segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

PARABENS PRA VOCEEEE.....


Hoje, Belem encerra seus primeiros tres seculos e inicia a contar seus 400 anos.
Na verdade e' a Cidade Velha que faz aniversario, ou seja, aquela ilhotinha, rodeada pelo rio Guama e o Piri, que foi  escolhida para ser a sede do Forte do Presepio, em 1616.
Belem, comeca a existir, concretamente, quando doaram a primeira legua de terreno para forma-la, e, um belo dia, com o aterraramento do Piri (que depois se transformou na Av. 16 de Novembro), a ilhota Para' passou a ser terra firme, unindo-se a Campina e passando a ser chamada Cidade Velha...

Que podemos dizer desses tres seculos?
- Que tivemos altos e baixos.
- Que, redescoberta pelo Marques de Pombal, tivemos o periodo das criacoes de Landi;
- Que, depois de tantos soprusos, o povo se levantou e aconteceu a Cabanagem;
- Que, de desconhecida, veio a tona com o periodo da borracha;
- Que Lemos a transformou embelezando-a;
- Que foi totalmente abandonada, depois da entrada da Inglaterra no Mercado do 'cauciu'
- Que JK, com a abertura da BR316, tentava uni-la ao resto do Brasil;
- Que o "progesso" aproveitou para comecar a destruir nosso patrimono historico;
- Que os azulejos da Cidade Velha comecaram a desaparecer;
- Que o asfalto comecou a cobrir nossos paralelepipedos em troca do aumento do calor;
- Que edificios comecaram a substituir-se aos casaroes antigos;
- Que ,,,.
- Que...
- Que...

Com certeza nao era o caso de segurar o progresso... mas era necessario chegar ao ponto que chegamos?
-os azulejos sairam da frente das casas para as colecoes privadas, em Belem, no Brasil e ate' na Alemanha;
- as casas coloniais foram substituidas por casas com pateos,  terracos e jardins;
- e hoje, com ou sem azulejos, as vemos serem substituidas por estacionamentos particulares.

A opcao de dar as costas ao rio, como forma de defesa usada na epoca da sua fundacao, foi acentuada com o fechamento abusivo de ruas que acabavam na orla. As casas coloniais, pintadas com cores tenues (duas ou tres cores), agora sao coloridas, carnvalescamente, com cores que nossa memoria nao lembra.

As leis de defesa do nosso patrimono historico sao ignoradas ate' por quem e' pago para defende-las. Aquela musica do grupo Mosaico de Ravena, dia a dia esta se concretizando. Cenarios para turistas sao criados, mesmo se bonitos, ignorando o que pretendem as leis e nossas lembrancas.

Espetaculos rumorosos, onde a poluicao sonora ajuda a debilitar nosso patrimonio arquitetonico, sao autorizados dentro e fora desses predios, mesmo se o Codigo de Postura determina uma distancia de 200m de igrejas, escolas, hospitais....

Hoje, o maior presente que podemos dar a Belem, e' juntar-mo-nos aqueles que lutam para defender o que sobrou da nossa historia....e' apoiar a Civviva nesse sentido.

PARABENS BELEM.







quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

PEQUENO BALANçO


Chegamos ao fim de mais um ano de atividade em defesa do nosso patrimonio historico, através de batalhas em vàrias frentes, na Cidade Velha e fora dela.

Nao contamos com muitas vitorias, mas... ao fechar o ano de 2014 podemos dizer que demos alguns passos a frente, nao somente em relaçao ao carnaval no bairro mais antigo de Belém, mas na defesa do uso das calçadas pelos pedestres.
- Nòs tinhamos pedido que na Cidade Velha passassem os blocos que respeitam a nossa tradiçao: com mascarados e bandinhas, ou seja sem abadà e carro som...e parece que isso foi aprovado.
- Perguntamos ao MPE se um decreto poda modificar a lei do Codigo de Postura, permitindo o uso das calçadas como "terrace" de bares e restaurantes, contrariando o que preve a citada lei. Parece que também tinhamos razao, e algo està acontecendo-
- Os medidores de energia, denunciados com um ajoelhaço antes do Cirio, apesar do que a Celpa escreveu aos jornais, continuam na Cidade Velha. Passem pela Dr. Assis e vao ver, como mentira tem perna curta... e quem deve aplicar a lei, o que faz? Tiraram alguns da Dr. Malcher, e o resto ???

