, num de seus artigos mais ignorados, diz:
- Art. 63 - Para impedir ou reduzir a poluição proveniente de sons e ruídos excessivos, incumbe à administração adotar as seguintes medidas: 
I - impedir a localização, em setores residenciais ou comerciais, de estabelecimento cujas atividades produzam ruídos, sons excessivos ou incômodos;
III - disciplinar e controlar o uso de aparelhos de reprodução eletro-acústica em geral;
VII - impedir a localização, em zona de silêncio ou setor residencial, de casas de divertimentos públicos que, pela natureza de suas atividades, produzam sons excessivos ou ruídos incômodos;
- Art. 79 – Será considerado atentatório à tranqüilidade pública qualquer ato, individual ou de grupo, que perturbe o sossego da população.
- Art. 80 – A administração municipal regulamentará o horário de realização de ensaios de escolas de samba, conjuntos musicais, rodas de samba, batucadas, cordões carnavalescos e atividades semelhantes, de modo a preservar a tranqüilidade da população.
- Art. 81 – A administração impedirá, por contrário à tranqüilidade da população, a instalação de diversões públicas em unidades imobiliárias de edifícios de apartamentos residenciais ou em locais distando menos de 200m (duzentos metros) de hospital, templo, escola, asilo, presídio e capela mortuária. 

O ponto 3, por sua vez, é detalhado sempre no Código de Posturas:
- Art. 30 - Nos logradouros e vias públicas é defeso:
* calçadas: II - é defeso também transformar as calçadas em terraces de bar, colocação...

Este artigo do Código de Posturas foi modificado com um decreto, e ninguém notou o erro, de tal forma que esse abuso se transformou num costume incivil, com o aval da Prefeitura. O MPE porém mandou uma recomendação dizendo que tal artigo era nulo... MAS FICOU POR ISSO MESMO. (https://civviva-cidadevelha-cidadeviva.blogspot.com/2016/02/as-calcadas-segundo-o-mpe.html).

Todos os artigos mencionados não tem sido respeitados, mormente, o art. 81, aquele que alude à instalação de diversões públicas em locais distando menos de 200m (duzentos metros) de hospital, templo, escola, asilo, presídio e capela mortuária. Gostaríamos de saber em quais normas se basearam para autorizar as atividades abusivas que vemos na Cidade Velha?

A Lei 9.605/98, Lei de Crimes Ambientais – LCA está em plena vigência, e deve ser respeitada, para ajudar a defender o nosso patrimônio . Quem a deve fazer respeitar quando estabelece que:
 - Art. 54. - Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora E DOS BENS HISTÓRICOS.

Poderiamos continuar citando as Leis que falam das sanções relativamente a poluição sonora como o Decreto- Lei nº 3688/1941 Lei das Contravenções, mas paramos aqui. 

                Se formos falar das cores berrantes que hoje invadem a área tombada, temos:  a Lei Orgânica do Município  que nem  prevê  prospecçãoalguma, mas a necessidade de:
- Art. 38, item IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras de arte tombadas e de outros bens de valor histórico, artístico ou cultural;
Mais adiante, inclusive, fala de preservação;
- Art. 116 item VI - preservar o patrimônio ambiental e valorizar o patrimônio arquitetônico, artístico, cultural e ambiental do Município, através da proteção ecológica, paisagística e cultural;

Não podemos deixar de perguntar, porém, em boa fé: por que não aplicar essas normas, se ainda estão em vigor, para defender, salvaguardar, preservar e evitar descaracterizações, ao menos, no que sobrou da nossa memória histórica?   Até que sejam substituídas por outras, estas leis, porém, continuam valendo e devem ser aplicadas. Ou será que foram abrogadas?

O certo é que erros e omissões cometidos por funcionários públicos no exercício de suas atividades não podem continuar a justificar a permanência ou legitimar as discrepâncias que, todos os dias, vemos acontecer.

Apesar de terem começado a defender o patrimônio histórico nos anos 30 do século passado,  nota-se que em nenhuma dessas leis a área tombada é levada em consideração. Não seria o caso que o novo Plano Diretor cuidasse dessa leviandade?

Atenciosamente

Dulce Rosa de Bacelar Rocque
Presidente Civviva

https://laboratoriodemocraciaurbana.blogspot.com/2019/02/a-prevencao-na-defesa-do-nosso-patrmonio.html


domingo, 8 de setembro de 2019

LA VEM O CÍRIO...