A maior dificuldade que encontramos é, exatamente, o respeito das leis em vigor. Alias, bem poucos as conhecem...como aplica-las, entao? Cada tentativa a respeito é uma batalha, uma guerra contra a prepotencia de quem nao sabe, nem quer usar a democracia que conquistamos (alguns de nòs lutaram por isso)... e a falta de fiscalizaçao, que se protrae ha anos, ajuda essa situaçao de ilegalidade.

Em todos os setores da nossa sociedade vemos o comportamento, de alguns "reizinhos", feudatarios de algum setor, os  quais pensam que todos somos ignorantes e/ou coniventes e que nao existam cidadaos conscientes de seus deveres e direitos dispostos a continuar essa luta pela aplicaçao do que preve a democracia.

Passaram-se cerca de 30 anos do fim da ditadura, mas alguns comportamentos "saudosos" continuam a fazer mal a sociedade, que, muitas vezes, surda e muda, nem sempre se apercebe o quanto isso é perigoso.

Vamos portanto insistir na luta com relaçao as ruas "fechadas" abusivamente; pelo respeito do gabarito na Cidade Velha (e fora dela se for necessario); pela reduçao do transito e da poluiçao sonora no Centro Historico; pela necessidade de estacionamento para as atividades autorizadas... Continuaremos a pedir a regulamentaçao das leis para que possam ser aplicadas com o devido respeito...e por que nao, pedimos também,  um bocado de segurança.

Mas, voltando ao nosso balanço de fim de ano, "è de gota em gota" que estamos enchendo a nossa Taça de satisfaçoes, e temos que agradecer, nos casos acima citados, a disponibilidade demonstrada pela administraçao municipal de começar a enfrentar esses problemas.

Somos gratos aos que apoiaram nossas lutas e esperamos que o Ano Novo nos traga  mais satisfaçoes e vitorias nessa "guerra" pela aplicaçao do que preve a democracia e que muitos cidadaos se aproximem a quem ja està lutando pela transparencia e a ética na administraçao publica.


                  FELIZ ANO NOVO A TODOS OS QUE LUTAM POR UMA BELEM ... 
   
                                           QUE NOS ENCHA DE ORGULHO



quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

MAIS UM NATAL...


Chegamos ao fim de mais um ano, durante o qual, lutamos, brigamos, manifestamos e, bem pouca coisa obtivemos. Aumentou, em vez, o numero de inimigos que criamos, ao tentar fazer respeitar as leis.

Nos somos da opiniao que :Cidadania é o exercício de direitos e a cobrança
 de deveres de cada um e de todos, porem...


- O carnaval,  no bairro, como e` que foi em 2014????
- Se passarmos pela Dr. Assis, na Cidade Velha, vamos ver aqueles aparelhos enormes e horrorosos, para medir o consumo de energia, ainda la, nos muros das casas, apesar das promessas de retira-los.
- Continuando o passeio pelo bairro, e entorno, vamos notar que o Codigo de Postura continua sendo ignorado, basta  olhar as calcadas.
- O Codigo do Tansito, tambem.
- Sempre na Dr. Assis, nas laterais e nas paralelas, o transito nao diminuiu, assim carretas e outros meios pesados, continuam a fazer trepidar nosso patrimonio.
- O problema de `estacionamento`, tambem continua sendo uma quimera.
- Criancas continuam a `trabalhar` ns kombis e vans... (pode nao ser trabalho escravo, mas as leis nao sao respeitadas nesse caso, tambem).
- As cores das casas, pintadas de novo,  tambem nao respeitam a nossa historia e nem as nossas lembrancas, quanto mais nossa memoria.
- Ruas que dao para o rio, continuam fechadas e outras, ameacadas de terem o mesmo fim.
- A seguranca ainda e` um sonho....

Enfim, pouco ou nada temos a por no ativo do nosso balanço, e quem ganhou com isso?

O que sera` que  o Papai Noel vai deixar embaixo da nossa Mangueira de Natal, agora que o ano esta` acabando?

Quem sabe 2015 vai ser melhor?