...e o Auto do Cirio também.

Na audiencia da OAB, a representante de um orgão publico me disse que são “obrigados a autorizar o Auto do Círio, sem restrições”... Tal afirmação, imediatamente nos preocupou.

O reconhecimento pelo IPHAN  como patrimonio imaterial so eleva o valor do Auto do Cirio, o qual não deve dar motivos para criticas a causa de desrespeito de qualquer lei.  A  consequencia dessa possibilidade, atinge seja  os idosos, os animais e até a natureza, para não falar do patrimônio histórico. Para fazer cultura é próprio necessário tanto barulho?


 Lemos na internet sobre poluição sonora, que: “A expressão lei do silêncio faz referência a diversas leis federais, estaduais ou municipais que estabelecem restrições objetivas para a geração de ruídos durante dia e noite, em especial no caso de bares e casas noturnas.”, mas não somente.

Dizem também que: “Sons em volume elevado são danosos à saúde humana e animais.”e nós acrescentamos, aos prédios, tombados ou não, também.  Aliás, a internet coloca a disposição de quem quer se  informar, mal ou bem, um monte de material sobre poluição e trepidação. As Instituições religiosas e as de ensino e educação tem acesso a muito mais coisas a respeito, mas que utilizo fazem disso? Quais exemplos concretos vemos dessa leitura? 

Ao menos respeitar os decibéis previstos nas normas nacionais (50 decibeis) ou aquelas municipais, não atualizadas (70), mas superar os 115 decibeis em frente ou ao lado dos nossos principais prédios históricos, o que quer demonstrar ? Em 2017, ao sair da Praça do Carmo, o Auto do Cirio superava os decibeis dos trios elétricos carnavalescos.

Por tras do Auto do Cirio temos um órgão que, estatutariamente, ha tres   funções básicas: ensino, pesquisa e extensão. Com certeza sabem não serem os únicos que, uma vez por ano, poluem a área tombada, fazendo trepidar os prédios públicos e particulares, mesmo se com um espetaculo muto bonito. A eles devem ser  acrescentados, atualmente, quem organiza os casamentos oferecendo como serviço o lançamento, também, de fogos, e os trios elétricos das manifestações em frente a Alepa. Todos superando de muito os decibeis estabelecidos pelas normas em vigor.

Um ano tem mais de cinquenta semanas e na Cidade Velha temos quatro igrejas muito procuradas. Digamos que nem todos os casórios façam essa ação danosa ao nosso patrimônio que vai, porém, se unir aos fogos das festas dos santos comandados, as manifestações em frente a Alepa, aos batedores de tambor diuturnos, ao carnaval, etc, etc, etc, Se descobre  desse modo que são pouquíssimos os dias, talvez em julho,  de silencio total.

As várias transladações da N.Sra. de Nazaré acompanhadas de fogos rumorosos e buzinas, de um hospital, para um Tribunal; de um colégio para um Banco; de uma escola para um Ministério durante os dias que precedem o Cirio, ajudam enormemente a aumentar a poluição... em toda a cidade. Parece até que ja estamos surdos, pelo que se vê.

Esse raciocínio é so para demonstrar que não “É SO UM DIA NO ANO” que  fazem trepidar nosso patrimônio histórico. Devemos somar todas essas ações para nos aproximarmos da realidade. Na verdade é absolutamente falsa essa frase, pois fazemos parte de uma sociedade a qual, concretamente, demonstra bem pouco interesse  em educar e fazer respeitar, seriamente, as leis e o proximo: seja o meio ambiente, que as pessoas.... haja visto que tem quem pode até ser autorizado a não respeitar as leis.

Diariamente vemos o desrespeito das normas que falam de “silencio”, de “rumores”, de ‘trepidação’, de “poluição” e so vimos suspenderem o uso dos trios elétricos durante o ultimo carnaval... Transporta-lo porém para a Tamandaré, com os trios elétricos, vocês acham que é a solução ideal? Estão sempre no entorno de uma área tombada.

Com certeza os tempos mudaram, mas os autos de origem medieval  continuam a  satirizar os poderosos e os religiosos que se preocupam apenas com questões materiais. Eles ja tinham, seja  a finalidade de divertir, de moralizar ou de difundir a fé cristã mas também , com as farsas, falar do cotidiano. No caso de Belém, o Auto do Cirio  dá uma atenção especial para o que é  nosso seja quanto as etnias que quanto as religiões, principalmente, mas não so. As críticas à sociedade são benvindas, mas seria melhor que tudo acontecesse, sem poluição de algum jeito.