Nos e aqueles poucos ue nos acompanhm, vamos continuar a sonhar e a lutar  por tudo o que pode tornar melhor a nossa vida e o nosso bairro.

BOAS FESTAS A TODOS.

domingo, 12 de outubro de 2014

A CIDADE VELHA, O CÍRIO e os moradores.



Durante o ano, várias organizações se apossam da Cidade Velha com seus eventos. Ocupam praças e trazem gente de fora para usar e abusar dos nossos ouvidos e do nosso patrimônio. Essas manifestações acabam sem deixar nada, além de lixo e poluição sonora, aos moradores, os quais bem poucos participam, aliás.

Duas exceções devo fazer:
1 - Ao Arraial do Pavulagem  que vem falar com a Associação de moradores da Cidade Velha (Civviva) e comunica suas intenções, pede opiniões;  combina algumas ações e, mais que tudo,  se preocupa com  a segurança nossa e do nosso patrimônio histórico, com a  limpeza do espaço usado e enche a praça de banheiros.
             Quantidade de latinhas retiradas sábado a tarde da Praça do Carmo 
                              depois da apresentação do Arraial do Pavulgem..

2 – O falecido amigo Valmir  Bispo que, durante seu período no Curro Velho, vinha conversar conosco e fazer planos para a Cidade Velha. Definidas as ações,  ele organizava oficinas para adultos e crianças do bairro.  Os moradores participavam desde o inicio dos eventos que iriam acontecer.  

O carnaval é um caso a parte, porque não parte de uma pessoa ou de uma organização mas, principalmente porque não ocorre em um unico dia. São vários grupos que, aleatoriamente, em muitos casos, usam a Cidade Velha, desordenadamente, em vários fins de semana. 

Nos casos acima citados, em vez,  pensavam  e pensam  na Cidade Velha, não somente como um recipiente a ser  usado e abusado, mas  salvaguardado com a ajuda dos moradores. Estes não são ignorados, e podem participar dos eventos  sem tantos documentos e pretensões. Acontece uma espécie de fusão, de co-participaçãodesde o inicio e o interesse nasce, consequentemente.

Mesmo se essa participação dos  moradores nos eventos em questão é bem menor do que na espera da chegada da transladação,  é  sempre maior do que em todos os outros eventos  que ocupam nossas praças, ou seja, aqueles que ignoram, não somente as leis, mas, principalmente,  os moradores, aos  quais ficam somente os problemas.

Essas pessoas que pensam em "animar" o bairro perguntaram a algum morador se estavam de acordo?  Se é isso que precisamos?  As oficinas que fazem, são para os moradores? Quantos moradores participam da organização desses eventos? 

Em alguns casos nos parece até que é algo, mais  direcionado a preencher curriculuns vários, do que criar algo em prol do bairro em questão.


Por que escrevo sobre disso? Porque no dia da Transladação fui com a amiga Jacira, que me ajuda na Civviva, para o palco onde tocavam musica, na frente da igreja da Sé. Pela estrada encontramos policiais, e, nas ruas,  praticamente vazias de carros, os moradores colocaram cadeiras nas calçadas Muita luz  acessa nas casas de janelas enfeitadas  e portas abertas. Familias reunidas: ar sereno, de outros tempos. A Dr. Assis parecia algo fora da realidade.

Ao chegar ao palco a  praça já estava quase  cheia de  jovens, com camisetas onde se via que vinham de fora: Curuçá. Ananindeua, outras cidades do interior do Pará e bairros de Belém.  Cantavam e faziam coreografias enquanto esperavam a chegada da Santinha.

As janelas das casas que dão pra a praça, mas principalmente aquelas da Dr. Malcher, também estavam  enfeitadas...e lotadas. As pessoas continuavam a chegar, pelas ruas que dão acesso a Praça da  Sé e a musica continuava alegrando os presentes. O mar de cabeças de cabelos pretos aumentava frente a nós e me lembrei duma manifestação que participei na Dinamarca onde  a massa dos presentes, tinha cabelos loiros e nem eram tão alegres como estes daqui.