Naquela época, usavam tambores, apitos, flautas...hoje, se não fizerem um barulho enorme, parece que não é cultura. Esse é o ponto...e o problema para a defesa do nosso patrimonio histórico e...dos nossos ouvidos. Em algum modo a valorização  e preservação do nosso patrimonio historico cultural, deve ser feita no respeito das  normas em vigor. Seria uma opção educativa fazer isso, principalmente como exemplo aos alunos.

O Arraial do Pavulagem, também defende nossa cultura, e, ainda bem, não usa trios elétricos, e, além de tambores, usa instrumentos locais, nossos. A trepidação é bem inferior aquela provocada pelos trios elétricos, mas, também precisam de espaço...e a área tombada é desaconselhável.

Em ambos os casos temos uma boa quantidade de seguidores que, SEJA DE DIA QUE DE NOITE, não respeitam nenhum tipo de propriedade: sejam automoveis estacionados no seu caminho, que muros e portas de prédios públicos ou particulares que são transformados em mictório.


Atras da antiga SNAPP, tem uma área enorme, sem vizinhos. Um tempo era chamada Pça Kennedy, hoje  Praça Waldemar Henrique....não podiam ir para la seja o Auto do Círio que o Arraial do Pavulagem?  Os danos as pessoas e as coisas seriam muito menores... isso,  caso  queiram continuar a desrespeitar as leis e superar os decibéis.

A CIDADE VELHA MERECE TODO O NOSSO RESPEITO, COMO AS LEIS TAMBÉM.

A AGREGAÇÃO DE VALORES HISTÓRICOS NÃO NECESSITA DE TODA ESSA POLUIÇãO SONORA QUE VEMOS ACONTECER.

É MAIS QUE HORA DE TOMAR UMA DECISÃO COERENTE E COMEÇAREM A RESPEITAR AS LEIS, AS PESSOAS, OS ANIMAIS O AMBIENTE... E O PATRIMÔNIO, SENÃO QUE TIPO DE INSTITUIÇÕES EDUCATIVAS SERIAM?

O METRO TEM CEM CENTIMETROS....PARA TODOS, NÃO SOMENTE PARA OS CARNAVALESCOS. 

domingo, 1 de setembro de 2019

OSTENTAÇÃO E...INCIVILIDADE




Não sabemos de quem foi o casamento realizado neste sábado na Igreja do Carmo: a Igreja, tão linda, foi  totalmente coberta de flores. Desde a parte externa, nas grades, tinham arranjos florais com luzes. Em vários pontos das laterais foram, inclusive,  instalados aparelhos de ar condicionado.


Na entrada serviam um pequeno buffet para aqueles  que chegaram cedo... e mesmo durante a missa ele continuou muito concorrido. Ao entrarem os convidados receberam umbrinde: a confecção incluia agua e lenços com as inicias GM;
A ostentação era total. A beleza da igreja foi toda coberta com flores, incluido os altares laterais. Era próprio necessario tudo isso numa igreja que, sem nada, é ja tão bonita?

Do lado de fora os seguranças eram vários, e os carros, não encontrando onde estacionar, procuravam brechas para subir na calçada. A Guarda Municipal encontrou dificuldade para estacionar na porta do colégio do Carmo a causa de um veiculo estacionado, de enviesado,  com parte dianteira em cima da calçada.
Um gerador colocado em frente a igreja fornecia energia para os aparelhos de ar condicionado


A noiva deve ter chegado as 21,30h mas as 22h, quando fomos pedir ajuda a Guarda  Municipal que estava na porta do colégio e em frente do boteco que abusava dos decibéis,  notamos que alguns convidados começavam a sair. O casamento continuava: os Padres eram Franciscanos vindos da igreja Sto Antonio de Lisboa, mas quem os casou foi o Frei Francisco, vindo diretamente de S.Paulo. Muitos convidados aproveitavam o bufet....



Quando pensavamos que a ceremonia tinha acabado, começamos a ouvir os primeiros ruídos daquilo que gostariamos não acontecessese: a queima DE FOGOS. Eram 23,30h.

Começava a parte relativa a incivilidade. Esqueceram que ali  moram pessoas, inclusive de idade avançada? Que aquela hora o silencio, por lei, ja é obrigatorio? 
Não foram informados dos decibeis a serem respeitados? Será  que eles não sabem que, além da poluição sonora, a queima de fogos de artifício emite compostos poluentes significativos para a atmosfera? Não sabem também que tais poluentes são caracterizados como uma forma de poluição do ar?
Com qual intuito todos esses danos são provocados?

Nos últimos anos aumentou muito o numero de  casamentos que usam tal artificio para agradecer os santos por ter arranjado um par....ou para se exibir...ou para que??? Se somarmos essas ceremônias nas igrejas tombadas da Cidade Velha as outras festas religiosas que acontecem nas praças, ao Auto do Círio, as manifestações com trio elétrico em frente a Alepa e durante o carnaval, vamos notar que superam ou  se aproximam a uns trezentos dias... de trepidação. Em troca de que?
Os danos que isso provoca ao patrimonio, tem alguém que se preocupa em medir e tomar providencias? As autoridades presentes em tais ocasiões são conscientes do que viram e ouviram? Vão fazer algo para mudar esse comportamento sem criterios e incivil? Nós denunciamos há anos e não vemos ações  que alcancem os organizadores de tais manifestações  danosas ao nosso patrimonio,  e que continuam a se repetir.
O que resta para os moradores além de raiva e aborrecimentos?...o lixo deixado sob
 as mangueiras.. e, quem sabe rachaduras e goteiras nas suas propriedades ... Foi para isso que tombaram a Cidade Velha?
As duas horas da manhã ainda estavam tirando as flores para  jogar no canto da Siqueira Mendes em frente a igreja.
Essa arrumação toda começou na sexta-feira... e na hora da missa da manhã de domingo ainda se viam os brindes pelo chão da igreja, as flores no lixão em frente a igreja e  o descarte dos fogos sob uma mangueira.
QUE CIVILIDADE É ESSA QUE TEM DINHEIRO PARA ESBANJAR MAS NÃO LEMBRA QUE  AS LEIS DEVEM SER RESPEITADAS ?

QUE ADMINISTRAÇÃO É ESSA QUE É CAPAZ DE PRESENCIAR O DESRESPEITO DAS LEIS QUE DEVERIA DEFENDER SEM TOMAR AS DEVIDAS PROVIDÊNCIAS VISTO TANTO DESRESPEITO??

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

FOTOS DA AUDIENCIA DA OAB


Fotos da audiência pública sobre Política de Valorização e Restauração do Patrimônio Público de Belém, realizada na tarde de quarta-feira, 21 de agosto, no Auditório da OAB-PA. 

Compareceram: Representantes da Ordem dos Advogados do Brasil, Prefeitura de Belém, Secretaria de Estado de Cultura, Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, Instituto do Patrimônio Histórico e Arquitetônico Nacional, entre outros.




FALA O PRESIDENTE DA OAB
 A Dra. LENY organizadora do evento.













A representante da Fumbel, Tainá, falando
Fala o Arq. Acyr Castro







a Presidente da Civviva.
A Dra, Leny, Dr. Acyr e Dulce Rosa






Alguns dos presentes

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

PASSEANDO PELO "COMÉRCIO"


                  JA DIZIA OTTO LARA REZENDE:
 DE TANTO VER, A GENTE BANALIZA O OLHAR: VÊ,NÃO VENDO

...E eu fui olhar pra cima, quando entrei na João Alfredo, antiga rua do Comécio chic de Belém. Seus prédios, ecléticos, do tempo que tinha riqueza por aqui, estão lá...

Era melhor que não tivesse levantado os olhos, evitando de ver as calçadas e o meio fio completamente cheios de mercadorias made in China, porque o que vi foi isto...





.















Preferi virar a direita e não olhar mais para cima... esse festival de cores me transportava para as fotos da Africa do Sul que minha filha me manda . Impossivel pensar que isso era Belém do Pará...

Daí foram as calçadas que me chamaram atenção: eram um horror, mas não tive mais coragem de fotografar nada...

Viver nos shoppings dá nisso: não reconhecemos mais o que era nosso, porque mudaram a nossa memória e não tinha ninguem interessado em reclamar.

A nossa juventude que hoje trabalha nos orgãos publicos de defesa do patrimonio, cresceu vendo esses absurdos e pensam que sempre foi assim... Não defendem a 'memoria historica' da cidade, mas a que eles conheceram...