E chegou a Santinha e aquele mar entrou em ebulição. O povaréu era incontável e a emoção e a fé eram palpáveis. Tiraram a imagem da Santa  da berlinda  e a levaram para o palco, enquanto a berlinda foi-se imediatamente em direção a Dr. Assis. Rezaram uma Ave Maria e nos duas saímos atrás da berlinda. A nossa  intenção era vê-la entrar  no Colégio do Carmo  onde trocam  as flores e a preparam  para o Cirio.

O povo da Cidade Velha teve a nossa mesma ideia. Seja a Dr, Malcher que a Dr. Assis se encheram imediatamente de gente para correr atrás da Berlinda e nós acabamos perdendo-a de vista em poucos minutos. Quando chegamos no Colégio do Carmo ela já tinha desaparecido, dentro,  e não nos deixaram entrar.  Todos calados aceitamos as ordens e fomos embora. Como uma procissão, todos no meio da rua fomos para nossas casas.

O período do Círio concentra a maior parte das atividades na Cidade Velha, tive assim a oportunidade de constatar como a participação e o uso do bairro é completamente diferente em cada evento que aqui acontece. É mais que evidente que  a esta manifestação religiosa, os moradores da Cidade Velha participam em massa. Alguns na preparação dele  e todos os outros, depois, comparecem à sua realização. Qualquer outro tipo de evento que aconteça, vê bem poucos deixarem suas  casas  para  assistir algo e muito menos se ocupar da preparação do mesmo, porque ignorados pelos organizadores, principalmente, ou porque trata-se de algo que não provoca algum interesse .

Independentemente de ser um evento religioso, o confronto das festividades do Círio com os outros tipos de evento é necessário.  Em quantos desses eventos que acontecem na Cidade Velha os moradores, mesmo sem a Associação, são convidados ou cooptados a participar desde o inicio? Quantos tem interesse, realmente, em trabalhar com a comunidade? Assim sendo, nos parece  que a Cidade Velha é escolhida somente para "conter" o espetáculo, e nada mais.

Era melhor pensar nisso e corrigir o tiro... quem sabe todos obteriam melhores resultados.


domingo, 28 de setembro de 2014

QUE NÃO SEJA UMA VITORIA DE PIRRO


Esta manhã, com uns poucos cidadãos, fizemos um ajoelhaço na frente da igreja da Sé, para pedir ajuda a N. Sra.  de Nazaré afim de evitar a permanência dos medidores de energia da Celpa nesta área tombada.

Estes eram os "olhões" instalados na rua Dr. Malcher..
Em 29 de abril começamos a reclamar, inclusive ao MPE, até que vimos, recentemente, esta outra sugestão ja instalada em alguns bairros


Apavorados pela ideia de ter esses postes nas calçadas ja populadas de outros objetos escusos, na Cidade Velha, partimos para a frente da Sé, acusando, inclusive, outros órgãos distraídos...





A manifestação se encerrou quase ao meio dia.
As 21 horas lemos no blog  http://uruatapera.blogspot.com.br/2014/09/celpa-responde-ao-ajoelhaco.html?spref=fb

"A Celpa informa que não vai mais instalar o novo padrão de medidor de energia em áreas tombadas pelo patrimônio histórico de Belém. A decisão já foi informada ao Iphan, Secult e Fumbel. A concessionária informa ainda que está na perspectiva de implantar um novo modelo de medição eletrônica que não comprometa a estrutura ou a beleza do centro histórico."

Valeu a pena essa batalha, mas so ficaremos tranquilos quando a segunda parte da carta for atuada.

Por enquanto vamos dormir satisfeitos, mas com um"olhão" aberto, pois ja estamos preocupados com a nota da Celpa. De fato eles não dizem que vão tirar os que ja estão instalados. Eles dizem que  não vão colocar mais....

Os credentes, porém, ja agradecem essa rápida providência tomada pela N. Sra, de Nazaré.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

OS POSTES PROPOSTOS PELA CELPA


A cidade de Belém começou, ha alguns dias, a perceber a presença dos postes propostos pela CELPA, em frente a casa daqueles proprietários que não aceitaram que colocassem os chamados 'olhões' no muro de sua casa.
.

Assim, aqueles medidores de energia que foram colocados e não aceitos pela cidadania serão substituidos por postes nas clçadas, devidamente autorizados, a priori, por aqueles moradores que refutam os olhões no muro de casa.