Tombaram uma área de Belem porque "Centro Historico" e deram uma mão de tinta ajudados pela Coral, tirando assim a razão de ter feito algo para salvaguardar nossa memória histórica.

                    ESSA É A MEMORIA DE QUEM?
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P.S=  Esta é a Africa do Sul.

Estas são na Siqueira Mendes - Cidade Velha. Area tombada.




Dr. Assis








                                                                                   Esta é na Joaquim Tavora          

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

O CAOS DE DOMINGO...


LEVAMOS TRES DIAS PARA ENTENDER O  QUE ACONTECEU NA ÁREA TOMBADA DA CIDADE VELHA.

Tudo começou nas ruas Gurupá e Cametá. O povo tinha vindo de outros bairros e ocupavam as ruas fazendo barulho, inclusive com tambores.
Os moradores começaram a reclamar e postar fotos em alguns zapps, inclusive aqueles onde a PM é presente.


Na Praça do Carmo, um picnic familia acontecia em frente ao Colegio do Carmo, até que a chuva chegou e eles foram para o bar.

Enquanto isso o caos aumentava nas ruas Gurupá e Cametá e começa a chegar a Policia. Nos zappps se lia " Evitem a Gurupá com a Cametá quem estiver de carro"... "Rotam e PM chegaram pra intimidar inclusive com metralhadoras. "... "Mais de 20 policiais aqui hj, quatro viasturas, que inclusive fecharam as ruas..."  Parecia uma guerra.



Na praça do Carmo estava tudo normal e o domingo corria tranquilo.

As 19,30, porém, começa a chegar gente na Praça  do Carmo e logo começam uma batucada na escadaria.  Como os decibeis superavam o que as normas determinam nós, as 20h, pedimos ajuda ao CIOP  (protocolo M 886743) e nos disseram que as viaturas estavam ocupadas com fatos mais graves. Ficamos aguardando providências.

















Mais gente chegou... e nada da PM aparecer, e o barulho em frente a uma igreja tombada aumentava.



Escrevemos para o Oficial do dia do 2° BPM e para o Comandante também, mas não obtivemos nenhuma resposta.

Até as 23,30h ninguem passou para tomar providências...No zap porém, chega esta nota "Uma cena inimaginável acaba de acontecer na cidade velha.  Nove carros da Rotam com polícias fortemente armados encerram de forma abrupta um batuque que faz parte da programação Circular. Segundo eles por solicitação dos moradores. Quando penso que já vi tudo...." mas na praça do Carmo ninguem tinha aparecido.


No dia seguinte, depois de ver o  lixo que ficou na praça (misturado com as folhas das mangueiras),  lemos que os batuqueiros admitiam... 'Como resistir é preciso viemos em cortejo para a Praça do Carmo." 

RESISTIR... bela resistencia feita desrespeitando não somente as leis em área tombada, mas os moradores também...e viamos os 'resistentes' irem urinar nas portas das casas e nos veiculos por ali estacionados. 

Lemos também a Nota de esclarecimento  da Circular onde admitia não ter controle do que acontece  fora do que eles programam...Por um motivo, ou por outro, quando acontecem  "seus objetivos principais" os moradores é que pagam o pato, tem sempre problemas.

Não podemos ignorar que "o estímulo a um ambiente artístico-cultural nos bairros do Centro Histórico de Belém como forma de valorização e reconhecimento de seus patrimônio material e imaterial .." quando não bem estruturados, estimula também outros fatos pouco agradeveis e não bem recebidos por muitos moradores. Além do mais, essas " diretrizes básicas a ocupação cidadã das ruas e espaços públicos,"...foi decidida ou discutida com os moradores? É uma imposiçao de quem? Visto que tal opção não está dando os resultados que esperavam,  porque insistir?  As reclamações so fazem aumentar.

Os exemplos que tivemos até agora deveriam ter deixados  motivos, até em quem dirige a Circular, para pensar no próximo de modo mais respeitoso. Seria muito mais util e menos problematico para eles e para os anciães que vivem na area  escolhida para ser modificada.

Aconselhamos, numa boa, caso insistam em querer mudar a vida na Cidade Velha, que mudem primeiro a direção de suas atividades  verso a educação patrimonial e sobre o " respeito a toda legislação e códigos de postura ..." que não vemos acontecer.  Depois, quem sabe, seria diferente o comportamento dos frequentadores desta área tombada. Quem defende o patrimonio, agradeceria.





domingo, 4 de agosto de 2019

O QUE É ISSO, GENTE?




Vinagre, olio, sal e pimenta, com certeza era o que tinha nas garrafas pet e nas vasilhas que duas mocinhas colocaram em cima dum banco da Pça do Carmo... Uma continuou a ir e vir com objetos e coisas várias que apoiou no chão, a outra, em vez, acendeu um fosforo.

Entrei em casa. Fui pegar o celular para fotografar o que estavam fazendo... Voltei e já tinha uma fumaça que saia debaixo do banco. Uma delas pega uns espetinho e se abaixa. Ali devem ter colocado um fogareiro ou algo similar.


Um som começou a sair de algum lugar, talvez um carro... Mais pra la, embaixo de uma arvore, mesas e cadeiras foram arrumadas e se acomodaram: avós, pais, filhos e netos. De longe chegava  barulho de fogos...


As mocinhas começaram  a ir e vir com espetinhos fumegantes que entregavam aqueles que esperavam sentados ao redor das mesas. A música aumentou. Mudaram o tipo de musica e o vai-e-vem delas continuava...Seja um tipo que o outro, das musicas,  não eram de gosto muito agradavel. Medi os decibéis: 65.


Depois de ter feito três fotos entrei, e na minha cozinha notei que o tempo estava fechando... Passaram mais dez minutos e ... kkkk... começou a chover. Voltei para ver o que acontecia: todos se levantaram das mesas e entraram no bar do canto da D.Bosco com a Praça.

Juro que não pedi ajuda a nenhum santo, mas agradeci pelo chuvisco. Já estava ficando com medo que a musica passasse para 79 decibeis como sempre. As normas estabelecem 50/55 decibeis que, de qualquer jeito, já dá fastidio... 
Uma outra  norma diz que não deveriam ser autorizadas atividades rumorosas a menos de 200 metros de igrejas, escolas, hospitais... Mas será que não era apenas um convescote familiar? (que, de quaquer jeito não é permitido).

QUANDO TUDO PARECIA TRANQUILO AS 19,30, na escadaria da praça umas pessoas começaram a tocar tambor... O numero de ouvintes e cantores começou a aumentar. Fiscalização? Nenhuma. 



Transformar calçadas e praças em: dormitório, estacionamento, campo de futebol, alcova, mictorio e cozinha (mesmo se não é ainda tempo de Cirio), não são previstas nas normas que regem a vida em sociedade. O sentimento de "pertencimento" ou o fato dos individuos pensarem em si mesmos como membros de uma coletivade,  parte integrante de um sistema maior, é inexistente. Vale o direito individual, onde cada um se permite o que bem entende abusando, inclusive da poluição sonora. Neste momento 75 decibeis dentro de casa.



 Se  ninguem educa as pessoas; se nem em casa nem na escola se aprende o que as leis pretendem; se não existe fiscalização, como  pretender que se transformem em cidadãos? Que cuidem da cidade ou respeitem o uso das áreas públicas?
Chamamos o 190. Será que alguem  virá fiscalizar  o que está ocorrendo? Será que eles tem autorização?


No direito de ir e vir, ao menos duas coisas não são permitidas: a poluição sonora e a ambiental, mas... não é o que se vê na área tombada. Para determinados usos os espaços devem ter equipamentos e instalações bem diferentes daqueles previstos para uma praça. A falta de banheiros quimicos, neste momento os leva a urinar na porta das casas e nos carros estacionados.

A incivilidade das pessoas é surpreendente. Vários são os usos que já deram às praças e calçadas da cidade, apesar do Código de Postura e de tantos Guardas, Policiais e fiscais das várias Secretarias Municipais, que  nem sempre encontramos quando é necessario. A tarde, um carro parou, abriu o bau e exibiu sua musica altissima. Conseguimos que desligassem, e agora chegam os batuqueiros...


Se não fosse perigoso podiamos  fazer um vídeo para mandar para o Iphan de Brasilia, usar na semana do patrimonio, para que saibam que existe este uso também das praças tombadas, o que inclui poluição sonora em abundancia. 

                       A FALTA DE FISCALIZAÇÃO, É EVIDENTE QUE 

                                           FAVORECE TAIS ABUSOS 

PS- Até as 23,30 h não tinha aparecido ninguem para impor respeito na Praça.