Vocês acham justo isso em área tombada? E no resto de Belém? e onde as calçadas são estreitas?

Nós achamos que nenhuma  cidade e nenhum cidadão merece uma coisa desse tipo nem na fachada de sua casa, nem na sua calçada.


Além de serem frágeis, foram colocados no  meio das calçadas atrapalhando a passagem dos pedestres.

Outro problema nasce se acontecer algo ao poste. Quem paga? Dizem que é o dono da casa, ou quem paga a conta de luz.

         VAMOS DEMONSTRAR NOSSO REPUDIO 
             AO QUE A CELPA ESTÁ FAZENDO , 
                   DOMINGO 28 DE SETEMBRO,
                  NA FRENTE DA IGREJA DA SÉ.  
                      AS 10 HORAS DA MAN HÃ


terça-feira, 16 de setembro de 2014

A CELPA, O MPE E A DEFESA DO NOSSO PATRIMÔNIO


A propósito de defesa do nosso patrimônio.

Ao ler o jornal, hoje,  levamos um susto.  Uma noticia nos informava que os olhões da Celpa vão ficar onde estão, ou em postes mais baixos...

Nos sentimos na obrigação de  fazer uma premissa. Conforme o Art. 216, V, § 1º da nossa Constituição: " O Poder Público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o patrimônio cultural brasileiro(...)".  E, por continuar a crer na necessidade desse artigo ser levado em consideração, é que levamos um susto.  Mais uma vez fomos ignorados e ludibriados.

É necessário também recordar que, para os proprietários de casas na Cidade Velha, o tombamento  do bairro por parte das várias esferas de governo, não foi sempre  recebido com muito prazer pois perdíamos alguns direitos sobre nossa propriedade. 

Ninguém conversou conosco, antes dessas decisões; ninguém nos explicou nada sobre o que ganharíamos ou perderíamos com tal ato; nem que ajuda teríamos para manter em pé essa parte da nossa história. Nos vimos, a cada tombamento, confirmada a impossibilidade de, por exemplo, fazer garagens; de fazer uma suite; de trocar o assoalho de madeira carcomida por algo mais moderno; de mexer na calçada, nas janelas...e assim por diante. Foi uma imposição que tivemos que aceitar.

Víamos porém os prédios de orgãos públicos, principalmente, modificarem a nossa 'memória histórica' aplicando vidros fumês em janelões, antes ali inexistentes; ignorarem a necessidade de estacionamento para seus funcionários, os quais aproveitavam das calçadas de lios para tal fim. Viamos nascerem garagens abusivas que, apesar das denuncias, continuavam lá e vimos  mudarem a cor original das casas, fantasiando nossas lembranças...e o aumento da circulação de veículos corroendo, com a trepidação, os muros de nossas casas? E as ruas que acabam no rio, fechadas e nunca mais reabertas? Tudo isso em troco de que?

Reclamamos que as calçadas são estreitas e a  presença de postes impede o uso das mesmas, e o que acontece? Autorizam atividades que ocupam as poucas calçadas um pouco mais largas, com mesas, cadeiras, churrasqueiras, lavagem de motores, etc. 

Sugerimos o enterramento da fiação elétrica e os comentários foram: é caro. Pra quem? E agora descobrimos que um acordo feito no MPE, em ausência de qualquer representante dos moradores, do IPHAN e da Fumbel, decidem de colocar mais postes para abrigar aqueles aparelhos horrorosos e antiestéticos, caso não autorizes que seja instalado no muro da tua casa? Tem sentido um negócio desses?

Não somos contra o avanço da técnica e da modernidade, gostaríamos somente de não ser presos por ignorantes, lesos ou abestados. Gostaríamos de reconhecer  a coerência e a seriedade  e assim saber, se as obrigações de defesa dos bairros tombados são uma exigência para todos, ou so para quem mora aqui na área?

Não é a estética dessa área tombada que está em discussão, estética essa, tanto chamada em causa quando queres mexer na frente da tua casa. Não é a necessidade dos cidadãos que não podem usar as calçadas que levou a tomar essa decisão. Foi o interesse de quem? A defesa da Cidade Velha é que não foi, menos ainda do nosso patrimônio.

Vamos ter que engolir, calados, mais essa incoerência???